31 de março de 2006

Cidade da Beira



Um dos prazeres deste trabalho é poder viajar e conhecer mais um pouco de Moçambique… sem ter que pagar. Desta vez, fui “obrigado” a voar para a Cidade da Beira, com uma agenda carregadíssima de reuniões e visitas.

Logo à chegada, a primeira surpresa: o aeroporto. De excelentes dimensões, comparável ao de Maputo, mas mais tranquilo. Antes de ir à cidade, estive algum tempo no Bairro do Régulo Luís, onde conheci algum pessoal da associação Trimoder e redesenhei a agenda de trabalho. Um bairro pobre, povoado de casas de cimento (poucas) e de madeira e zinco ou palhotas (a maior parte), perto do aeroporto e do Índico…

A chegada à cidade é acompanhada por um sentimento de deslumbre pelo traçado urbano relativamente moderno que, de alguma forma, ainda se vislumbra, apesar dos estragos ou da falta de manutenção.

A Cidade da Beira era conhecida pela sua importância económica no “tempo dos portugueses”, devido à sua centralidade estratégica (capital da Província de Sofala, na Região Centro, junto ao Índico) e ao seu porto e, mais tarde, também o seu aeroporto. O “Corredor da Beira” não ficava muito atrás do de Maputo, em importância económica; o seu porto era o mais importante, a estação de caminhos-de-ferro a maior (talvez mesmo de todo o império) do país/província; o seu traçado urbano estava ao nível do Primeiro Mundo…
Percorrendo o Posto Administrativo da Munhava... percebemos facilmente que a realidade é outra, bem mais difícil!

Com a independência e a guerra civil que se lhe seguiu, tendo a Beira como palco privilegiado e de vital importância político-militar e estratégica, o declínio foi-se instalando e tomando conta de edifícios e ruas, mas acima de tudo do orgulho e dos corações dos “beirenses”… assolados pela guerra, pela miséria e pobreza extremas, pelas cheias e períodos de seca (e agora até pelos sismos), pelo HIV/SIDA, pela cólera de tempos em tempos… e pela marginalização do poder central devido às suas simpatias por outras cores partidárias…

Pelas conversas que tive e pelo que fui observando nestes 3 dias, noto que há agora um lento emergir da cidade, administrativamente um município: o comércio floresce, os estrangeiros voltam, as condições sanitárias e de vida em geral melhoram… Teremos uma nova Beira dentro de poucos anos a acompanhar Nampula na concorrência saudável a Maputo?

Nestes 3 dias, pude conhecer algumas pessoas de que não esquecerei: o Sr. Trinta, o Sr. Ilídio e o Dr. Jorge; a Inês Brito; o Cedric Bernet, o Sr. Araújo (“Búfalo”), o Padre António… Mas, pude conhecer sobretudo gente resistente e cheia de esperança, onde a Beira, com as suas avenidas, praças, esplanadas, marginal, porto e praias não muito distantes tenham uma palavra a dizer no futuro de Moçambique. Sobretudo, porque esta cidade tem tantas crianças… (parecendo) tão felizes!

25 de março de 2006

Costa do Sol on fire

O apronto estava marcado para as 9h30. Consistia em juntarmo-nos na Av. Eduardo Mondlane, junto à Escola Primária 3 de Fevereiro, de onde seguiríamos para a Costa do Sol.
Depois dos atrasos habituais (coisa a que dificilmente me adapto e acomodo), conseguimos entrar em campo por volta das 11h45... Sim... 2 horas depois!
Entrar em campo, porque o que combinámos - eu e os activistas da Matola - foi precisamente uma futebolada na praia! Eu, o Tiago e a Clara de um lado; o Assimo, o Julinho e o Alberto do outro. Claro está, nem com as trocas entretanto registadas consegui vencer.
O calor era imenso e a água comia-nos o campo... Descansámos um pouco para retemperar as forças, até que chegam finalmente a Elizabeth e o Kevin (canadianos) acompanhados do Tom (inglês) que se revelam excelentes reforços!
A este grupo junta-se o Daniel, um dos moços que nos seguiam de perto acalentando a esperança de jogar. Grande reforço, este miúdo! Já antes tínhamos sido acompanhados pelo Vasco, o Joaquim e o Francisco que, para além de apanha-bolas, recriaram-se alegremente (sempre que possível) com a bola, esse objecto maravilhoso que o torna o Tempo um breve suspiro de felicidade...
Depois do esforço físico (não direi o resultado), juntámo-nos todos para um pic-nic à Costa do Sol: muita cerveja, shima e magumba (peixe) grelhada! Um grupo ao lado tocava e cantava.. logo começámos a descontrair. Claro está, os nosso amigos moçambicanos não perderam a deixa para dançar um pouco como só eles sabem fazer...
Deste lado, uma boa conversa com o Tiago, o Tom e o Kevin, todos com alguma ou muita experiência em ONGs... e histórias para relembrar!
Alguns outros moçambicanos, naquela sua foma descontraida de meter conversa e falar com estranhos, abordaram-me, apenas para me conhecerem. Foram eles, o Beto, a Fernanda e a Rehana. Ainda estranho estas aproximações, mas vou-me habituando!
Por volta das 16h30, estava de volta a casa... o trabalho não perdoa!

19 de março de 2006

Namaacha profunda...


Uma criança aparentemente frágil carrega o peso da injustiça do Mundo, a injustiça de quem não tem nada ou quase nada, de quem não tem tempo para brincar...

A vista é deslumbrante, o horizonte não tem limite, mas a esperança morreu há muito...

Um caminho côr de fogo que nos consome no vazio de chegar...


14 de março de 2006

Em busca do Bilene selvagem

De volta ao Bilene, sou surpreendido com uma proposta quase indecente: fazer campismo selvagem. Depois de muito amuar e rezingar com tanta ousadia (que colocava em causa a minha recentemente adquirida paixão pelo comodismo da hospedagem entre 4 paredes, se possível com ar condicionado...), lá me deixei seduzir...

Os 4 forasteiros atravessaram a lagoa de barco, com as suas mochilinhas de fim-de-semana, atravessaram o complexo do Girassol (seria a última oportunidade de os convencer, mas não cederam...) e chegaram ao lado de lá... para lá de coisa nenhuma...
Aos poucos, fomos sentindo que entrávamos em território inexplorado (pelo menos queríamos acreditar que sim...) e eis que Índico surge na nossa frente..

Apenas interrompido com alguns cabritos que teimavam contrariar-nos na nossa fé inabalável de sermos únicos...

Caminhávamos há algum tempo (ok... 40 minutos) quando encontrámos o nosso refúgio.. para pic-nicar e descansar... Vários banhos depois, algumas horas de sono reposto, pusemos mãos ao trabalho e montámos a tenda-maravilha.. Porquê? Porque é daquelas que se monta sozinha em 2 segundos... Sempre estávamos acompanhados de luxo... E eu com manias...

O jantar foi, como não podia deixar de ser, um grelhado de fazer inveja...

A pouca comodidade obrigou a madrugar... sobram as fotos do Nascer-do-Sol!

À partida, o olhar vago e perdido confirmava a saudade que se apoderava... voltaremos ao nosso ligar?

Nem que seja para fotografar os macacos que nunca deixaram de nos controlar à distância...




http://www.lostonearthfoundalive.blogspot.com/

6 de março de 2006

Um pouco de Nouvelle Vague


(feat. Camille, Nouvelle Vague)
(Orig.: Tuxedomoon)
In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing
In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words
Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything
In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrified
So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing.
Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything
Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything