31 de julho de 2006

O Poeta Vagabundo...

Sóbrio e Puro

Dei-vos cartas e rosas,
nunca me deram cartas e rosas;
apresentei-vos Beethoven,
nunca me apresentaram a ninguém;
dei-vos chocolates,
nunca me deram uma ameixa;
ao papá, dei-lhe versos,
deu-me um soco da última vez que o vi.
Ai! Vou procurar outra família, chega!
Só a poesia demora. Mas há um pacto entre nós: "sempre que estejas sóbrio e puro", disse-me ela aos 25 anos, "serei tua".
E eu não estou!
Tenho pouco dinheiro, poucos amigos - morrem com uma infidelidade quase descarada, e deixam-me cada vez mais só.
E não resisto a saber como estão os outros, a ir vê-los, antes que me deixem, também.
Sebastião Alba
(o poeta vagabundo)

30 de julho de 2006

Para ser grande, sê inteiro

Para ser grande, sê inteiro

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis (Fernando Pessoa)