30 de novembro de 2005

Picar o ponto no Mira Mar

Não, não vou falar do meu trabalho, pois este blog serve sobretudo para roubar protagonismo à parte importante que constitui o meu trabalho por cá... No entanto, o trabalho em si tem sempre aspectos positivos que vão além da realização profissional (e compensação financeira) a que está normalmente associado.
Por vezes, permite-nos ter alguma vida social - não esquecendo que esta obedece a uma série de regras comportamentais especiais - que é extremamente compensatória nestas paragens. Por cá, as pessoas esforçam-se realmente para "socializar", combinando encontros para tomar um copo, jantares, falar da vida. Talvez, porque aqui se cultiva o tempo como uma dádiva de vida...
Depois de um cocktail simpático a meio da tarde, foi a vez de "picar o ponto" no, e escrevo o nome completo, KAYA KWANGA MIRA MAR, na Av. Marginal. Mais conhecido como Mira Mar, é famoso pelos seus mariscos (não podia deixar de ser) e bifes. Confirmo que não é só fama!
Desta vez, foram umas lulas grelhadas com camarão médio, bem acompanhadas por 2 Laurentinas claras. Começa a tornar-se uma relação séria, esta com a Laurentina...
Deixo-vos, entretanto, dois sites que descobri com testemunhos interessantes sobre Moçambique:

29 de novembro de 2005

De volta a Namaacha


Torna-se rotina quando repetimos 2 vezes o mesmo caminho... para a Vila da Namaacha. O trabalho obrigar-me-á a repeti-lo inúmeras vezes, mas faço-o com vontade... A existência de árvores e alguma altitude faz-me aproximar da Lusolândia...
Para lá, embora o jet lag não tenha grande influência, o corpo demora a acordar e mal posso apreciar a paisagem...
Para cá, em Maputo, o dever obriga-me a conduzir. Esta foi a minha primeira experiência de vários km seguidos a conduzir pela esquerda, a pôr mudanças com a mão esquerda, a rezar para que o alarme não resolva fazer das suas ou o fumo abundante que sai pelo tubo de escape não seja prenúncio de algo mais grave... Foram 100 km a tentar ultrapassar camiões que não ajudam... a desviar-me de alguns buracos à entrada de Maputo... a tentar suspirar por estar de novo em casa! Agora, tudo será uma questão de hábito!
Pena é que os buracos nas estradas portuguesas e as manobras perigosas dos meus compatriotas passem a ser um pouco relativizadas quando comparadas com os daqui... Não, não vou deixar de exigir mais... lá... quando voltar!

28 de novembro de 2005

Matapa


Hoje foi dia de trabalho e novas e infrutíferas tentativas para comunicar pelo Skype... Quem disse que se poderia falar facilmente pela net sem pagar?

Deixo, por isso, uma sugestão gastronómica típica de Moçambique. Por acaso, até vai ser o meu jantar!

Bom apetite!

Matapa

Ingredientes: 500 grs de folhas de abóbora; 200 grs de miolo camarão; 2 Cebolas grandes; 2 Tomates grandes maduros; 100 grs de amendoim; Sal e piri-piri q.b.

Preparação: Tirar os caules das folhas de abóbora, lavar muito bem e cortar como para caldo verde. Triturar o amendoim sem pele. Colocar numa panela a cebola cortada em rodelas, o tomate sem pele cortado, as folhas de abóbora, o miolo de camarão e o amendoim. Juntar 1/2 copo de água, o sal e piri-piri. Levar ao lume médio mexendo de vez em quando. Deixar apurar bem de maneira a não ficar com líquido. Acompanha com arroz branco ou outro a gosto.

NOTA:Pode substituir as folhas de abóbora por nabiças.

Dificuldade: fácil
Custo: médio
Tempo: médio


Observações: Prato típico de Moçambique que também se faz com folhas de amendoim.

Fonte: Livro Receitas Moçambicanas

26 de novembro de 2005

Aniversário da Ana


A manhã foi finalmente bem dormida...

A tarde foi passada no Hotel Girassol, a convite da Carlota, estendido numa espreguiçadeira, ou a mergulhar na bonita piscina com vista para a Baía de Maputo e a Catembe.

A noite é retratada pelos instantes que apresento.

Há sempre festa em Moçambique! Basta haver música, cerveja (Laurentina ou 2M de preferência), uns petiscos e, depois, é só dançar e rir... porque "para morrer basta estar vivo"...

O local escolhido em Maputo foi no Núcleo d'Arte, onde se pode ouvir boa música, navegar pela net, beber, comer os petiscos da Tina e conversar... muito, pois é um verdadeiro lugar de encontro de gentes de todo o lado...

Kanimambo!

20 de novembro de 2005

Almoço no Costa do Sol



O Domingo acordou suave... Os sabores da véspera dançavam ainda nas primeiras horas da manhã! Cumpre-se o ritual domingueiro de tutti fare piano e lentamente!

Surge então o convite do Aurélio de ir provar uns camarões ao famoso Costa do Sol...na Avenida Marginal. O mais famoso restaurante de Maputo, o do Grego, é, sem dúvida, uma referência incontornável, pese embora algum exagero face às expectativas criadas. O peixe fresco grelhado, o camarão, os caranguejos e as lulas são, geralmente, deliciosos. Mas, não se fique à espera de maior rapidez ou até de um nível de atendimento de excelência...

O meu caril de camarão podia estar melhor... mas não deixou de ser um óptimo momento de descontracção, na companhia do Aurélio e algumas amigas dele: a Piera (Italiana), a Monika (Basca) e a Carlota (Tuga como nós)...
Apesar da escolha pouco ousada e previsível (típica de estrangeiros), percorrer a Avenida Marginal a um Domingo à tarde não deixa de ser uma aventura... pois com tanta cerveja e engate à beira da estrada, resta pouco espaço para os carros passarem...

18 de novembro de 2005

Jantar de despedida do Aurélio

Depois de mais um dia de trabalho e tentativa de captação de todo um manancial de informação que não parece alguma vez ter fim, um primeiro momento de descontracção na noite de Maputo...

Local: restaurante Coqueiro, no parque da Feira, bem na Baixa de Maputo. Um restaurante à portuguesa, no entanto famoso pelas especialidades da Província da Zambézia. Numa parede, o inevitável calendário do Benfica Campeão. Pela mesa, passaram algumas das inúmeras especialidades gastronómicas de Moçambique, acompanhadas por boa cerveja.

Conheceram-se novas pessoas, despedimo-nos de quem parte e saboreámos excelentes momentos de conversa. Conheci o casalinho português (Ana e João), a Carlota, o Carlos Sousa e, com grande surpresa, um grupo de Palhaços Sem Fronteiras, entre eles, a Carla Dias (que foi professora no Chapitô, de onde venho) e o catalão Valentin...

Passámos ainda pelo Water Front, onde tomámos mais uns copos, nomeadamente cerveja a metro, e nos despedimos dos palhaços.

A noite acabou no Shima, um bar da Baixa, onde assistimos a um concerto ao vivo da boa música moçambicana e africana em geral. Marrabenta, Afrojazz, Passada, ... Dançámos muito ou, pelo menos no meu caso, vimos muita gente dançar e entrelaçar-se ainda mais...

17 de novembro de 2005

No trilho da Província de Maputo

A vida começa bem cedo aqui em Maputo..
Às 5 horas da manhã, o Sol não nos deixa molengar tal é a intensidade com que nos ilumina e dá as boas-vindas a mais um dia...
O reboliço das ruas começa, por isso, a sentir-se bem cedo. Os escritórios abrem às 8h00 e não é nada invulgar marcar reuniões para essa hora...
Neste dia, parti bem cedo para a Namaacha, eram pouco mais de 7h00.
O Distrito da Namaacha tem a Norte o Distrito de Moamba, a Este o Distrito de Boane, a Sul o Distrito de Matutuine, e, a Oeste, a África do Sul e a Suazilândia.
A Sede do Distrito é a bela vila da Namaacha, outrora muito conhecida por ser um sítio de preferência de portugueses que queriam ter uma segunda casa num lugar mais fresco que Maputo. Devido à sua altitude (cerca de 400 metros), acaba por ter um micro-clima bastante agradável em tempo de calor extremo. Em algumas alturas do Inverno, segundo dizem, e não olhando para a vegetação, quase que podemos dizer que faz frio e não estamos em Moçambique... Curioso é o facto de se prever a abertura de um casino ao lado do Hotel de eleição da vila. Cá como lá, ou vice-versa, a novela do casino parece não ter fim.
Dista cerca de 100 km de Maputo que se fazem facilmente devido ao bom estado da estrada de ligação. É um excelente passeio para descontrair e sentir alguma frescura... Ao longo do caminho, vamos encontrando vendedores de carvão e de pedra a que eles chamam de "pura"...
Vale a pena conhecer a Barragem dos Pequenos Limpompos e ver espelhado o céu bafejado de nuvens.. sem o incómodo constante das motos-de-água que nos azucrinam noutras paragens...
Ao longo de 8 horas pude ainda conhecer as povoações de Goba, Changalane, Mafuiane e Kulula...

À noite, ainda houve tempo para o reencontro com a minha família adoptiva: Pedro, Danila e Mauro, que me recebram, como sempre, de braços abertos. Antes de voltar a casa, uma ida ao Mercado do Peixe para comprar um exemplar de peixe vermelho...

16 de novembro de 2005

De novo em Moçambique


Shoane!

Este blog vai servir para partilhar os cheiros, as cores e os sons da Terra que agora me acolhe... Moçambique!

Acabo de chegar. Cumpro a promessa que tinha feito: "Hei-de voltar..."

No aeroporto, já não há a surpresa da primeira vez que aterramos em África e sentimos o bafo quente que nos assalta de rompante, mal pomos um pé fora do avião...

As formalidades à entrada também já não são surpresa, mas não deixam de irritar.. um pouco, sobretudo quando temos que esperar, esperar, depois de uma viagem de mais de 10 horas, entalados entre estranhos que teimam em dormir sempre virados para nós. E, depois de mostrar o passaporte, o ritual de recolher as malas, suspirando de alívio por as encontrar. Pior, só mesmo abrir as nossas malas, os nossos pertences, a um estranho que vai comentando, com um sorriso, o quanto arrumadas elas estão. Eu não deixei de retribuir com o meu sorriso...

E assim começa a minha nova experiência no país da Marrabenta!

P.S.: não deixem de passar os olhos por este excelente artigo brasileiro: http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2366,1.shl

ou por este livro de visitas de uma página pessoal sobre Moçambique:

http://homepages.sapo.pt/guestbooks/malhanga.com.sapo.pt/guestbook.php?displayBegin=195