27 de dezembro de 2005

Um Natal “maningue nice” no Bilene *

Na Sexta-feira, pelas 15h30, partimos de Maputo. Num jeep Land Rover de 1984, motor V8 com 3500 cc, tomámos a velha conhecida estrada Nacional 1. O PP a conduzir, a Danila ao lado, eu e o filho Mauro no banco de trás. Ainda parámos num bairro da periferia para deixar o Sr. Alberto (funcionário de longa data da família Barbosa) em sua casa, acompanhado de uma televisão que, vim a saber, fez (e faz) as delícias dos filhos durante dias seguidos…
Atrás de nós vinha o irmão do PP, o Ernesto, com a mulher e os 2 filhos.
O percurso faz-se sem sobressaltos e só tem direito a paragem na zona da Macia, para comprar fruta à beira da estrada.
Chegados ao cruzamento da Macia, viramos à direita, seguindo a indicação do Bilene.

O Bilene é um distrito da Província de Gaza, conhecido pela sua cidade/vila, as suas praias e lagoas e constitui-se desde o tempo colonial como uma estância balnear bastante aproveitada pelas gentes mais afortunadas de Maputo e turistas, sobretudo sul-africanos. É um dos locais onde alguns escolhem construir a segunda casa, sem distar muito de Maputo. A disponibilidade de quartos (lodges, hotéis, colónias de férias, casas para alugar) também é significativa e há ainda os parques de campismo. Afinal, são apenas 2h30 de caminho, sem pressas!

A chegada ao Bilene, com a esplêndida vista sobre as lagoas é entusiasmante mas não deslumbrante, talvez por ser tão ansiada e fantasiada da minha parte. De qualquer maneira, a areia fina, branca e limpa da Praia do Bilene, a temperatura da água e a paisagem de mato e lagoas que conhecerei depois compensarão largamente.
Nota-se na cidade vestígios de algum ordenamento e qualidade turística de outrora, que justificam a fama, mas a degradação de algumas casas e ruas, a construção desregulada e sem qualidade e a tomada de assalto dos motards fanáticos das Moto 4 em bandos frenéticos sem controlo ameaçam este pequeno paraíso.
A casa da irmã e do cunhado do PP (Clarisse e Rui Tadeu), onde passarei a quadra natalícia, integra-se na zona interior da cidade, numa simbiose agradável com o mato. É uma casa espaçosa, com ar condicionado, ventoinhas e redes mosquiteiras nos 3 quartos, televisão, DVD e mesa de bilhar na sala. A cozinha é ampla e divide o espaço com a sala que se constitui como um espaço social de excelência, prolongado pelo jardim que circunda a casa. Nele, as boas conversas e os inúmeros jogos serão uma constante nestes dias. Para além do alarme, a casa tem um guarda e caseiro, o Sr. Martins, que dá o apoio necessário. De Maputo tinha vindo ainda a Dona Laura que nos brinda com pratos deliciosos todos os dias…

No Sábado, pelas 10h30, finalmente ponho os pés da areia desde que cheguei! Os próximos 45 minutos passo-os dentro de água (que se encontra a 28 graus), o que me deixa sem palavras… A água tem uma mistura de água salgada devido à reabertura do canal que faz a ligação entre a lagoa e o oceano...
Como o Sol se faz sentir fortemente, regressamos a casa à hora de almoço e passamos o resto da tarde a digerir a comida ou num relaxante dolce fare niente…

A ceia de Natal é estendida numa mesa que ocupa toda a varanda e que acolhe cerca de 15 pessoas (juntando os filhos, sobrinhos, avó, etc.).
Perú e bacalhau com natas constituem os pratos, aos quais junto 2 copinhos de vinho tinto alentejano da Casa da Cartuxa, Fundação Eugénio de Almeida. Ou seja, pelo lado gastronómico e do convívio, o Natal não diferiu em nada do que seria em Portugal e foi um momento seguramente inesquecível. Mas, o clima quase apaga qualquer espírito natalício e a falta da família (de sangue) não se esquece nunca… Apenas foi atenuada pelo enorme companheirismo desta família de acolhimento que me proporcionou uns dias de férias que dificilmente terei possibilidade de retribuir! Obrigado, Amigos!
Simbolicamente ou não, o jantar foi acompanhado por relâmpagos que irrompiam no céu ao longe, proporcionando um ambiente quase ritual e cerimonioso característico das noites africanas…
Distribuídas as prendas, a chuva abate-se sem quaisquer cerimónias e obriga-nos a recolher…

No Domingo, dia de Natal, pela manhã, saímos no jeep da Clarisse, com o Tadeu a conduzir, para uma volta pelo mato circundante à cidade do Bilene. A chuva acompanha-nos a espaços… A vantagem de ter um 4X4 vê-se nestes momentos, quando a pergunta nunca é “Vamos?”, mas sim “Esquerda ou direita?”…

Descobrimos paisagens fascinantes do cimo de algumas colinas e todos sonhamos com uma casinha algures, com vista periférica sobre as lagoas e o mato infinito…
Antes de regressarmos para o almoço, passamos visitamos ainda uma casa do tempo colonial, abandonada e excessivamente debilitada, mas cujos espaço circundante e vista privilegiada compensam o esforço financeiro de quem a quiser comprar.
O tempo acinzentado não nos motiva para sair e a preguiça instala-se durante o resto do dia…

Na Segunda-feira de manhã, saímos cedo para a Praia das Tartarugas… O caminho acompanha a lagoa. Por vezes, obriga mesmo a atravessar cursos de água, seja por pontes de aspecto frágil, seja galgando as próprias águas… Para quem como eu não tem grande experiência de trilhos que só os 4X4 (e as pessoas a pé) conseguem percorrer, torna-se excitante…

À chegada à praia, deparo-me com o Oceano Índico, em todo o seu esplendor. Não o Índico idílico de postal de férias, mas o Índico grave e vigoroso… As ondas, as dunas de perder de vista, fazem-me lembrar a costa atlântica a que estou habituado, nomeadamente a que me toca em especial, entre Água de Madeiros e a Praia da Vieira, no Concelho da Marinha Grande… Desculpem lá a comparação, mas esta última nem fica a perder assim tanto…e as saudades são mesmo muitas!
Eu, o Ernesto, o filho Nuno, a Danila e o Mauro colocamo-nos em marcha pelo areal até ao Rochedo das Tartarugas. O PP e o Tadeu ficam a tomar conta do jeep (e a descansar…). Um miúdo a que demos boleia durante o passeio (tomava banho junto à ponte que atravessámos e pediu-nos boleia) também prefere ficar a descansar dos solavancos do jeep…

A subida ao Rochedo não obriga a grandes dotes de escalada nem a grande esforço físico, mas permite-nos ter uma vista ainda mais reconfortante, ainda por cima, refrescada pelo vento que se faz sentir…
À segunda tentativa para vislumbrar uma tartaruga lá em baixo do precipício, finalmente dou o sinal de alerta, ao deparar-me com uma tartaruga de cabeça levantada que se faz anunciar. Rapidamente mergulha, porém… nem tempo dá para a fotografia da praxe! O mar estava demasiado agitado e o vento não convidava as normalmente simpáticas tartarugas a exporem-se aos curiosos turistas ocidentais… A distância não me permitiu aferir o real tamanho da dita, mas julgo poder tratar-se de um animal de porte mediano…

No regresso, encontramos um jeep parado junto à ponte onde temos que deixar o miúdo. Um grupo de 4 portugueses (não sei se de férias ou em trabalho em Moçambique), todos na casa dos 25 anos, resolveu atravessar com o seu Toyota Land Cruiser o rio ou a lagoa, sem se certificar antes da profundidade da água, o que fez com que o motor tomasse um banho deveras incapacitante…
Felizmente, um sul-africano altruísta prontificou-se a puxá-los com um cabo de aço até à cidade, de maneira a dirigirem-se a uma oficina.
O final da manhã foi passado na Praia do Bilene, para alegria da criançada (e não só). A tarde foi passada da mesma forma dos outros dias, sendo que pude continuar a apurar algumas habilidades no bilhar… A noite foi preenchida por um grelhado ao ar livre, com direito a picanha e salsichas e muita conversa.
Hoje, pelas 4h30 partimos para Maputo, com muita pena de não ficar mais tempo…

* Maningue nice = Bué / Muito fixe

18 de dezembro de 2005

Um pouco de Blues...

Everyday I Have The Blues

Everyday, everyday I have the blues
Ooh everyday, everyday I have the blues
When you see me worryin' baby, yeah it's you I hate to lose
Whoa nobody loves me, nobody seems to care
Whoa nobody loves me, nobody seems to care
Well worries and trouble darling, babe you know I've had my share

Everyday, everyday, everyday, everyday
Everyday, everyday I have the blues
When you see me worryin' baby, yeah it's you I hate to lose
Whoa nobody loves me, nobody seems to care
Whoa nobody loves me, nobody seems to care
Well worries and trouble darling, babe you know I've had my share
(This classic was written by Memphis Slim and was a hit first for Lowell Fulson,
but B. B. King has made it one of the pillars of his long and distinguished career)

15 de dezembro de 2005

No trilho da Província de Gaza

Finalmente, nesta quarta-feira, dia 14, saí da Província de Maputo... Tomei o caminho para Norte, mas fiquei mesmo pela Província de Gaza, a que se encontra imediatamente a seguir! As diferenças não são muitas, continuamos na Região Sul, onde, de alguma maneira, as dificuldades não se fazem sentir com o mesmo impacto como nas províncias/regiões mais a Norte...
Partimos (eu e o Sr. Ginito, aliás Sr. Eugénio dos Santos Macache) a meio da manhã, porque o caminho não nos tomaria mais do que 2h30m e ficara combinado de estar no Chókwè apenas depois de almoço... para uma reunião de trabalho.

A estrada que se toma é a Nacional 1, a mesma que me levou à Manhiça e Bairro 3 de Fevereiro, aquando do Dia Mundial de Combate ao HIV/SIDA. Ao sair de Maputo, passamos pela Zona do Jardim, pelo Bairro de Benfica e seguimos viagem até à Manhiça, a cerca de 80km. Lá, parámos para almoçar (cabrito para mim, bife para o Sr. Ginito) e descansamos...

Quando volto a passar no Bairro 3 de Fevereiro, fico a saber que a data recorda o desaparecimento do líder da resistência anti-colonial, Eduardo Mondlane, morto pela PIDE, e que até é Feriado Nacional: Dia dos Heróis Moçambicanos... O Sr. Ginito, diz-me que neste local ocorreram vários massacres cometidos pela RENAMO, durante a "Guerra Civil", às populações... e que a estrada foi um verdadeiro "lugar de morte". Durante muitos anos, ninguém quis viver no 3 de Fevereiro, sendo que permanece, de alguma forma, uma nuvem sombria sobre ele!
Seguimos até à Macia... Aqui fica o cruzamento que nos faz tomar diferentes opções: para Leste, o Bilene e a sua maravilhosa praia que hei-de desfrutar; para Norte a cidade de Xai-Xai, capital da Província de Gaza e o resto do "País-mistério"; para Oeste, a Cidade do Chókwè e um longo caminho até à África do Sul ou ao Zimbabwe...

Na estrada (mais uma em óptimo estado) que nos leva ao Chókwè, deparamo-nos com uma imensidão de verde, aqui e ali, interrompido por uns montges de terra castiços que, vim a saber, são construídos por comunidades de formigas. Chegam a ter 2 metros de altura (ou talvez mais)!

Vemos sempre gente de um lado e do outro da estrada: uns que esperam pelos chapas que os conduzirão a qualquer lado ou tomam conta das suas vacas ou cabras; outros que tentam vender alguma coisa aos viajantes (normalmente mangas e papaias, castanha de cajú, batata doce, ou mesmo tijolo e fardos de palha); outros ainda que apenas esperam pela passagem do Tempo...
Passamos a Lionde onde nos deparamos com o abandono a que está sujeita a antiga fábrica de lacticínios. Vim a saber mais tarde em conversa com o Sr. José Rodrigues Pereira, que o Governo pede 4 Milhões de Dólares por ela, quando esta não vale mais do 40 Mil, nas palavras dele... E lá continua a arruinar-se a hipótese de empregar mais algumas pessoas e melhorar a vida de outras mais...
À chegada à Cidade do Chókwè, capital do distrito com o mesmo nome, é grande a azáfama do mercado que ladeia as duas margens do rio de alcatrão que nos conduz...
Depois de algumas dúvidas, encontramos a Avenida Eduardo Mondlane, onde finalmente paramos para deixar os haveres no Hotel Limpopo... Por fora, parece duvidoso, mas quando conhecemos os nossos respectivos quartos, ficamos mais descansados: higiene, ar condicionado, wc privativo, tv, sala de apoio...
Hoje, antes da reunião marcada para as 11h00, fui finalmente conhecer a barragem do Limpopo, seguindo pelo caminho de Guija... A água está num nível baixo devido à seca dos últimos tempos... Pergunto se existem crocodilos, a resposta segue de imediato: "Não existem poucos!"
Como estes não se fizeram anunciar, depois de umas voltas na aldeia da Barragem, onde nos deparámos com as dificuldades enormes das suas gentes (mesmo num sítio com tanta água e aparentes condições de melhor sobrevivência), voltámos à Cidade.
Com o estômago bem aconchegado e com uma sobremesa-extra que foi a aula do Professor José Rodrigues Pereira sobre os Poetas e a Poesia de Moçambique, enfrentamos o caminho de regresso com energias redobradas...
Uma paragem na Macia para comprar fruta e as vendedoras quase "lutam" entre si para nos venderem os seus produtos. Acabo por levar algumas mangas, uns ananazes, papaias, pimentos e pepinos...
A paragem habitual na Manhiça apenas para repor os líquidos e eis-nos em Maputo pelas 18h00 completamente estafados...
P.S.: A comitiva do Benfica chegou ontem a Maputo, com o Presidente Luís Filipe Vieira, o Eusébio, o Carraça, entre outros. Assinaram protocolo com o Costa do Sol, antigo Benfica de Lourenço Marques (durante 25 anos), no âmbito da formação, e foram recebidos pelo Ministro da Juventude e Desportos, prometendo apoio à Federação Moçambicana de Futebol para a organização do CAN 2010. Já hoje foram recebidos pelo Presidente da República e amanhã estarão presentes num jantar que reúne os Benfiquistas (imensos) de Maputo. Regressam a Lisboa no próximo Sábado... com a promessa de voltar lá para Maio!

10 de dezembro de 2005

Em busca dos primos da Catembe...

11h00: Depois de retemperadas as forças com um segundo pequeno-almoço no Nautilus (café/pastelaria tipicamente português, onde muitos compatriotas neo-colonialistas adoram marcar presença!), bem em frente ao primeiro-mundíssimo Shopping Polana, deparamo-nos com a venda de uma tartaruga de mato pelo inacreditável preço de 350 Mil Meticais (uns meros 12,00 EURO)...
13h30: A espera é longa, no cais em frente aos Ministérios. Por vezes, esqueço-me que o ritmo nem sempre coincide com aquilo que considero razoável... Passam-se quase 2 horas e só os inúmeros vendedores ambulantes interrompem a monotonia instalada. Tentam impingir-nos de tudo: chocolates, pastilhas, amendoins, relógios e óculos de Sol das melhores marcas (contra)feitas na China, pois claro... Aproveitamos para petiscar umas bananas compradas num mercado da cidade e matar a sede...

14h15: Finalmente, Maputo afasta-se vagarosa, depois de algumas difíceis (para o azelhas do condutor... moi) manobras para encaixar o jeep em cima do ferry boat (também conhecido por "catembeiro") que nos leva à Catembe, por 200 Mil Meticais (6,67 EUR). O arrumador de serviço impacienta-se, o que não ajuda... São apenas alguns minutos para atravessar este braço da Baía de Maputo, e o dia já parece ir longo e pesado...

14h30: A entrada na Catembe faz-se sem demoras, apenas interrompida para as necessidades verdadeiramente (e redundantemente) necessárias... a troco de mais uns 2 Mil Meticais (0,07 EUR) per capita... (esta insistência nos preços não se deve a nenhum ataque repentino de satisfação contabilística, estejam descansados!)...

15h00: A viagem prossegue para Sul. No caminho, onde o alcatrão se esqueceu de chegar, pergunto a um senhor idoso se conhece Manuel Seco da Silva. Indica-me mais caminho, 1km... até à sede da povoação. Encontramos uma Esquadra de Polícia, onde entro e repito a mesma pergunta. O Chefe da 9ª Esquadra da PRM da Catembe pede a um miúdo para nos indicar mais caminho. Chama-se José Manuel e entra no jeep sem medo... Faz-nos andar 2 centenas de metros até ao destino que ansiei durante todo este tempo...

Manuel Seco da Silva é o nome do primo que procuro e que encontrei (descobri) há 3 anos aquando da primeira vinda a Moçambique. Sobrinho de (e criado) pelo meu bisavô Manuel, também Seco da Silva, pai da minha avó Emília, viu-me chegar naquele dia 9 de Março de 2003, como uma bênção... nas suas palavras... pois já tinha perdido a esperança de voltar a ver família portuguesa...

Tudo começou quando resolvi conhecer os lugares por onde esse meu bisavô andou. Tinha duas referências: Catembe e Mungazine. Depois de várias peripécias e atrasos (vim a saber mais tarde que decorreram da influência dos espíritos dos meus antepassados...), sem nunca imaginar que ainda aqui tinha família, encontro um velhote numa rua da Catembe e pergunto-lhe se se lembra de um português com o aquele nome... Ele afirma lembrar-se e... surpresa das surpresas... diz conhecer um senhor com esse mesmo nome a viver ali perto! Não podia acreditar! Quando o encontrei, foi um momento mágico indescritível, porque há algo entre as pessoas do mesmo sangue (mesmo já sendo muito afastadas) que as liga automaticamente! Depois... foi ver aquele brilho nos olhos, aquela comoção quase descontrolada por receber a visita de um membro da família que os abandonara há 30 anos...

Nesse dia, aquele Land Rover de caixa aberta estava apinhado de gente: os amigos que me conduziram até lá (Pedro, Danila, mais outros 3 amigos deles), o senhor que nos deu a informação preciosa e que encontrámos por acaso à beira da estrada, o meu primo Manuel, a esposa, dois dos filhos, a irmã, um filho e uma neta desta última, e mais algumas pessoas que nos pediram boleia ... e que desapareciam tão depressa como apareciam!

Percorremos os caminhos da Catembe e de Mungazine, onde descobri as ruínas daquela que foi a cantina do meu bisavô, e senti-me iluminado por forças que me levaram até aquele lugar... O senhor idoso, de que não me lembro o nome, pediu-me para deitar um pouco de água no chão como forma de agradecimento aos espíritos e explicou-me que foi o meu bisavô que me puxou até lá...

Mas, isto foi há quase 3 anos! Hoje voltei a sentir que cumpri um dever na minha vida que tem que ver com a busca de raízes para encontrar um sentido maior... para esta passagem...

18h30: O regresso a Maputo não deixou de contar com uma pausa para petiscar uns mariscos (a ideia original era de comer algo de menos previsível, como xima, mas não havia grande coisa por onde escolher)... A mesma demora para apanhar o ferry (desta vez entrámos em primeiro) e atravessar a baía, com o Sol a pôr-se lentamente, pincelando com tons de laranja-rosa tudo o que tocava... até à cidade crescer diante dos nossos olhos...

Deixo-vos mais uma sugestão de leitura, um testemunho diferente de mais um português que por aqui passou:

http://cronicasmaputo.blogspot.com/2005/03/uma-aventura-na-catembe.html

8 de dezembro de 2005

Futeboladas... gloriosas



Menos de 24 horas depois da jornada épica do meu Benfica, na qual eliminou o colosso arrogante de Manchester (2-1) da Liga dos Campeões, resolvi juntar-me a um grupo de rapazes, cá como em qualquer parte do Mundo, que gosta de jogar uma partidinha de futebol depois do horário de trabalho...
Equipas misturadas entre 5 moçambicanos, 1 francês, 1 suiço, 1 brasileiro, 2 da Ilha Maurícia, 2 sul-africanos, 2 portugueses... Este daqui, fisicamente bastante debilitado por falta de exercício nos últimos tempos, mas com uma moral em alta com a Vitória da véspera. Com a minha falta de jeito (não confundir com a marca de preservativos daqui: JEITO) natural, lá fui tentando correr atrás da bola... ou a fugir dela, não sei!
O recinto fica no complexo Bar/Piscina Water Front, perto do Clube Náutico, e é própio para futsal. Está alugado pelo Marco (o francês) até final de Janeiro, todas as quintas-feiras, das 18h00 às 20h00.
Apesar das mazelas com que saí (sim... pois... a resistência física não é o meu forte), espero adquirir esse óptimo vício de dar uns pontapés na bola regularmente, talvez porque em cada homem não desapareça completamente o sonho de menino de "um dia jogar no seu clube do coração, ao lado dos ídolos"... Não é assumido por todos (as desculpa usuais prendem-se com a necessidade de fazer exercício físico, queimar umas calorias, perder a barriguita, etc.), mas há sempre um lado um pouco infantil (no melhor dos sentidos) de nos juntarmos, sem nos conhecermos de lado nenhum, muitas das vezes, apenas para jogar e falar sobre Futebol...
Na próxima Quarta-feira, o Rei Eusébio estará em Maputo... Espero poder contar mais pormenores!

4 de dezembro de 2005

Na ri na, nu ta brinca só iá iá


Do céu de Maputo choveu todo o dia...
Talvez para limpar o caminho que nos trouxe, também do Céu, a deusa cabo-verdiana, que dá pelo nome de Lura, para encher de luz o bar Coconuts, na Av. Marginal. Foi a sua primeira vez em Moçambique, mas sabemos que vai voltar...
Uma noite da mais bela música, cantada por uma voz que explode da boca e do corpo da Lura e que deu direito a autógrafo e tudo. Este foi arranjado pelos meus amigos Danila e Mauro (um fã) que esperaram até ao fim para ter algo dela! Obrigado amigos! Obrigado Lura!
Ficam mais algumas palavras:
Antigamente, no tempo em que o mundo era ainda um lugar ilimitado e misterioso, os cartógrafos anotavam a medo nas margens dos seus mapas - daqui em diante só há dragões. Eu atrevo-me, olhando para o futuro como naquela época os cartógrafos olhavam para o mundo, a assinalar no mapa de Lura: Daqui em diante tudo será luz. O fulgor das grandes canções.
Obrigado Lura.

José Eduardo Agualusa


NA RI NA
(Música e letra: Orlando Pantera)

Na ri na , oh na ri na
Na ri na , nu ta brinca só iá iá
Refrão
Eh mocinhos, eh ca nhôs flan nada
Oxi pelu menus mi`n kre brinka só iá iá, eh iá iá
Refrão
Mosinhos di Praia Baxu, eh eh ka nhos fla nada
Oh oh ka nhos buli`n, mi`n kre brinka so iá iá, oh iá iá
Refrão
A bo mosinhu di Praia Baxu, eh eh si bu da`n
Oh oh si bu da`n, n`ta brinka só iá iá
Refrão
A bo Bitori di Praia Baxu, eh eh ku bu kaxola
Oh oh ka da pa nada, nu ta brinka só iá iá
Refrão
Mosinhus ka nhos fla nada, eh eh Codé di Dona
Oh oh ku si gaitona, nu ta brinca só iá iá, oh iá iá
Refrão
A bo mosinhu, mosinhu Praia, eh eh Praia é sabi
Eh eh Praia é prigo, bu ta brinca só iá iá
Refrão


Ver site: http://www.luracriola.com/index.php

3 de dezembro de 2005

Um pouco de Gospel...


God Will Smile Up Above

In a world that is sad,
There's so much to be had.
There's love all around,
just waiting to be found.
God gives us a choice,
Our hearing and our voice.
He has love for you and me
that we can feel and see.
If I were a poet,
I'd dazzle you with words,
If I could be a singer,
You'd like what was heard.
If I had to fight,
I'd fight for your love,
And when I would win,
God will smile up above.
There are things that I am,
but I am still a man.
I am coming after you,
I want a love that's true.
I have made up my mind,
That I want you for mine.
God will Smile up above,
When I win your love.
If I were a poet,
I'd dazzle you with words,
If I could be a singer,
You'd like what was heard.
If I had to fight,
I'd fight for your love,
And when I would win,
God will smile up above.

2 de dezembro de 2005

Amigo Francisco Funzamo

O Meu Amigo Francisco Funzamo presenciou os meus primeiros 2 meses em Moçambique, vai agora fazer 3 anos. Todos os dias ensinou-me algo, com a sua enorme sabedoria e um sorriso contagiante. Nunca o esqueci durante este tempo que adiei o regresso. Disse-lhe quando parti que um dia haveria de voltar. Voltei e ele respondeu-me: "O Mundo é grande!"

1 de dezembro de 2005

Kanimambo, Sr. Presidente!



Mais um dia que acordou sem destreza, combalido, com vontade de dizer "Passo!"... Chovia lá fora e as obrigações fizeram-me vestir daquela forma apertada que nos faz - nós, os seres de pele e osso - ficar sempre com um aspecto de quem veste o fato domingueiro só para impressionar... sem nos apercebermos da figura real! Uma espécie de homenzinhos a fazer de homens adultos e desafogados...

A chuva e a hora de ponta em Maputo (Sim! Qual é a admiração?) fizeram-nos (a mim e ao Carlos Tala) iniciar a marcha aos bocejos pela Nacional 1 (a tal que liga o Maputo ao Rovuma)...
Aos poucos, o clima foi desanuviando e até deu para tirar umas fotos en passant. O destino: Vila da Manhiça, no Distrito com o mesmo nome. Percebemos quando chegámos (1 hora depois) que afinal deveríamos andar mais 20 ou 30 km, até 3 de Fevereiro. Sim, este é o nome do local! Por cá, utilizam-se datas para nomear tudo e mais alguma coisa: povoações, bairros, ruas, crianças...
Talvez, um dia, em Portugal se possa fazer o mesmo e nunca mais nos esqueçemos das datas importantes das nossas vidas, sobretudo aquelas em que fizémos os nossos filhos...

Este distrito cola-se à Província de Gaza, ou seja, está situado a Norte de Maputo. Porém, ainda não foi desta que coloquei os pés fora da Província...

O acontecimento foi realmente importante, mas falar dele em termos de conteúdo (temático), é falar de trabalho... e não estou para aí virado de momento! Por estar em representação da minha organização, e por reconhecerem méritos ao nosso trabalho, distinguiram-nos com um certificado de implementadores de projectos, que recebi das mãos de um representante da Embaixada Britânica (vá lá saber-se porquê) e, cujo texto tive que ler perante centenas de pessoas, entre elas, o Sr. Presidente da República de Moçambique. Retribuí com a oferta de t-shirts. Infelizmente, não consegui convecê-lo a vestí-la. Ele não parecia querer largar a sua camisete de cor encarnada! Tem bom gosto...

Assistir a uma cerimónia oficial em Moçambique, com a presença das mais altas figuras do Estado e representantes da Comunidade Internacional, desde diplomatas a funcionários de ONGs e organizações internacionais, dentro de uma tenda gigante é um privilégio. Digo-o, sem modéstia alguma, mas não me levem a mal, tamanho é o entusiasmo. É um privilégio fundamentalmente por assistirmos a situações que são inexprimíveis e impensáveis no nosso Portugal... chato e formal!

Em virtude do clima, podemos ver um Presidente da República de camisete e a Primeira Dama de boné. Podemos ver um tradutor a comentar o discurso que é suposto traduzir, ou, até mesmo, a traduzir literalmente tudo o que o orador profere... fazendo a plateia explodir às gargalhadas! Vemos, também, um rol de autoridades que parece não ter fim. Por estes lados, quase toda a gente pode ser autoridade ou chefe de alguma coisa! Podemos assistir à apresentação de ministros e vice-ministros como naquelas aulas de apresentação, no início da cada ano lectivo, em que nos levantamos e dizemos o nosso nome, onde vimos e para onde vamos, etc. Como nem toda a gente tem acesso à televisão ou ao jornal, é normal que as caras dos governantes (e são sempre muitos) não sejam de todo familiares... Por isso, é normal que, sob a batuta do maestro Guebuza (o Sr. Presidente), assistamos a que cada um dos ministros ou vice-ministros se levante e apresente, com ar envergonhado.. quase como estando a pedir desculpa por sê-lo. Poderá parecer caricato, se comparado com a austeridade pavoneante dos governantes portugueses, mas aqui justifica-se: o governante faz questão de governar para o Povo e pelo Povo... mesmo que, saibamos nós (e eles também), se governam bem... do Povo! Não deixa de ser, no entanto, contagiante o discurso simples e directo, tão próximo que até permite a narração de episódios familiares... como os de os pais terem sido criados por tios. Isto, porque se falava da perda de tradições solidárias entre as famílias... Não... não vou falar do Tema!
O repasto foi oferecido pela Sra. Administradora do Distrito da Manhiça e, mais uma vez, embora sem fugir aos ditames do protocolo internacional, se sente uma maior proximidade e descontracção. Tanta que este Tuga, acompanhado pelo seu fiel companheiro Carlos, até teve direito a ficar entalado entre uma Conselheira (grávida, por sinal) da Embaixada Portuguesa e o Embaixador em Maputo desse belo país (imagino) que dá pelo nome de Malawi... Procurei não tirar muita comida para não parecer mal e acertei na decisão, pois o Sr. Embaixador presenteou-me várias vezes com a sua comida cada vez que me dirigiu a palavra enquanto mastigava...
O caminho de volta foi feito de forma mais rápida e até deu para quase me esquecer que conduzia pelo lado contrário... enfim, aquela descrição toda que já vos fiz da experiência de condução em Moçambique...
Para o ano há mais. Não sei se estarei presente. Mas, tenho esperança que as promessas hoje reproduzidas se concretizem... rápida ou simplesmente!
Porque o HIV/SIDA mata, todos os dias, um pouco de todos nós...
P.S.: tinha mesmo que abrir uma excepção e falar de trabalho... Hoje é o Dia Mundial de Combate ao HIV/SIDA! E é esta a razão de termos estado todos reunidos... Amanhã será um dos 364 dias do ano em que teremos que trabalhar mais do que falar...

30 de novembro de 2005

Picar o ponto no Mira Mar

Não, não vou falar do meu trabalho, pois este blog serve sobretudo para roubar protagonismo à parte importante que constitui o meu trabalho por cá... No entanto, o trabalho em si tem sempre aspectos positivos que vão além da realização profissional (e compensação financeira) a que está normalmente associado.
Por vezes, permite-nos ter alguma vida social - não esquecendo que esta obedece a uma série de regras comportamentais especiais - que é extremamente compensatória nestas paragens. Por cá, as pessoas esforçam-se realmente para "socializar", combinando encontros para tomar um copo, jantares, falar da vida. Talvez, porque aqui se cultiva o tempo como uma dádiva de vida...
Depois de um cocktail simpático a meio da tarde, foi a vez de "picar o ponto" no, e escrevo o nome completo, KAYA KWANGA MIRA MAR, na Av. Marginal. Mais conhecido como Mira Mar, é famoso pelos seus mariscos (não podia deixar de ser) e bifes. Confirmo que não é só fama!
Desta vez, foram umas lulas grelhadas com camarão médio, bem acompanhadas por 2 Laurentinas claras. Começa a tornar-se uma relação séria, esta com a Laurentina...
Deixo-vos, entretanto, dois sites que descobri com testemunhos interessantes sobre Moçambique:

29 de novembro de 2005

De volta a Namaacha


Torna-se rotina quando repetimos 2 vezes o mesmo caminho... para a Vila da Namaacha. O trabalho obrigar-me-á a repeti-lo inúmeras vezes, mas faço-o com vontade... A existência de árvores e alguma altitude faz-me aproximar da Lusolândia...
Para lá, embora o jet lag não tenha grande influência, o corpo demora a acordar e mal posso apreciar a paisagem...
Para cá, em Maputo, o dever obriga-me a conduzir. Esta foi a minha primeira experiência de vários km seguidos a conduzir pela esquerda, a pôr mudanças com a mão esquerda, a rezar para que o alarme não resolva fazer das suas ou o fumo abundante que sai pelo tubo de escape não seja prenúncio de algo mais grave... Foram 100 km a tentar ultrapassar camiões que não ajudam... a desviar-me de alguns buracos à entrada de Maputo... a tentar suspirar por estar de novo em casa! Agora, tudo será uma questão de hábito!
Pena é que os buracos nas estradas portuguesas e as manobras perigosas dos meus compatriotas passem a ser um pouco relativizadas quando comparadas com os daqui... Não, não vou deixar de exigir mais... lá... quando voltar!

28 de novembro de 2005

Matapa


Hoje foi dia de trabalho e novas e infrutíferas tentativas para comunicar pelo Skype... Quem disse que se poderia falar facilmente pela net sem pagar?

Deixo, por isso, uma sugestão gastronómica típica de Moçambique. Por acaso, até vai ser o meu jantar!

Bom apetite!

Matapa

Ingredientes: 500 grs de folhas de abóbora; 200 grs de miolo camarão; 2 Cebolas grandes; 2 Tomates grandes maduros; 100 grs de amendoim; Sal e piri-piri q.b.

Preparação: Tirar os caules das folhas de abóbora, lavar muito bem e cortar como para caldo verde. Triturar o amendoim sem pele. Colocar numa panela a cebola cortada em rodelas, o tomate sem pele cortado, as folhas de abóbora, o miolo de camarão e o amendoim. Juntar 1/2 copo de água, o sal e piri-piri. Levar ao lume médio mexendo de vez em quando. Deixar apurar bem de maneira a não ficar com líquido. Acompanha com arroz branco ou outro a gosto.

NOTA:Pode substituir as folhas de abóbora por nabiças.

Dificuldade: fácil
Custo: médio
Tempo: médio


Observações: Prato típico de Moçambique que também se faz com folhas de amendoim.

Fonte: Livro Receitas Moçambicanas

26 de novembro de 2005

Aniversário da Ana


A manhã foi finalmente bem dormida...

A tarde foi passada no Hotel Girassol, a convite da Carlota, estendido numa espreguiçadeira, ou a mergulhar na bonita piscina com vista para a Baía de Maputo e a Catembe.

A noite é retratada pelos instantes que apresento.

Há sempre festa em Moçambique! Basta haver música, cerveja (Laurentina ou 2M de preferência), uns petiscos e, depois, é só dançar e rir... porque "para morrer basta estar vivo"...

O local escolhido em Maputo foi no Núcleo d'Arte, onde se pode ouvir boa música, navegar pela net, beber, comer os petiscos da Tina e conversar... muito, pois é um verdadeiro lugar de encontro de gentes de todo o lado...

Kanimambo!

20 de novembro de 2005

Almoço no Costa do Sol



O Domingo acordou suave... Os sabores da véspera dançavam ainda nas primeiras horas da manhã! Cumpre-se o ritual domingueiro de tutti fare piano e lentamente!

Surge então o convite do Aurélio de ir provar uns camarões ao famoso Costa do Sol...na Avenida Marginal. O mais famoso restaurante de Maputo, o do Grego, é, sem dúvida, uma referência incontornável, pese embora algum exagero face às expectativas criadas. O peixe fresco grelhado, o camarão, os caranguejos e as lulas são, geralmente, deliciosos. Mas, não se fique à espera de maior rapidez ou até de um nível de atendimento de excelência...

O meu caril de camarão podia estar melhor... mas não deixou de ser um óptimo momento de descontracção, na companhia do Aurélio e algumas amigas dele: a Piera (Italiana), a Monika (Basca) e a Carlota (Tuga como nós)...
Apesar da escolha pouco ousada e previsível (típica de estrangeiros), percorrer a Avenida Marginal a um Domingo à tarde não deixa de ser uma aventura... pois com tanta cerveja e engate à beira da estrada, resta pouco espaço para os carros passarem...

18 de novembro de 2005

Jantar de despedida do Aurélio

Depois de mais um dia de trabalho e tentativa de captação de todo um manancial de informação que não parece alguma vez ter fim, um primeiro momento de descontracção na noite de Maputo...

Local: restaurante Coqueiro, no parque da Feira, bem na Baixa de Maputo. Um restaurante à portuguesa, no entanto famoso pelas especialidades da Província da Zambézia. Numa parede, o inevitável calendário do Benfica Campeão. Pela mesa, passaram algumas das inúmeras especialidades gastronómicas de Moçambique, acompanhadas por boa cerveja.

Conheceram-se novas pessoas, despedimo-nos de quem parte e saboreámos excelentes momentos de conversa. Conheci o casalinho português (Ana e João), a Carlota, o Carlos Sousa e, com grande surpresa, um grupo de Palhaços Sem Fronteiras, entre eles, a Carla Dias (que foi professora no Chapitô, de onde venho) e o catalão Valentin...

Passámos ainda pelo Water Front, onde tomámos mais uns copos, nomeadamente cerveja a metro, e nos despedimos dos palhaços.

A noite acabou no Shima, um bar da Baixa, onde assistimos a um concerto ao vivo da boa música moçambicana e africana em geral. Marrabenta, Afrojazz, Passada, ... Dançámos muito ou, pelo menos no meu caso, vimos muita gente dançar e entrelaçar-se ainda mais...

17 de novembro de 2005

No trilho da Província de Maputo

A vida começa bem cedo aqui em Maputo..
Às 5 horas da manhã, o Sol não nos deixa molengar tal é a intensidade com que nos ilumina e dá as boas-vindas a mais um dia...
O reboliço das ruas começa, por isso, a sentir-se bem cedo. Os escritórios abrem às 8h00 e não é nada invulgar marcar reuniões para essa hora...
Neste dia, parti bem cedo para a Namaacha, eram pouco mais de 7h00.
O Distrito da Namaacha tem a Norte o Distrito de Moamba, a Este o Distrito de Boane, a Sul o Distrito de Matutuine, e, a Oeste, a África do Sul e a Suazilândia.
A Sede do Distrito é a bela vila da Namaacha, outrora muito conhecida por ser um sítio de preferência de portugueses que queriam ter uma segunda casa num lugar mais fresco que Maputo. Devido à sua altitude (cerca de 400 metros), acaba por ter um micro-clima bastante agradável em tempo de calor extremo. Em algumas alturas do Inverno, segundo dizem, e não olhando para a vegetação, quase que podemos dizer que faz frio e não estamos em Moçambique... Curioso é o facto de se prever a abertura de um casino ao lado do Hotel de eleição da vila. Cá como lá, ou vice-versa, a novela do casino parece não ter fim.
Dista cerca de 100 km de Maputo que se fazem facilmente devido ao bom estado da estrada de ligação. É um excelente passeio para descontrair e sentir alguma frescura... Ao longo do caminho, vamos encontrando vendedores de carvão e de pedra a que eles chamam de "pura"...
Vale a pena conhecer a Barragem dos Pequenos Limpompos e ver espelhado o céu bafejado de nuvens.. sem o incómodo constante das motos-de-água que nos azucrinam noutras paragens...
Ao longo de 8 horas pude ainda conhecer as povoações de Goba, Changalane, Mafuiane e Kulula...

À noite, ainda houve tempo para o reencontro com a minha família adoptiva: Pedro, Danila e Mauro, que me recebram, como sempre, de braços abertos. Antes de voltar a casa, uma ida ao Mercado do Peixe para comprar um exemplar de peixe vermelho...

16 de novembro de 2005

De novo em Moçambique


Shoane!

Este blog vai servir para partilhar os cheiros, as cores e os sons da Terra que agora me acolhe... Moçambique!

Acabo de chegar. Cumpro a promessa que tinha feito: "Hei-de voltar..."

No aeroporto, já não há a surpresa da primeira vez que aterramos em África e sentimos o bafo quente que nos assalta de rompante, mal pomos um pé fora do avião...

As formalidades à entrada também já não são surpresa, mas não deixam de irritar.. um pouco, sobretudo quando temos que esperar, esperar, depois de uma viagem de mais de 10 horas, entalados entre estranhos que teimam em dormir sempre virados para nós. E, depois de mostrar o passaporte, o ritual de recolher as malas, suspirando de alívio por as encontrar. Pior, só mesmo abrir as nossas malas, os nossos pertences, a um estranho que vai comentando, com um sorriso, o quanto arrumadas elas estão. Eu não deixei de retribuir com o meu sorriso...

E assim começa a minha nova experiência no país da Marrabenta!

P.S.: não deixem de passar os olhos por este excelente artigo brasileiro: http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2366,1.shl

ou por este livro de visitas de uma página pessoal sobre Moçambique:

http://homepages.sapo.pt/guestbooks/malhanga.com.sapo.pt/guestbook.php?displayBegin=195