31 de dezembro de 2007

Seguramente, a melhor frase do ano


"Querido filho, estás a cometer no Iraque o mesmo erro que eu cometi com a tua mãe: não retirei a tempo..."

Desejos para 2008

Presenciar uma Aurora Boreal no Ártico, experimentar um salto Tandem de 4000 metros, subir o Monte Kilimanjaro, ou caminhar pelas monumentais dunas de Sossusvlei, na Namíbia... Estes são alguns dos meus desejos para 2008. Vá lá, um ou dois, pode ser?

A minha foto de 2007


Foi em Abril, no ponto mais a sul de África, com um pé no Oceano Atlântico e outro no Oceano Índico, que conheci a região do Cabo. Esta foto foi tirada em Cape Agulhas e estes foram alguns dos mais belos dias de 2007... e de sempre!

30 de dezembro de 2007

Battle at Kruger

Este vídeo tem todos os condimentos para um filme/drama, mas com final feliz. São 8 minutos de adrenalina e suspense, de uma luta, mais do que maniqueísta, de sobrevivência, como são sempre todas as lutas na Natureza. É um vídeo para quem ama o Kruger, para quem ama partilhar breves momentos em que os animais nos permitem observá-los no seu habitat e aprender com eles a nunca desistir.

29 de dezembro de 2007

THE REFRESCOS - AQUI NO HAY PLAYA

Foram quase 2 meses a viver em Madrid. Uma cidade fabulosa, de fazer inveja. Como se pode atestar pela execelente reportagem desta semana no Courrier Internacional, é uma cidade que não pára de crescer e de se afirmar como um dos centros do Mundo! Guardo na memória a "movida", a efervescência cultural, com museus e centros culturais sempre cheios. Guardo uma noite a ouvir e a conversar com o galego e enérgico "Señor Bernárdez" dos The Refrescos. Já passam quase 20 anos deste "Aquí no hay playa", mas pelo que cresce Madrid, qualquer dia deixa de ser verdade!

Votos de Feliz 2008!

Desejo a todos o que desejo para mim: Amor, Saúde, Felicidade, Dinheiro e Conhecimento. A ordem fica ao critério de cada um...

Não deixem de ouvir:

The Pyramids, Sons and Daughters, Audioslave, These New Puritans, Los Campesinos, Peter, Bjorn & John, Zenttric, Bloc Party, The Arctic Monkeys, Deluxe, Editors, The Killers, Interpol, Tokio Hotel, Cold Play, Belle and Sebastian, dEUS, Franz Ferdinand, Kaiser Chiefs, Arcade Fire, The Libertines, Yeah Yeah Yeahs, Placebo, Smashing Pumpkins, Foo Fighters, Amy Winehouse, Radiohead, Rodrigo Leão, Thievery Corporation, Matthew Herbert, Air, Roisin Murphy, Sigur Roz, Lisa Ekdahl, Zero 7, Nouvelle Vague, Lamb, The White Stripes, Zita Swoom, De-Phazz, Wim Mertens, Morphine, Sonic Youth, Brian Eno, Rage Against The Machine, Pink Martini, Louise Attaque, Miossec, Clã, Rita Red Shoes, Sétima Legião, Blasted Mechanism, The Chemical Brothers, Beastie Boys, Ben Harper, INXS, L7, Pink Floyd, Joy Division, Maniac Street Preachers, PJ Harvey, Life, Yeah Yeah Yeahs, Yann Tiersen, Ali Farka Toure, Ryuchi Sakamoto, Divine Comedy, Elvis Costello, The Strokes, Ute Lemper, Moloko, St. Germain, Mesa, Muse, Goldfrapp, Pascal Comelade, The Gift, Moby, R.E.M, Breeders, Bjork, Damien Rice, Portishead, Blur, Pixies, The Velvet Underground, David Bowie, The Who, The Doors, Nine Inch Nails, Young Gods, Nirvana, Mudhoney, Pearl Jam, The Clash, Violent Femmes, Sex Pistols, Throwing Muses, Nina Simone, Buena Vista Social Club, Nitin Sawhney, Ennio Morricone, Dulce Pontes, Madredeus, Jorge Palma, Rádio Macau, Buraka Som Sistema, David Fonseca, Adriana Calcanhoto, Da Weasel, Caetano Veloso, Elis Regina, Maria Rita, Tom Jobim, Marisa Monte, Miriam Makeba, Ismael Lö, Lura, Cesária Evora, Nancy Vieira, Mayra Andrade, Tito Paris...

Chega?

Deixo-vos com algumas das canções de 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e anos seguintes...

Já agora, um link útil: http://www.madridmusic.com/

Interpol - Slow Hands

Editors - The Racing Rats

Editors - All Sparks

The Editors - An End Has a Start

Editors - Bullets

Editors - Bones

Smokers Outside The Hospital Doors - EDITORS

A melhor banda de 2007?

The Arcade Fire - Rebellion (Lies)

Para continuar a ouvir... sempre!

20 de dezembro de 2007

Morreu o Carlos Tembe


Volto a "postar" neste blog porque fui surpreendido com a notícia da morte de Carlos Tembe, o Presidente do Conselho Municipal da Cidade da Matola. De alguma forma, pelo seu trabalho à frente da edilidade, foi um dos responsáveis pela minha ida a Moçambique em 2003. Revi-o numa sessão de autógrafos este ano. Talvez seja cedo para o julgamento histórico, mas sinto que se perdeu mais um daqueles políticos que fazem realmente falta a Moçambique...

Carta do Autarca Jorge Antunes enviada por e-mail:

«Hoje quando pelas 17h de Coimbra, fui confrontado com a notícia que me chegou por telemóvel proveniente de Maputo, que o meu querido amigo Carlos Filipe Tembe, tinha sucumbido á lei da vida com apenas 44 anos, fiquei incrédulo. De imediato e também por telemóvel contactei o Dr. Nhabanga Auxílio, que infelizmente me confirmo a notícia, colocando em contacto com a Senhora Presidente da Assembleia da Matola que como pode, e grato lhe estou me tentou suavizar a realidade.

O meu querido Carlos, era licenciado em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa, tinha tido um primeiro percurso político na carreira diplomática e depois abraçou a o poder autárquico onde melhor entendeu que podia servir o seu Povo.

Eu, enquanto autarca, Presidente da Assembleia de Freguesia de Santo António dos Olivais – Coimbra, tive a honra de ser seu anfitrião aqui em Coimbra. E terminada a parte oficial ficou em minha casa o meu amigo Carlos, já sem as vestes oficiais, de representante da Matola o Dr Carlos Tembe.

Mas a minha relação, com o Carlos não era nem por sombras meramente institucional, partilhamos o mesmo gabinete no então LNETI, estivemos juntos eu enquanto jurista no apoio á realização da Expo – 98, e ele dentro da sua área do saber.
Partilhei com ele a sua dor quando perdeu um irmão, com malária cerebral.
Passei noites com ele vagueando pela noite de Lisboa, enfim ainda agora partiu, ele que acreditava que partiria um dia para o grande oriente eterno, mas certamente que não acreditaria que a cadeia partiria tão cedo, mas partiu,” a cadeia está partida” e o Carlos já não responde.

Hoje, já revi as muitas fotos que tenho em conjunto com ele e só dele.

Carlos, estive contigo quando perdeste o teu Pai, que tive o ensejo de conhecer tão distinto cavalheiro, estive contigo quando perdestes o teu irmão. Mas hoje fui eu quem perdeu um “irmão” e não te tenho comigo para me apoiares, quando em 2000 tive o primeiro enfarte quiseste que fosse para a Matola descansar, hoje és tu que descansas e eu tive que avisar os nossos amigos, se m consegui conter as lágrimas, Carlos estás para sempre nos nossos corações e te JURO que tudo faremos para honrar o teu nome e os teus prepósitos.

Descansa em Paz meu amigo meu Irmão

Jorge Antunes »

19 de dezembro de 2007

De volta...

Não o previa tão cedo, mas parece que lá para finais de Janeiro estou de volta!

As voltas que a Vida dá...

14 de outubro de 2007

Parabéns!

É sem dúvida o meu pé preferido e o mais belo do Mundo!

Foto tirada um dia antes de vermos as nossas vidas cruzadas...

Parabéns pelos teus... não posso dizer... anos de uma vida com tanto para dar e que durante este ano transformou a minha para sempre. Juntos ou não, já posso dar-me por feliz por ter vivido e sentido contigo o que mais desejava (desejo) na minha vida... Fizeste-me feliz à tua maneira... Obrigado meu Amor!

14 de setembro de 2007

Aí está mais um DOCKANEMA!

"Maputo acolhe a segunda edição do festival de cinema documentário.

A capital moçambicana, acolherá de 14 a 23 de Setembro a segunda edição do festival internacional do cinema documentário, «Dockanema», que contará com a participação de vários realizadores portugueses.


Durante o evento, serão apresentados os filmes Doutor Estranho Amor, de Leonor Areal, 25 de Abril uma aventura para a democracia, de Edgar Pêra, e Esta Televisão é a sua, de Mariana Otero.Também serão projectadas as películas Margens e Fragmentos Entre Tempo e Anjos ambos do realizador português Pedro Sena Nunes, além de Cartas de Amor, de Inês de Medeiros e A Noite do Golpe de Estado de Ginnete Lavigne, que conta a história da revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal. O festival terá como figura de cartaz o filme Ngwenya, o Crocodilo, que retrata as novas e desconhecidas dimensões da personalidade do mestre das artes plásticas moçambicanas Malangatana Ngwenha, bem como os Hóspedes da Noite, do moçambicano Licínio de Azevedo.

Será exibida ainda a célebre obra Bamako, do realizador Abderrahmane Sissako, do Mali, que é um dos convidados de honra e que irá abrir o festival. Um comunicado da organização indica que além dos filmes de diferentes origens a serem projectados também ao ar livre em 16 bairros da área de Maputo, o Dockanema apresentará um fórum, uma série de seminários e painéis, com vista «a estimular o debate em torno de assuntos pertinentes à arte e técnica da produção do cinema documentário». A mesma nota refere que se pretende aproveitar a presença em Maputo de realizadores e profissionais de cinema de renome neste encontro, descrito como uma «oportunidade para os cineastas locais e regionais ampliarem os seus conhecimentos, competências e contactos profissionais». «Os objectivos expressos pelos organizadores e parceiros do Dockanema são de divulgar o cinema, em particular aquele que vem de África, de promover a produção moçambicana, e de mostrar o papel importante do documentário - o cinema da participação do cidadania - na formação duma nova geração educada e preparada para se envolver mais na sociedade, para ser mais cidadã», justifica a organização do festival.

Também estarão patentes documentários de duas mulheres zimbabueanas, «muito diferentes e activistas contra o HIV/SIDA» e «protagonistas corajosas» do filme Growing Stronger (Mulheres de força), do realizador Tsitsi Dangarembga. O filme aborda o dia-a-dia de duas mulheres de estatuto social diferentes, que usam a sua experiência com a doença como um fórum para a educação pública e a consciencialização, lê-se no mesmo comunicado. As protagonistas do filme, Tendayi Westerhof e Tsitsi Dangarembga também estarão presentes em Maputo, para participarem num debate público sobre a luta contra o estigma e a discriminação de pessoas portadoras do vírus do Sida."




Para mais informações: http://www.dockanema.com/


Parabéns Pedro! Parabéns Paola e Jaime!

6 de setembro de 2007

Praia do Wimbe

Tem nome de “Uau!”, não tem? Quando dizemos “Wimbe”, não dá logo vontade de o repetir histericamente, como acabássemos de dar uma daquelas mais altas que o Evereste? Pois... mas não me apetece escrever sobre as maravilhas de estar no Dolphin e dar um mergulho logo em frente para ver corais...

O cenário difere um pouco, mas o contexto é sempre o mesmo. Lugares turísticos com estrangeiros mais ou menos endinheirados. Seja na Julius Nyerere de Maputo, na Baía dos Côcos ou no Tofo, na Ilha de Moçambique ou do Ibo, aparecem-nos estas crianças de rostos lindos, sorrisos contangiantes e olhares meigos. Uma mistura de carência de afecto e tentativa de reconstrução de uma infância mal vivida, desnutrida, eterna, com uma perda de inocência que nos atropela e assusta, na partilha comum das piores das malícias. Tanto nos solicitam um pouco de atenção e uma mão dada, como de seguida nos assaltam, de forma literal ou na forma tradicional da mão estendida, acompanhada de uma inequívoca frase: “Tenho fome”, “Estou a pedir” ou “Peço 5... ou 10”...

Por vezes, têm algo para dar em troca, como um colar, fruta, castanha de cajú, uma dança, ou apenas o seu sorriso... Muitas vezes, não têm mesmo nada que trocar. Só a temível certeza que também eles, como grande parte dos adultos, de todas as classes, estão corrompidos pela preguiça, por todos os danos colaterais e directos da Pobreza (absoluta e relativa) que minaram várias gerações (futuras também) acomodadas ao acto de pedir. A nós brancos, todos iguais, que somos ricos e temos tudo, na óptica deles, se calhar correcta. E temos a obrigação de lhes dar. Aos portugueses, para além de pedir, há que extorquir, não sei se por decreto, como se assim se pagasse uma dívida que os nossos antepassados (que também são os de muitos dos moçambicanos que nos “cobram”) deixaram acumular e que sempre cresce, nunca é perdoada.

Pobreza e corrupção são indissociáveis e quase não nos parecebemos onde começa uma e termina a outra. É tranversal nesta sociedade e adquire diferentes tonalidades, umas mais directas, outras mais subtis. Mas, desde o Presidente 24/20 (com as suas participações em pelo menos 23 grandes empresas – incompatibilidade, quê?) ao miúdo que pede na rua, muitos são os que estão enlameados pela corrupção mental que os nega enquanto seres humanos.

Enquanto o lema deste país for pedir e parasitar a todo o custo, dificilmente alguma estratégia de desenvolvimento (lhes) sobreviverá... neste país necessariamente tido como o bom aluno, o exemplo conveniente para a ajuda pública ao desenvolvimento, que esconde os interesses nas riquezas redescobertas...

Poderei algum um dia avistar daqui do Dolphin algum poço offshore de exploração petrolífera?

5 de setembro de 2007

De regresso...

De volta à escrita em viagem, em trânsito, sozinho. De volta a Pemba. Um velho hábito agora retomado, de forma intermitente e tímida. A última vez foi no Intercity Plus entre Roma e Napoli, em Dezembro. Era um hábito que servia sobretudo para aproveitar as horas mortas e descarregar, quer fosse na interminável viagem de expresso entre a Marinha Grande e Braga, quer fosse nas curtas viagens de comboio entre a primeira e a Figueira da Foz, ou mais tarde entre Lisboa e Santarém. Escritas esporádicas. Desabafos. Auxiliares de memória. Ideias de escrita. Frases soltas. Versos que nunca chegaram a ser poema...

Agora é a vez deste cansado Boieng 737 da LAM me levar em 2h30m até à capital da Província de Cabo Delgado. Outra vez...

Aproxima-se a partida deste país. Até que enfim, repetirei nas próximas semanas a mim mesmo, estou certo, convencido que vou para algo de melhor, que tudo tem um fim e o seu tempo próprio. Que esta foi só mais uma etapa, uma experiência como abusivamente lhe chamamos. Faltam algumas semanas (mais do que as que tinha previsto), mas já sinto a aproximar-se o fechar de um ciclo profissional e pessoal, em que já nada será igual. É um alívio, ao mesmo tempo, sem dúvida! Não que isto tenha sido tão mau assim, antes pelo contrário. Foi um teste à minha capacidade de sobrevivência, sobretudo de mim mesmo. Foi uma prova de resistência.

É um alívio, porque creio sair no momento certo. Profissionalmente, porque já chega de gerir o caos e devo ser mais exigente comigo mesmo e não é aqui que vou encontrar o que procuro. Como diz a criatura "sinistra" (que por acaso tem nome e chama-se Joe Berardo), "quando nos apercebemos que tudo depende de nós para funcionar, é porque está na altura de sair"... Pessoalmente, porque Moçambique desconcertou-me o suficiente para precisar agora de planar noutras paragens e perceber se esta agitação e inquietação são apenas "side effects" da experiência africana ou algo mais...

Fazer estes 3.000 Km até Pemba (que equivalem a um vôo entre Lisboa e Copenhaga) é como engolir de um trago só um país inteiro, tão farto, lindo e cheio de contrastes, mas ao mesmo tempo já tão único e uno (creio)... É claro que aqui de cima, nas nuvens, não interessa nada, porque não o conhecemos de verdade, não sentimos os cheiros, não vemos as cores, não tocamos... Mas, a violência de quase três horas para ir de uma ponta a outra no mesmo país é suficiente para sentirmos e entuirmos da sua enorme existência como tal e nos absorve por completo.

Não sei se é despedida, mas este regresso a Pemba, ao Ibo, às Quirimbas, o último abraço ao pessoal da Médicos del Mundo - España (Viola, Fernand, Nico e Marina) e da Fundació Ibo (Luís e Isabel), já vem carregado de saudade. Já sinto a falta que este país me vai fazer, afinal, dentro de uns meses. As suas cores, cheiros e sabores. As suas mulheres, "pedaços de mau caminho", mistura na exacta medida e proporçãao de africana, árabe, indiana e portuguesa, que nos provocam com olhar felino e corpos "provoquentes". Os seus sabores (os de Moçambique agora) de fruta, do marisco e peixe, da sua cerveja (tem dias - hoje gosto de todas, mas a Manica e a Laurentina, à sua maneira, não se esquecem). Os sorrisos contagiantes... quando não são movidos pela corrupção mental que a pobreza produz. A sua música. Que saudades vou ter do João Paulo, do Carlitos Gove, do Jorge Domingos e do Maculufe juntos no Gil Vicente, ao sábado à noite... Dos
Timbila Muzimba e dos Kakana. Dos inúmeros concertos de música tradicional, de marrabenta, de afro-jazz, de blues, de fusão, de reggae no Shima, no Gil, no CCFM, no Núcleo de Artes (um beijo, Tina), no África... Das excelentes exposições de pintura, de fotografia e de escultura que por cá se fazem. Das sessões irreverentes (e quase expontâneas) de poesia. Do teatro e da dança. Das expressões peculiares mas deliciosas que ouvimos todos os dias: "Ainda...", "Estou maningue busy", "Está full", "É láaaaaaaaa", "São duas horas de tempo", "Há-de vir", "Não tem problema", "Afinal!?", "Não é?!"... Que saudades vou ter das conversas e da forma simples como, sem maneirismos e vaidades intelectuais, nos levam a descobrir diferentes maneiras de ver o mesmo.

Apesar de ter posto os pés em todas as províncias, de ter estado em tantos sítios, muitas vezes repetidos, não cheguei a conhecer as cidades de Chimoio, Tete e Lichinga, realmente. Não fui a Bazaruto. Não percorri o Parque Nacional do Limpopo. Não fui ao Lago Niassa. Não cheguei a subir o Monte Namuli, no Gurué. Não fui a Cahora Bassa. Não conheço a costa da Zambézia (nem tantos dos 3000 km que esta tem). Não andei de comboio. Não tantas outras coisas... Talvez fiquem para uma próxima vez. Guardo, no entanto, cada centímetro de terra que percorri e todas as suas memórias, nem sempre fotografadas. A maior parte do que ingeri ainda está por digerir e por isso não transmiti (descrevi) ainda... É uma amálgama de imagens e de sentimentos ainda por ordenar, por arrefecer e daí retirar o que tem realmente importância. Daí retirarei as lições que farão de mim o Homem a que quero chegar antes de morrer...

Os momentos maus, de enorme stress e desgaste, de frustração por tentar mudar o que é imutável, de desilusão, de perda e de vontade de desistir foram obviamente muitos... Quase 2 anos depois, muita ingenuidade e ilusão se perderam, quem sabe irremediavelmente. Mas, isso é o crescimento forçado a que África, mas sobretudo o (per)curso normal da vida, nos obrigam, desde que não estejamos enclausurados num mundo que julgamos ser aquele que apenas alcançamos a olho nú... E ainda bem que é assim, pois entre o importante e o acessório, a distância já não é tão ténue.

Na primeira vez que cá estive levava na bagagem a certeza que voltaria. Agora creio levar o mesmo “mal”. Quando? Não importa... Tudo o que levar, por agora certezas, só o tempo lhe dará a sua verdadeira face, essência e dimensão. É deixar seguir e estar descansado, porque o que é para vir a seguir, “há-de vir”...

4 de setembro de 2007

Só com portugueses não vamos lá…


Este título é baseado na resposta dos Gato Fedorento aos cartazes desse partideco de extrema-direita que, há uns meses, espalhou por Lisboa umas mensagens anti-imigrantes, estupidamente no sentido inverso do evoluir e pulsar de um Mundo que cresce e se desenvolve na exacta medida em que é mais tolerante e promove o talento daqueles que ousam pensar de forma diferente e progressista.

Nos quase dois anos que levo de Maputo, para além de, obviamente, poder ter uma ideia um pouco mais aprofundada dos moçambicanos de hoje – alguns dos seus costumes e idiossincrasias próprias, virtudes admiráveis e defeitos absolutamente insuportáveis e (surpresa?) incrivelmente stressantes – julgo ser melhor conhecedor também dos próprios portugueses, assumindo o risco redutor da generalização…

Estou convicto que a(s) comunidade(s) portuguesa(s) em Maputo têm todas as características para servir de case study. Existem diferentes portugueses por aqui: diferentes maneiras de estar na vida, valores, ambições, posturas face ao outro em geral e aos moçambicanos em particular.

Mais especificamente, tive oportunidade de conhecer portugueses como eu, com menos ou pouco mais de 30 anos, formados, com acesso (supostamente) privilegiado a informação e conhecimento, mais ou menos bem identificados e integrados neste contexto, com mais ou menos consciência das razões de estar aqui e do que fazer entretanto…

Conviver com portugueses fora de Portugal é a melhor maneira de nos conhecermos. Talvez seja porque usufruimos do efeito comparativo ou talvez seja porque apuramos as nossas características identitárias fora do habitat natural. Talvez sejam as duas coisas. Como já é a minha segunda experiência duradoira fora do país, qualquer tipo de reflexões e constatações nesta matéria não é surpreendente, antes pelo contrário. Não me admiram, por isso, alguns comportamentos típicos lusos de mesquinhez, inveja, provincianismo, interesseirismo, intriga, enclausuramento mental e físico, alguma falta de valores e de educação, independentemente das habilitações e/ou origem social, que grassam nesta geração, por algum motivo apelidada de rasca. Tenho pena, mas, como tenho também por lema não perder tempo com quem não me interessa estar, é quase como mudar de canal de televisão e escolho estar com quem posso aprender e desfrutar de forma tranquila e sem preconceitos… sendo ou não portugueses.

Grande parte deles têm um blog. Alguns até estão com uma boa escrita (entre o filosófico e o intra-pessoal); mas, na sua maioria, não passam de uma espécie de diário fútil de viagens e fins-de-semana (sempre aos mesmos sítios turísticos), em que supostamente tentam demonstrar aos outros e a si mesmos que vivem em busca do autêntico, da África profunda e que vivem uma vida absolutamente excitante (do género tirar fotografias a pratos com camarão), embora sejam também os mesmos que têm medo de fazer 200 metros a pé na avenida mais cosmopolita de Maputo... e que passam a vida a dizer mal dos moçambicanos e dos pretos em geral...

O que me preocupa é que estes portugueses são os mesmos que, mais tarde ou mais cedo, consoante os seus projectos individuais e o papel de Moçambique nas suas vidas, com os seus recentemente adquiridos tiques burgueses de novos-ricos ou neo-colonialistas, habituados a sentirem-se mais habilitados que os demais (devido ao baixo nivelamento que serve de comparação), voltarão a Portugal (muitos não, pela falta de emprego) para aí prosseguirem com as suas por ora brilhantes carreiras profissionais, que julgam ser mais valorizadas pelo efeito automático da chamada experiência-limite africana… Puro engano, mas deixem-nos sonhar!

O Mundo de hoje, no século XXI, é o das chamadas sociedade e economia criativas e constrói-se a partir do domínio de três elementos-chave: tolerância, tecnologia e talento. Já não vivemos num mundo em que o poder está na terra e saímos agora de um mundo em que o poder está (estava) no domínio do combustível. Hoje o poder est(ar)á sobretudo no domínio da informação e conhecimento e do seu uso de forma criativa. Ou seja, o mundo é cada vez mais daqueles, estes cada vez menos, que inventam e produzem mais (não da maneira “fordiana” de produção de massas, com recurso a mão-de-obra especializada, mas no intuito de diferente e melhor), concentrados em ilhas tecnológicas, cosmopolitas, urbanas, onde o inglês assume preponderância, com hábitos culturais e mundanos semelhantes, como são as cidades de Nova Iorque, Los Angeles, Londres, Sidney, Amesterdão, Paris, Tóquio e poucas mais…

O que têm estas cidades-ilha de diferente, então, para além de serem fiéis depositários de conhecimento e de criatividade no Mundo? Precisamente a palavra “diferente”! Têm dentro de si a tolerância para acolher, integrar e incluir diferentes culturas, daí resultando uma maior apetência para o talento ao serviço da técnica, da criatividade, do bem-estar, das ideias, do progresso, em suma.

O reverso da medalha é que são ilhas cada vez mais distantes (por vezes até dentro de si) de uma massa esmagadora cada vez mais numerosa (com a qual talvez a Cooperação para o Desenvolvimento tenta fazer uma ponte ou segurar num último esforço para não deixar cair no precipício - é uma ideia ingénua, bem sei, mas ainda há quem dentro desta o queira fazer realmente), onde imperam a pobreza, a doença, a fome, a ignorância e, precisamente, a intolerância – esta alimentada e potenciada por elites políticas e/ou religiosas que dai retiram os seus dividendos convenientes e oportunistas. Estas ilhas de tolerância e criatividade geram precisamente contra si fenómenos (fundamentalistas) de desprezo, de ódio, de inveja e de retrocesso ideológico e de valores. À medida que se desenvolvem, deixam de ser acompanhadas e compreendidas por uma classe política retrógrada nas ideias e na compreensão da sociedade, conservadora nas soluções e reformas e fraca ao nível das decisões e liderança, quer à esquerda, quer à direita. À esquerda, porque não encontra novas formas de se reinventar e progredir, na fase pós-industrial ou pós-moderna, e se confunde na prática do poder com aquilo que diz combater (se é que sabe exactamente o que combater). À direita, porque tende a desenterrar através da máquina do tempo os valores da família, da vida humana, do nacionalismo para as suas batalhas, sem programa coerente e consistente, através do abuso de canais populistas e dogmáticos que a desacreditam irremediavelmente.

O reverso da medalha é sem dúvida este: quem não estiver aí incluído (sociedade e economia criativas), não sobreviverá. Não digo que tenhamos que pertencer àqueles que criam, pois nem todos nascem com o talento ou têm a oportunidade de o potenciar. Não digo que quem pertence às “classes” (termo tão em desuso, não?) da produção e dos serviços, não terá hipóteses de sobrevivência. O que digo é que estar fora dessa sociedade dita criativa é auto-excluir-se de um Mundo melhor.

Este não é, porém, um conceito geográfico, apesar de estar associado às típicas antinomias e dicotomias Norte-Sul, Ocidente-Oriente, entre outras. Não obriga a que tenhamos que estar localizados numa grande cidade cosmopolita como Londres, de estar na Europa ou Estados Unidos da América, de sermos europeus, americanos, africanos ou asiáticos, de sermos cristãos, muçulmanos, judeus ou coisa nenhuma.

Este é (a inclusão na sociedade criativa), para mim, sobretudo um conceito (ou será um paradigma?) ligado ao acesso permanente que temos à informação e ao conhecimento e como, com a nossa criatividade e talento, fazemos deles uso, de forma dinâmica e auto-rejuvenescedora. Se os usamos para trabalhar num laboratório de alta tecnologia num país desenvolvido, ou se os usamos ao serviço de uma comunidade africana com práticas (ainda) “neolíticas” é indiferente. Interessa, sobretudo, a meu ver, o grau de abertura aos novos conhecimentos e ideias que proliferam, de forma permanentemente crítica e construtiva, que possamos usar ao serviço de um bem comum, adaptado a um determinado contexto e/ou processo de desenvolvimento.

Ora, observar estes portugueses tão novos que se julgam detentores de um conhecimento eterno, só porque é incomparavelmente melhor, no presente ou num determinado momento, ao dos moçambicanos com que se (des)relacionam no dia-a-dia, é como olhar para o um qualquer navio segundos antes de embater num iceberg, desculpem-me a imagem.

É observar como um conjunto de pessoas razoavelmente formadas se auto-convencem de uma superioridade fictícia sobre “esses” e “eles”, os moçambicanos metidos num mesmo saco, apenas porque estão temporariamente deslocalizadas de um contexto mais exigente que aos poucos deixam de acompanhar, de forma acomodada e passiva, confrangedora para as suas inteligências e adivinhadora de maus prenúncios para a sua evolução enquanto seres humanos de hoje e de amanhã.

Acordem, sejam humildes e tolerantes para aprender e conhecer os que vos rodeiam e não se acomodem a um conhecimento que já não serve e todos os dias se distancia da realidade que nos ultra(tres)passa! Se não, quando se derem conta, já não diferem muito daqueles que em Lisboa rejeitam os imigrantes e rejeitam por isso a sua própria sobrevivência…

26 de agosto de 2007

Ai simplex! (última crónica de EPC)



"Há momentos em que nos damos conta de que o Simplex, essa excelente e meritória iniciativa concebida por Maria Manuel Leitão Marques, está a funcionar, mas há outras em que choramos pela sua ausência, na expectativa de que um dia, não demasiado longínquo para a nossa esperança de vida, chegue. Dei-me conta disso ao acompanhar e mesmo participar no processo de legalização em Portugal de alguém que trabalha em minha casa há já algum tempo, e que, pelas suas capacidades profissionais, e sobretudo pelas suas qualidades humanas (como pude comprovar em período recente da minha existência) é pessoa de quem é fácil gostarmos: a brasileira Maria Nágila Bezerra, pessoa de permanente bom humor, que ri mesmo quando conta as mais terríveis tropelias a que possa ter sido sujeita.


Sucede que há algumas semanas atrás começou a não aparecer ou a chegar mais tarde. Não se tratava, como vim a saber, de deambulações existenciais por montes e vales, nem mesmo de acessos místicos, mas antes de razões infelizmente mais prosaicas: ia ao SEF. Rapidamente descobri que se tratava do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. E pude compreender que o modo de funcionamento desta instituição nem sempre teria aquela perfeição que nós desejaríamos para um serviço público em área tão sensível como esta. Comprova-se que, se por vezes encontramos funcionários amáveis e colaborantes, desejosos de nos facilitar a vida, outras há em que nos confrontamos com pessoas stressadas e amarguradas pelo amarelo das paredes e os dramas conjugais para os quais quase nunca contribuímos mas de que pagamos as implacáveis consequências. Para ir ao SEF, a Nágila levantava-se antes de o Sol nascer para se deslocar de Alverca até Lisboa, onde, às portas do SEF, se organizava uma fila imensa de pessoas que esperavam cinco e seis horas para serem atendidas. E quem as atendia? Gente zangada com a vida que parecia ter uma especial volúpia em criar dificuldades: incapazes de explicarem tudo o que as pessoas precisavam de levar, incapazes de perceberem que as pessoas que atendiam tinham certas limitações na compreensão dos mecanismos burocráticos portugueses, descobriam sempre mais papéis que faltavam, o que obrigava a recomeçar tão exaltante peregrinação.


Tenho à minha frente o papel que acabou, ao cabo de porfiados esforços, por lhe ser dado e que, num português em que "há menos" se escreve "à menos", se intitula "Renovação de Autorização de Permanência Temporária para Trabalho subordinado", esclarecendo-se, para consolo das nossas almas, que é ao abrigo do art. 217, n.º 1, da Lei 23/207 de 04 de Julho. Que é preciso? Um passaporte válido, um comprovativo das condições de alojamento (contrato ou atestado da Junta de Freguesia), declaração do IRS e cópia da nota de liquidação relativa ao ano fiscal anterior, contrato de trabalho e declaração actualizada da entidade patronal a atestar o vínculo laboral, declaração da Segurança Social regularizada a confirmar os descontos efectuados, requerimento em impresso de modelo próprio (www.sef.pt) e duas fotografias. Com todas estas tarefas, por sucessivos dias, a Nágila deixou de aparecer. Andava por Alverca e Lisboa à procura de papéis - belo ideal de vida. Única vantagem: aprimorei a minha capacidade de fazer camas. E vou melhorando noutras tarefas domésticas."
Público, Domingo (26-08-2007)
A Academia, a Cultura, a Política, o Jornalismo e Portugal ficaram mais pobres ontem. Vamos ter saudades desta companhia quase diária...

21 de agosto de 2007

Links interessantes

Aqui vão as sugestões da minha mana para navegar pela net e descobrir sempre ideias novas e ousadas:

* Blog da Ana (uma amiga)

www.cicio.blogspot.com

E ainda...

* poema de pablo neruda sobre os gatos:
http://www.geocities.com/mendesrl/Neruda.html

* allmusic (deves conhecer)
www.allmusic.com

*ideoteca (música)
www.ideoteca.blogspot.com

*alta fidelidade (música)
http://top5records.blogspot.com/

*maggie taylor (fotografia que parece pintura de sonhos)
http://www.maggietaylor.com/indexframe.html

*berenika (uma fotógrafa de mão cheia)
http://www.altphotos.com/Gallery.aspx?&a=MemberGallery&memberid=2241

*mistério juvenil (as músicas e bonecos da nossa infância!)
http://www.misteriojuvenil.com/

*dicionário de termos literários
http://www.fcsh.unl.pt/edtl/index.htm

*rolling stone (a mítica revista americana de música)
http://www.rollingstone.com/

*billboard (mais ou menos a mesma coisa que a rolling stone)
http://www.billboard.com/bbcom/index.jsp

Obrigado Mana!!!

20 de agosto de 2007

Parabéns Beira!

Comemora-se hoje o 100º Aniversário da Cidade da Beira.

Neste ano de centenário, a Médicos do Mundo - Portugal arrancou com o Programa de Combate ao VIH/SIDA na Cidade da Beira - Projecto Tinokara Tonncene, o que em língua sena quer dizer "Estamos juntos", através de um co-financiamento do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD).

Este programa visa, em articulação directa com a Direcção Provincial de Saúde de Sofala, a Direcção de Saúde da Cidade da Beira e o Centro de Saúde da Munhava, melhorar a qualidade e prolongar a vida das PVHS no Posto Administrativo da Munhava (5 bairros), aumentando o número de PVHS com acesso a cuidados primários de saúde.

Pretende-se, no futuro, alargar (mais zonas de intervenção e maior número de beneficiários) e aprofundar (nomeadamente no âmbito da melhoria das condições sócio-económicas e psicossociais das PVHS) o actual programa no intuito de dar uma melhor resposta nesta Cidade, em que se registam os piores índices de seroprevalência em Moçambique.

A Médicos do Mundo - Portugal em Moçambique abraça a Cidade da Beira neste dia e neste ano com uma equipa local de 18 elementos, que assim se juntam a todos nós que, em Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor-Leste lutamos todos os dias contra todas as doenças...

Parabéns Beira!

Parabéns Médicos do Mundo - Portugal


Vasco Coelho

20 de julho de 2007

Anedota?

Conta-se por aqui, em jeito de anedota, que um certo dia alguém perguntou a um antigo Presidente por que tinha 12 ministros no seu Governo. O Presidente respondeu que Jesus Cristo também tinha 12 ajudantes... Uns anos mais tarde, com um Governo de 40 ministros e vice-ministros, fizeram a mesma pergunta ao Sr. Presidente e a resposta foi idêntica: "Ali Babá também tinha 40 ajudantes"...
Já agora, é tentar arranjar o livro da colecção "As Sobrinhas da Bruxa Onilda", da editora Scipione, onde ficamos a saber muito sobre esse tal de Ali Babá...

17 de julho de 2007

União Ibérica, por supuesto!

Por causa da recente entrevista de Saramago ao Diário de Notícias, no dia 15 de Julho, voltou-se a debater uma questão que há séculos divide intelectuais e políticos de Portugal e Espanha: a união destes dois estados. No Século XIX e durante a Primeira República, chegámos a ter debates acesos (com trocas de cartas, artigos de opinião nos jornais da época, publicação de ensaios e de livros) sobre esta matéria, o que esmoreceu com os fascismos dos dois lados da fronteira. Com os processos de democratização e posterior entrada na CEE, actual UE, esta questão passou a ser quase um tabú e, até mesmo, ridicularizada, motivada por traumas e fantasmas poeirentos com séculos de rivalidades pelo meio (fomentadas por conveniências políticas próprias de um país pequeno). Passou mesmo a ser considerado um debate menor e delirante e quem levantasse (ousasse levantar) a questão, não deixaria de ser tratado como um senil ou demente, como agora é tratado Saramago. No entanto, no plano académico, esta questão nunca deixou de ser debatida e aprofundada, pois com o fim da II Guerra Mundial puseram-se em marcha extensos programas de integração de espaços regionais (com fins sobretudo económicos), como é exemplo a Europa.
Esta nossa recusa em debater a questão tem que ver, na minha opinião, com a dificuldade permanente de distinguir integração com perda de soberania e desaparecimento de um país que sempre esteve entalado entre o mar e esta potência "irmã e inimiga".
Temos vários tabús sobre a nossa identidade tão esquizofrénica, tão bem analisada por Eduardo Lourenço e outros que apontam a aparente coexistência entre sentimentos de superioridade sobre os demais com sentimentos e complexos de culpabilidade e inferioridade que resultam num atavismo paralisante e bacoco da sociedade portuguesa. Poderia dar inúmeros exemplos, mas muitas vezes, aqui em Moçambique, convivo com dois mitos de suposta desculpabilização nacional - a qualidade da TAP e a colonização portuguesa - cuja discussão pode cair em tabú se for abordada por estrangeiros. São os mais fáceis que me ocorrem:
Mito 1: a TAP (conhecida entre os estrangeiros como "Take Another Plane"), tem obrigação de prestar um melhor serviço nos vôos para Maputo e não nos podemos sentir ofendidos se é um estrangeiro que o diz, e não é um português a dizê-lo. Pelo contrário, isto devia obrigar-nos a reclamar melhor serviço desta companhia nacional, que fica aquém de muitas das suas congéneres europeias, ao nível de parâmetros de qualidade (pontualidade, simpatia, conforto, etc.), pelo menos neste vôo específico.
Mito2: o colonialismo português não foi o menos mau, como nos fazem crer. Aliás, também os ingleses, franceses, espanhóis, etc. têm essa crença que os seus "colonialismos" foram os menos maus. Enfim, trata-se de uma questão de psicologia social e colectiva, em que os povos são instrumentalizados pelos seus governos para, permanentemente, se desculpabilizarem, de um modo quase autista. Independentemente de todos os factos concretos do processo de descolonização, do seu contexto e dos seus intervenienentes, que eu obviamente não posso analisar por falta de informação suficiente, é líquido que a administração portuguesa não preparou convenientemente quadros moçambicanos para tomarem conta do país. Não discutindo as razões, os constrangimentos impostos, os traumas de todo o processo, não deixa de ser um facto que, quer em Moçambique, quer em Angola, não houve a melhor (e aqui estou também a desculpabilizar de alguma forma com esta ligeireza no trato) integração das gentes locais nas empresas e administração portuguesas, durante o período colonial.
Mas, voltando à questão inicial, tudo isto, sem que tal constitua qualquer novidade, faz-me olhar para esta entrevista de Saramago como uma revista de algumas ideias federalistas pelas quais há uns anos tanto me entusiasmei e me fizeram mesmo a frequentar alguns módulos do Colégio Federalista de Aosta. Preocupava-me sobretudo a ideia de uma Europa, como espaço de estados federados. Enfim: a clássica ideia da construção dos grandes espaços: a cultura grega e o estoicismo; a ordem romana e a procura do império; da moral cristã à res publica christiana, o sacerdócio contra o império; Carlos Magno e Otão, o Grande; os projectistas da paz: Pierre Dubois, Jorge da Boémia, Sully, Éméric de Crucé, Leibniz; os projectos pacífico-humanitários; o humanismo cristão e a neo-escolástica; o Império de Carlos V; Coménio; William Penn; o jusracionalismo humanitarista; Abade de Saint-Pierre; Rousseau; a sociedade das nações de Kant e outros projectos de paz perpétua; a Revolução Francesa e as repúblicas irmãs; Napoleão e os reinos irmãos; o Congresso de Viena e a Santa Aliança; o projecto de Saint-Simon; Mazzini e a Jovem Europa; a república ocidental de Comte; o Pacifismo republicanista; Vítor Hugo; Lemmonier; A emergência do federalismo; Proudhon; o projecto de Renan; o europeísmo do internacionalismo liberal; a “Pan-Europa” (1923), o movimento pan-europeu de Coudenhove-Kalergi e o I Congresso Pan-Europeu (1926); Aristide Briand; o relatório de Alexis Léger; etc., etc., etc...

Por isso, quando olho para esta entrevista, insiro-a obviamente num contexto de discussão secular (por ora apenas adormecida e instrumentalizada), em que, à semelhança dos debates em relação ao conjunto do espaço europeu e aos seus vários modelos de integração, também a possível união ibérica merece toda a atenção, enquanto debate de ideias, tão válido como qualquer outro que implique transformações e mudanças significativas no percurso da nação portuguesa. Os argumentos a favor e contra devem ser vistos num plano de igualdade e não com o sentido ridicularizante com que por vezes a questão é tratada, como se não valesse nunca a pena discutí-la, só porque uma classe de intelectuais se acha no direito de achar que a resposta já está encontrada e está legitimada pelo comodismo (e ignorância) do povo.

Pois eu, desde há muito concordo com esta ideia agora trazida por Saramago, não como o fim de um país chamado Portugal, mas como um aprofundamento político daquilo que já iniciou há anos (ora imposto pela realidade União Europeia, ora concertado entre os governos dos dois países em várias matérias: justiça, polícias, fronteiras, electricidade, caminhos-de-ferro, estradas, água, etc., etc.). Uma integração dos dois estados num nível sub-regional face à Europa não é mais do que um aprofundamento dos objectivos da própria União Europeia. É materialização de uma Europa a várias velocidades, em que estes dois estados, pelo menos nesta matéria, passam a estar no pelotão da frente, no esforço conjunto de harmonização de políticas de desenvolvimento regional e diminuição das assimetrias existentes. Tal como não deixou de existir Portugal com a entrada na CEE/UE, também não deixaria de haver autonomia política, nem deixaria de existir enquanto Estado, com a integração no espaço ibérico. Trata-se de aprofundar politicamente a partilha de soberania em várias matérias que permitam um crescimento sustentado das duas economias e vantagens comparativas face às grandes potências europeias: Alemanha, Reino Unido, França, Itália, quer na esfera europeia (alargada a 27 membros), quer à escala internacional, onde os dois países têm interesses em diferentes regiões do Globo (América Latina, África e também agora a Ásia).

Um modelo integrador e integrante de tipo federalista (mais do que descentralizado), como se vive em Espanha já actualmente, não só permite melhor qualidade de vida aos portugueses (e espanhóis, por que não?), como permite desencadear processos de crescimento económico, desde que com simplificação da administração pública e diminuição das estruturas de Estado existentes, para patamares de desenvolvimento ao nível das grandes potências europeias, com maiores economias de escala, divisão do trabalho, integração total do mercado ibérico nos diversos sectores-pilar, desencadeamento de grandes projectos pensados à escala peninsular, concorrência mais eficiente nos espaços económicos emergentes, etc., etc., etc.

Poderá dizer-se que a Espanha, enquanto oitava potência industrial do mundo e 5ª da Europa, dispensa bem uma união com Portugal, já que, com ou sem maior integração política, vai "integrando" a alta velocidade o mercado português, no plano económico... Por esse motivo, vejo a união dos dois estados precisamente com o objectivo de nos precavermos dessa dependência económica (motivada por fenómenos de concorrência desigual), através da criação de um espaço político-administrativo que promova a harmonização do conjunto do espaço da península e não o crescimento das assimetrias a que assistimos. Ou seja, só com a participação e voz portuguesas nalgum tipo de Governo de tipo federal poderemos, em conjunto com a Catalunha, a Galiza, o País Basco (se for possível), arranjar formas de regular e zelar para que esse objectivo seja concretizável. Estando fora, ou continuando como concorrentes (o que é ridículo face à nossa exiguidade) só nos deixa cada vez mais frágeis perante esta potência em pleno crescimento e afirmação.

É pena que o assunto seja abordado de forma tão ligeira por Saramago, o que quase dá razão aos que acham o debate ridículo, mas felizmente Saramago é apenas um entre dezenas de pensadores (e milhares de cabeças pensantes) que também acham que Portugal, enquanto Estado, é, ao mesmo tempo, um erro histórico e um milagre geopolítico, de âmbito quase paranormal... talvez muito à custa de um permanente bajulismo a outras potências, como a Inglaterra, o que nos custou bem caro.

Não é o espaço para desenvolver aqui as minhas ideias sobre o assunto (seria leviano fazê-lo desta forma), foram só uns meros desabafos, pois é matéria de algum empolgamento emotivo... não estivesse eu para concretizar a ideia de Saramago no plano pessoal...

Conveniente, não?

"Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha"

JOÃO CÉU E SILVA (texto e foto)

Este foi o regresso mais longo de José Saramago a Portugal desde que a polémica que envolveu a candidatura do seu livro O Evangelho segundo Jesus Cristo ao Prémio Literário Europeu o levou para um "exílio" na ilha espanhola de Lanzarote. A atribuição do Prémio Nobel parece tê-lo feito esquecer essas mágoas, mas não amoleceu a sua visão da sociedade e da História, que continua a ser polémica. Como se pode ver nesta entrevista.

Durante dois dias, o Nobel da Literatura português sentou-se no sofá e analisou o estado do mundo.

Na única entrevista que concedeu durante a temporada passada na sua casa de Lisboa, falou muito de política, mais de literatura e também da vida e da morte. Pelo meio ficou o anúncio da criação da fundação com o seu nome e a revelação de que está a escrever um novo livro.

A união ibérica

Este regresso a Portugal é um perdão?

O país não me fez mal algum, não confundamos, nem há nenhuma reconciliação porque não houve nenhum corte. O que aconteceu foi com um governo de um partido que já não é governo, com um senhor chamado Sousa Lara e outro de nome Santana Lopes. Claro que as responsabilidades estendem-se ao governo, a quem eu pedi o favor de fazer qualquer coisa mas não fez nada, e resolvi ir embora. Quando foi do Prémio Nobel, dei uma volta pelo país porque toda a gente me queria ver, até pessoas que não lêem apareceram! E desde então tenho vindo com muita frequência a Lisboa.

Vive num país que pouco a pouco toma conta da economia portuguesa. Não o incomoda?

Acho que é uma situação natural.

Qual é o futuro de Portugal nesta península?

Não vale a pena armar -me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos.

Política, económica ou culturalmente?

Culturalmente, não, a Catalunha tem a sua própria cultura, que é ao mesmo tempo comum ao resto da Espanha, tal como a dos bascos e a galega, nós não nos converteríamos em espanhóis. Quando olhamos para a Península Ibérica o que é que vemos? Observamos um conjunto, que não está partida em bocados e que é um todo que está composto de nacionalidades, e em alguns casos de línguas diferentes, mas que tem vivido mais ou menos em paz. Integrados o que é que aconteceria? Não deixaríamos de falar português, não deixaríamos de escrever na nossa língua e certamente com dez milhões de habitantes teríamos tudo a ganhar em desenvolvimento nesse tipo de aproximação e de integração territorial, administrativa e estrutural. Quanto à queixa que tantas vezes ouço sobre a economia espanhola estar a ocupar Portugal, não me lembro de alguma vez termos reclamado de outras economias como as dos Estados Unidos ou da Inglaterra, que também ocuparam o país. Ninguém se queixou, mas como desta vez é o castelhano que vencemos em Aljubarrota que vem por aí com empresas em vez de armas...

Seria, então, mais uma província de Espanha?

Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar. O Ceilão não se chama agora Sri Lanka, muitos países da Ásia mudaram de nome e a União Soviética não passou a Federação Russa?

Mas algumas das províncias espanholas também querem ser independentes!

A única independência real que se pede é a do País Basco e mesmo assim ninguém acredita.

E os portugueses aceitariam a integração?

Acho que sim, desde que isso fosse explicado, não é uma cedência nem acabar com um país, continuaria de outra maneira. Repito que não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português. Seríamos aqui aquilo que os catalães querem ser e estão a ser na Catalunha.

E como é que seria esse governo da Ibéria?

Não iríamos ser governados por espanhóis, haveria representantes dos partidos de ambos os países, que teriam representação num parlamento único com todas as forças políticas da Ibéria, e tal como em Espanha, onde cada autonomia tem o seu parlamento próprio, nós também o teríamos.

Há duas Espanhas

Os espanhóis olham-no como um deles?

Há duas Espanhas neste caso. Evidentemente, tratam-me como se fosse um deles, mas com as finanças espanholas ando numa guerra há, pelo menos, quatro anos porque querem que pague lá os impostos e consideram que lhes devo uma grande quantidade de dinheiro. Eu recusei-me a pagar e o meu argumento é extremamente simples, não pago duas vezes o que já paguei uma. Se há duplicação de impostos, então que o governo espanhol se entenda com o português e decidam. Eu tenho cá a minha casa e a minha residência fiscal sempre foi em Lisboa, ou seja, não há dúvidas de que estou numa situação de plena legalidade. Quanto aos impostos, e é por aí que também se vê o patriotismo, pago-os pontualmente em Portugal. Nunca pus o meu dinheiro num paraíso fiscal e repugna-me pensar que há quem o faça. O meu dinheiro é para aquilo que o Governo entender que serve.

Mas não pode negar que o olham como um deus...

Não diria tanto...

Mesmo sendo a crítica espanhola tão positiva em relação à sua obra?

Também já foi uma ou outra vez um pouco negativa - talvez devido às minhas posições políticas e ideológicas - mas de um modo geral tenho uma excelente crítica em toda a parte, como é o caso dos EUA, onde é quase unânime na apreciação da minha obra.



Ibéria, Espanibéria ou mesmo Espanha?

“Por supuesto!”

“São cada vez mais os alunos portugueses a estudarem a língua espanhola. O número de matriculados triplicou em três anos. O francês vai-se tornando opção residual”.

(Jornal “Público” de 16 de Julho)

O escritor José Saramago deu uma entrevista, no passado dia 15 de Julho, a um jornal diário de expansão nacional, no qual afirmou, entre outras coisas, que “Portugal acabará por integrar-se na Espanha e que(...) não deixaria de falar, pensar e sentir em português. Seríamos aqui o que os catalães querem ser na Catalunha”.

Palavras sensatas e que não deixarão de ser premonitórias face à proverbial incapacidade do nosso país em aproximar-se do pelotão da frente dos países mais ricos da Comunidade Europeia. Cada vez mais é o “carro vassoura”. E, não tardará muito, ver-nos-emos ultrapassados pelos novos países que há relativamente pouco tempo aderiram à Comunidade...É uma questão de tempo.

No dia seguinte à entrevista, dia 16, surgiram algumas virgens púdicas mais ou menos ofendidas, mais ou menos figuras públicas, como o caso do inoperante e anódino ex-ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) de má memória, de seu nome António Martins da Cruz, a afirmar, entre outras vacuidades que Saramago deveria “ deixar a política para os políticos e a estratégia para os estrategas”... Nada de mais superficial, nada de mais imprudente nestas afirmações de Martins da Cruz. A política, de resto, num regime democrático, é “uma coisa muito séria para ser deixada somente à arbitrariedade dos políticos”. E quem julga só saber Ciência Política e se tem em grande conta como “político” de alto coturno, não sabe nada, de nada. De resto, muitas asneiras e muitos descalabros financeiros têm a chancela de políticos profissionais.

A evolução histórica, cultural, científica, técnica de um país é dinâmica, progressiva e resulta de vários factores e condicionantes que indiciam determinado tipo de desenvolvimento que seria exaustivo estar a enumerar. Lembremos que a Espanha é a décima potência a nível mundial. É um país pujante, com uma taxa de crescimento imparável e um PIB em crescendo. Cada vez mais os empresários investem em Portugal (as grandes herdades no Alentejo estão passando para as suas mãos e não cessam de fazer grandes negócios em Lisboa e no Porto). O ordenado médio do cidadão espanhol é o dobro (nalguns casos o triplo) do ordenado médio do cidadão português. Muitos portugueses das zonas fronteiriças deslocam-se às vilas e cidades espanholas com o objectivo de adquirirem bens de primeira necessidade (e não só) e aproveitam para atestar de gasolina os depósitos dos seus automóveis (mais caros que os automóveis espanhóis, diga-se de passagem) e chegam à conclusão que beneficiaram a sua bolsa. Por outro lado, tem-se verificado que milhares de portugueses procuram o país vizinho para arranjarem emprego na construção civil, para procurarem emprego sazonal nas grandes herdades na apanha dafruta. Outros portugueses que ainda vão tendo algum desafogo(?) económico, demandam as praias espanholas, sejam da costa, sejam das ilhas, uma vez que a zona turística do Algarve se está transformando numa caríssima província inglesa dentro do país— o ministro Manuel Pinho, declarou há dias, que pretende para o Allgarve (que pacovice a designação estrangeirada) turismo de luxo!

Voltando às afirmações de José Saramago. Naturalmente que os políticos encartados e profissionais não viram com bons olhos- repudiaram mesmo—, as plausíveis afirmações de Saramago. Estes políticos que temos, em termos de vencimentos e regalias nos cargos públicos que ocupam, aproximam- se e/ou equiparam-se (em muitos casos até ultrapassam) os seus homólogos espanhóis. A Casa Real Espanhola, por exemplo, recebe menos subvenções estatais do que o Palácio de Bélem. Ou seja, a República Portuguesa, tão solidária com o zé povão, fica em média mais cara do que a Monarquia “elitista” espanhola... Já o cidadão anónimo e trabalhador, o “zé português”, aquele que labutanos vários serviços, nas várias instituições e vários organismos públicos e privados (diplomados ou não, especializados ou não) deste pobre país que aparenta gorgomilo e jactância, confrontado com o nível de vida do cidadão espanhol, sente-se defraudado, sente-se desanimado por verificar que“nuestros hermanos” nada têm a ver connosco. Um aparte: Klaudia Palczak,polaca, mestre em Sociologia e trabalhando, em Lisboa, no Observatório Europeu da Droga e Toxicodepência (OEDT), afirmou, numa entrevista dada a um jornal diário de expansão nacional, que não sabe “onde é que os portugueses, com o que ganham, vão buscar dinheiro para comprar carros tão caros?”...

Se os políticos espanhóis são bem mais pragmáticos, mais honestos , mais objectivos e menos exibicionistas do que os políticos portugueses; se a economia espanhola está crescendo, notoriamente; se os empresários e os industriais espanhóis investem cada vez mais no “nosso” país em diversas áreas que vão desde a agricultura às construções imobiliárias, passando pelo turismo, pelos bancos, pela indústria, pelas confecções, etc; se a dinâmicados empresários e industriais espanhóis impulsiona o desenvolvimento no país vizinho, estes nada têm a ver com a peculiar mentalidade dos nossos empresários e industriais, sempre à espera do subsidiozinho estatal (os carros caros que Klaudia Palczak vê nas ruas de Lisboa , e noutras zonas do país, não terão nada a ver com isto?); se, até no desporto, seja no ténis, no automobilismo e motociclismo de competição, no futebol, no basquetebol e outras modalidades os espanhóis nos “ dão cartas”, alguém ficará melindrado (ou chocado) se a Espanha, paulatinamente, vier a anexar ou a integrar o “nosso” país? António M. Da Cruz, ex-MNE, ao acusar José Saramago de este “ser incapaz de defender Portugal”, não se dá conta da retórica improfícua e inane que produz com esta afirmação? A melhor forma de defender Portugal é o “nosso”país- afirmar-se- no-desenvolvimento-sustentado-no-progresso-da-economia-com-preocupações-de-âmbito-social-que-permita-um-razoável-nível-de-vida-face-a-outros-países-europeus. O que não está suceder. Os políticos e as suas clientelas que nos têm governado, estão mais preocupados em bichanarem prebendas, sinecuras e mordomias e estão mais preocupados em captarem o dinheiro que, de Bruxelas, vem jorrando para este pequeno país adormecido e mal governado. Por isso não será de admirar que Portugal, mais dia menos dia, seja integrado de forma administrativa, estrutural e territorial na Ibéria, Espanibéria ou Espanha (como a queiram designar) com a capital em Madrid. Bem poderá ser a nossa salvação.

António Cândido Miguéis

Vila Real

in Jornal "O Primeiro de Janeiro"

1 de julho de 2007

Hambanini!

Pois é... resolvi voltar à Europa para iniciar nova etapa.
Daqui a 2 meses haverá novo blog de outra côr...
Para os interessados em concorrer para o posto que deixo em aberto, consultem o site da Médicos do Mundo Portugal:
Boa sorte!!!
Hasta luego...

As Filhas de Nora, de Henning Mankell


Excelente peça de verdadeiro teatro no Avenida!
Num tom deliciosamente feminista, as 3 actrizes do grupo Mutumbela Gogo levam ao palco "As Filhas de Nora", mais uma peça do escritor e encenador Henning Mankell.

A propósito de Mankell, marido de Eva Bergman (filha de Ingmar Bergman), que Maputo e Moçambique têm a sorte de ter entre si, como Director Artístico do Teatro Avenida, é obrigatório ler a entrevista ao jornal "El País", encontrado no site do jornal argentino "La Voz del Interior":





Entrevista a Henning Mankell, escritor


“Nunca pensé que escribiría policiales”El creador del detective Kurt Wallander ha vendido más de 25 millones de libros en todo el mundo. Es uno de los responsables del auge de la novela negra.


Marcos Ordóñez El país, de Madrid


A diferencia de la mayoría de escritores, Henning Mankell no se pavonea ni se empeña en caer bien. Con lo cual, por supuesto, cae estupendamente. Habla lo justo, sin florilegios, y no rehúye ninguna pregunta. En un western sería el médico del pueblo convertido en sheriff. Tampoco cuesta imaginarle con las cualidades del inspector Wallander, su héroe de ficción: esfuerzo, perseverancia, coraje. "Siempre quise ser escritor, pero nunca pensé que escribiría novelas policíacas. Me encontré haciéndolo, eso es todo".


De visita en Barcelona para recoger el premio Pepe Carvalho en reconocimiento a su trayectoria, el autor confiesa que detesta la vida social. "No soporto esas cenas que duran tres horas ni esas reuniones en las que todo el mundo está de pie hablando de nada con mucha gente". Prefiere quedarse en el hotel, leyendo, trabajando o pasear con su mujer, Eva Bergman, la hija del gran Ingmar.


Su extraordinario ciclo novelesco lleva el subtítulo, muy bergmaniano, de "Novelas sobre el desasosiego sueco". Ha vendido 25 millones de libros, publicados en 35 lenguas. Podría haberse retirado a su granja de Harjedalen (Suecia), pero pasa la mitad del año en Mozambique, un país en la ruina, con una temperatura media de 38 grados, dirigiendo el teatro Avenida, en Maputo, y la editorial Leopard Publishing House, para dar a conocer autores africanos.


Comenzó a escribir a los 6 años. Su madre abandonó a la familia cuando Mankell aún no había cumplido los 10. A los 16 dejó la escuela y se embarcó en un mercante. Vivió un año en París, donde trabajó en un taller de instrumentos musicales. Volvió a Suecia, decidido a convertirse en escritor, "pero comprendí –dice– que necesitaría mucho tiempo: no era lo bastante maduro para escribir un libro". Fue entonces cuando descubrió el teatro, "mi pasión primera, fundamental. Intuía que escribir y dirigir eran cosas muy parecidas. Ambas consisten en construir y ordenar mundos".


Convertido en actor. A los 19 años, sin proponérselo, se encontró convertido en actor. "No era lo mío, desde luego. El director, muy valiente por cierto, me ofreció escribir una obra. Y la escribí, en 1968. Se llamaba Feria popular. Era una pieza satírica y provocó un escándalo maravilloso. Un crítico se enfadó tanto que acabó diciendo que yo llevaba unos zapatos horrendos. Pero dimos 100 representaciones".


Su madre se suicidó cuando Mankell acababa de cumplir los 20. No le pregunto nada. ¿Para qué? Ese gran silencio está en su interior. Un silencio lleno de palabras escritas, representadas, de actividad constante, de vida que en cualquier momento puede acabarse, como un portazo. La vida de Mankell tiene dos habitaciones. "En una escribo y estoy solo. La otra es más grande, mejor iluminada, y está llena de gente, los míos, con los que hago teatro".


Poca gente en España conoce su faceta de hombre de teatro, aunque, dice, "visitamos Sevilla durante la Expo 92, con un montaje mío de Los bandidos de Schiller". En estos momentos se están dando en Europa entre 10 y 15 montajes de sus obras más recientes, como Up and down, en Londres, o Antílopes, en París. Adora a Calderón y a Lorca, "una de mis primeras fuentes de inspiración", de quien montó Bodas de sangre en Mozambique, "porque podría ser perfectamente una historia africana". Brecht también ha sido muy importante para él. Y, por encima de todo, Shakespeare, siempre. Mankell afirma que Macbeth es "la mejor obra criminal de la historia", pero nunca se ha atrevido a montarla. "Temo no hacerlo bien, estropear esa maravilla, aunque mi auténtica favorita es Sueño de una noche de verano. Lo tiene todo, absolutamente todo. Es como escuchar a Mozart y a Bach trabajando juntos".


Durante un tiempo, Mankell dirigió el Kronobersteatern de Vaxjo, en el que sólo programaba obras suecas. "Fue un gran éxito, pero cometí el peor error de mi vida: ser director y gestor al mismo tiempo. Una catástrofe total. Durante cuatro años no pude escribir una línea". Hasta que volvió a África, con la que soñaba desde niño, "cuando leía los grandes viajes de los exploradores victorianos". Viajó a Guinea-Bissau a los 24 años, "para airear mi cabeza". A finales de los años ’70 se instaló en Zambia con su primera mujer, una enfermera. "Un día me llamó Manuela Sueiro, la directora del teatro Avenida. Mozambique acababa de conseguir la independencia y ella se puso al frente del teatro Avenida con un grupo de actores y actrices jóvenes llamado Mutumbela Gogo. Viajé a Maputo y me propusieron trabajar juntos. No pude volver a Luanda porque no había vuelos hasta la semana siguiente. Aquella semana en Maputo ha durado 25 años. Debería enviar una carta de agradecimiento a las líneas áreas de Angola".


Amor al arte. Mankell trabaja en el teatro Avenida por amor al arte. Y a la cultura: "Mozambique es un país extraordinariamente pobre. Un 70 por ciento de la población no sabe leer ni escribir, por lo que el teatro tiene una importantísima tarea que desempeñar, de la que me siento orgulloso. El gobierno no puede subvencionarnos, porque está en bancarrota, de modo que nos financiamos con la venta de entradas. Viene gente de toda África a vernos. Yo contribuyo todo lo que puedo. La gente habla del Avenida como si fuera mío, pero formo parte de un grupo. Somos 30 o 40 personas, yo soy el director artístico, y Manuela es nuestra jefa".


Su línea teatral es muy clara: "No podemos permitirnos experimentos formales. Nuestro público quiere historias poderosas y bien contadas. Tenemos un repertorio muy amplio. Clásicos como La buena persona de Sezuan, de Brecht; Woyzeck, de Buchner; Bodas de sangre. He escrito musicales: As teias de Maputo, con canciones de Celso Paco. Teatro infantil, adaptaciones de relatos orales, o mis propias obras. La última, que estrenamos el pasado noviembre, se llama Las hijas de Nora. La escribí para conmemorar el centenario de Ibsen y los 25 años de Mutumbela Gogo. Somos, en cierto modo, embajadores de Mozambique en Europa".


Mankell colabora con su mujer, Eva, directora del Backa Teater, de Gotemburgo, con el que suelen intercambiar espectáculos, y pasa largas veladas con Ingmar Bergman, "un ícono para toda mi generación: nos ha influido a todos. Tengo una relación muy íntima con él. Hablamos mucho, especialmente de música. No es frecuente que tu suegro sea una persona tan estimulante". En Mozambique, los seis meses restantes, lleva "una vida muy normal: la agitación está dentro de mi cabeza". Vive en un piso muy pequeño, en el centro de Maputo. "Me levanto pronto para poder escribir un promedio de cuatro páginas diarias y por la tarde trabajo en el teatro. Por las noches ceno con mis compañeros o me quedo en casa leyendo. Para mí es una vida perfecta. No conozco nada más divertido ni más apasionante. Lo único que lamento es que el día no tenga 25 horas".

Mika Brzezinski of MNSBC rips Paris report

E se os jornalistas fossem todos assim?! Obrigado Mika!

Alguns blogs a fixar

Blogs pescados no "Público":

http://darussia.blogspot.com/

http://dererummundi.blogspot.com/

http://eurotalkiac.blogspot.com/

http://artephotographica.blogspot.com/

25 de junho de 2007

25 de Junho - Dia da (In)dependência Nacional

É impressao minha, ou parece que este ano a comemoraçao da fundaçao do Partido FRELIMO, uma das grandes aberraçoes políticas desta África sofrida e subdesenvolvida, é mais importante que a comemoraçao da independência do país?

Talvez se tenham dado conta que andar a enganar o "povo" com anedotas sobre o fim do imperialismo e a independência já nao pega para mascarar toda a incompetência, hipocrisia e corrupçao dos seus dirigentes nestes 32 anos de (in)dependência... e foram direito ao assunto...

Estou a pedir... um pouco de paciência

24 de junho de 2007

Pangane... o paraíso perigoso

Pois... ao fim de mais de 1 ano e meio em Moçambique, lá fui assaltado. Eu, 4 espanholas, 1 argentino e 1 francês, na Praia de Pangane, recentemente considerada uma das 5 Melhores Praias Virgens do Mundo.
Está situada 250 km a Norte de Pemba, em pleno Parque Nacional das Quirimbas, na Província de Cabo Delgado.





Nao me apetece fazer consideraçoes sobre o assalto em si (no meu caso, entre dinheiro e outros valores, foram cerca de 500 EURO), o modo como a polícia (comp)actua, mas fica o alerta para futuros turistas: CUIDADO!!!!!!!!!!!!



Pelo que soubémos, têm sido muito frequentes nesta praia as "limpezas" a estrangeiros...





Vergonha para uma praia... que realmente tem tudo para ser um Paraíso...




Pois, em relaçao a máquinas fotográficas... nem uma sobrou...
Curiosidade foi descobrir que, pelos vistos, há assaltantes cultos por essas bandas, pois parecem nutrir uma admiraçao pelo grande escritor angolano José Luandino Vieira: « «De Rios Velhos e Guerrilheiros - O Livro dos Rios», que eu andava a ler... Pode ser que o encontre à venda num qualquer passeio de Maputo um dia destes...

19 de junho de 2007

Vergonha: Ilha de Moçambique pintada de verde e amarelo

Já bastava ser (seguramente) uma das piores empresas prestadoras de serviços telefónicos móveis do Mundo, ainda tinha que se envergonhar (a si mesma), ainda mais, por atentar contra património da Humanidade... e por conseguinte de todos nós.
Por favor, leiam o post no Ma-shamba sobre este assunto: http://ma-schamba.blogspot.com/2007/06/ha-meses-aqui-deixei-dois-longos-textos.html
A fazer fé no comunicado de imprensa, parece que querem limpar a porcaria que fizeram... No mínimo, faziam isso e ainda contribuíam com um fundo para a recuperaçao do que falta recuperar... No mínimo... digo eu...
No mínimo, insisto, fazíamos boicote a esta empresa-má-prestadora-do-serviço-para-que-foi-criada (e em que é uma grande merda) e mudávamos para a concorrente... que, ao que parece, tem melhor serviço... Mas... enfim, lá estaríamos nós a financiar alguns que até têm participaçao no capital desta, ao mesmo tempo que têm responsabilidades políticas que os obrigam a dizer alguma coisa.. quando atentados destes ocorrem... Confuso? Pois...
Mas, até há assuntos tao ou mais graves que merecem alguma atençao...
Num país em que os anti-retrovirais estao em ruptura de stock, pondo em risco a sustentabilidade (se é que esta é possível) do programa de TARV há pouco iniciado e consequentemente a vida de alguns milhares de pessoas, obviamente nada é de admirar... Com a interrupçao, os doentes criam resistências a esta primeira linha de tratamento (150 USD/ano/utente) para dependerem de uma segunda linha (1500 USD/ano/ano)... Sabendo-se dos poderosos movimentos por parte das grandes farmacêuticas para terminar com a concorrência dos "genéricos" indianos e brasileiros, os custos têm tendência a subir. Ora, sendo a situaçao do HIV/SIDA absolutamente catastrófca em Moçambique, isto quer dizer que a factura vai ser cada vez mais cara... havendo cada vez menos dinheiro para outras áreas e até mesmo dentro da saúde e dos seus vários programas...
E... a única coisa que preocupa o ministro respectivo é o controlo do mercado dos medicamentos (e dos milhoes de dólares dos doadores), sem que o assunto mereça uma linha na imprensa....
Como seria de esperar num país que nao queira apenas fazer de conta que o é...

14 de junho de 2007

Visões do Mar e da Selva

Em mais uma passagem pela Beira, tive oportunidade de ir à inauguraçao da exposição Visões do Mar e da Selva, no Instituto Camões Centro Cultural Português - Pólo na Beira. Pelos olhos dos fotógrafos radicados em Moçambique, Jean-Paul Vermeulen e Steve Stockhall, temos imagens do mundo selvagem terrestre e aquático que nos prendem a respiraçao. Estará patente até ao próximo 7 de Julho.
Obrigado Rui pela organizaçao. Obrigado Jean-Paul e Steven pelas 2 fotos que vou poder apreciar sempre...

Ver o site do Steve em: http://www.naturephotosafari.com/

A propósito, nao deixem de consultar o blog evocativo sobre a comemoraçao dos 100 anos da Cidade da Beira, do Fernando Ferreira Mendes: http://beiraumseculo.blogspot.com/

23 de maio de 2007

Anecdotario Médico

Acabo de ler um livro que recomendo a todos os médicos (os do Mundo, os Sem Fronteiras, os Mundi, os Tradicionais e todos os outros) e aos nao-médicos... Editado em Espanha, é, no fundo, um auto-retrato de um médico sobre si mesmo e a sua classe profissional. É uma colectânea de situaçoes e "apanhados" intrínsecos ao contexto da consulta e do ambiente médico e hospitalar em geral. É de rir (muito), do princípio ao fim...
Título: Diga treinta y tres. Anecdotario médico.
Autor: J. Ignacio de Arana.Ed. Espasa.
Colec Espasa Minor nº 57. 7ª ed. Madrid, 2000.
"El presente libro pone en sus páginas algunas anécdotas médicas dignas de contarse, como la de llamar al pediatra pederasta, la de confundir una biopsia con una autopsia, ir al dentista con «pedorrea» en vez de piorrea. Su procedencia es muy variada: muchas las ha vivido el propio autor en el curso de veinticinco años de ejercicio profesional; otras, se las han contado colegas durante divertidas tertulias o han sido recopiladas de los escasos anecdotarios que se han publicado. En cualquier caso, créanselas todas sin excepción: la realidad es muchas veces más divertida que la ficción."

Nota:Algunas de estas anécdotas me hicieron recordar los comentarios oídos a mis colegas durante las guardias hospitalarias. Había mucho de sarcasmo y poca comprensión en aquellos chascarrillos. Si nos paramos a pensar, la mayoría de las "anécdotas" se originan porque el enfermo no entiende nuestras palabras de jerga médica o no entendió suficientemente nuestras explicaciones para seguir correctamente una prueba diagnóstica o un tratamiento.
Lejos de divertirnos, debería sonrojarnos que un paciente se haya tragado un supositorio porque nosotros damos por supuesto que sabe cómo debe usarlo. Si diéramos menos cosas por supuestas y comprobáramos más si el paciente nos entendió, evitaríamos muchos de estos errores de comunicación, cuando no errores médicos.
Una actitud de menos superioridad y de mayor comprensión nos llevaría a ir corrigiendo con delicadeza las palabras mal utilizadas por nuestros pacientes.
Mas que para reírnos, estas situaciones son excelentes oportunidades para abandonar nuestros sillones de supremacía y colocarnos "del otro lado de la mesa".

José Ignacio de Arana (1948) es doctor en medicina y cirugía por la Universidad Complutense de Madrid y especialista en pediatría. Es miembro de número de la Asociación española de médicos escritores. Es autor, aparte de más de 200 artículos en revistas, de varios libros, como «Relatos médicos», «La salud de tu hijo» y de la serie "Historias curiosas» (medicina, iglesia y arte), publicada también en Espasa editorial.

10 de maio de 2007

Pane e Tulipani Trailer

SINOPSE
Quando o autocarro da excursão parte sem Rosalba (Licia Maglietta), sem sequer o marido e os filhos darem pela sua falta, a porta para uma aventura fantástica abre-se irresistivelmente para ela.
Depois de apanhar uma boleia para Veneza, a fabulosa cidade dos seus sonhos, a escapada de um dia depressa se estende a dias, depois a semanas, à medida que a recém descoberta liberdade de Rosalba a atrai cada vez mais para uma excitante e nova vida... um estranho e diferente universo que lhe oferece amizade, carinho, divertimento e até amor.
Em Veneza, Rosalba arranja emprego numa florista cujo dono é anarquista, aluga um quarto a um misterioso islandês que fala em verso, encontra na vizinha, massagista holística, uma amiga e confidente e reata a sua grande paixão pela musica e pelo acordeão.

Realizador
. Silvio Soldini

Intérpretes
. Licia Maglietta
. Bruno Ganz
. Giuseppe Battiston
. Antonio Catania
. Marina Massironi
. Felice Andreasi
. Vitalba Andrea
. Tatiana Lepore