20 de julho de 2007

Anedota?

Conta-se por aqui, em jeito de anedota, que um certo dia alguém perguntou a um antigo Presidente por que tinha 12 ministros no seu Governo. O Presidente respondeu que Jesus Cristo também tinha 12 ajudantes... Uns anos mais tarde, com um Governo de 40 ministros e vice-ministros, fizeram a mesma pergunta ao Sr. Presidente e a resposta foi idêntica: "Ali Babá também tinha 40 ajudantes"...
Já agora, é tentar arranjar o livro da colecção "As Sobrinhas da Bruxa Onilda", da editora Scipione, onde ficamos a saber muito sobre esse tal de Ali Babá...

17 de julho de 2007

União Ibérica, por supuesto!

Por causa da recente entrevista de Saramago ao Diário de Notícias, no dia 15 de Julho, voltou-se a debater uma questão que há séculos divide intelectuais e políticos de Portugal e Espanha: a união destes dois estados. No Século XIX e durante a Primeira República, chegámos a ter debates acesos (com trocas de cartas, artigos de opinião nos jornais da época, publicação de ensaios e de livros) sobre esta matéria, o que esmoreceu com os fascismos dos dois lados da fronteira. Com os processos de democratização e posterior entrada na CEE, actual UE, esta questão passou a ser quase um tabú e, até mesmo, ridicularizada, motivada por traumas e fantasmas poeirentos com séculos de rivalidades pelo meio (fomentadas por conveniências políticas próprias de um país pequeno). Passou mesmo a ser considerado um debate menor e delirante e quem levantasse (ousasse levantar) a questão, não deixaria de ser tratado como um senil ou demente, como agora é tratado Saramago. No entanto, no plano académico, esta questão nunca deixou de ser debatida e aprofundada, pois com o fim da II Guerra Mundial puseram-se em marcha extensos programas de integração de espaços regionais (com fins sobretudo económicos), como é exemplo a Europa.
Esta nossa recusa em debater a questão tem que ver, na minha opinião, com a dificuldade permanente de distinguir integração com perda de soberania e desaparecimento de um país que sempre esteve entalado entre o mar e esta potência "irmã e inimiga".
Temos vários tabús sobre a nossa identidade tão esquizofrénica, tão bem analisada por Eduardo Lourenço e outros que apontam a aparente coexistência entre sentimentos de superioridade sobre os demais com sentimentos e complexos de culpabilidade e inferioridade que resultam num atavismo paralisante e bacoco da sociedade portuguesa. Poderia dar inúmeros exemplos, mas muitas vezes, aqui em Moçambique, convivo com dois mitos de suposta desculpabilização nacional - a qualidade da TAP e a colonização portuguesa - cuja discussão pode cair em tabú se for abordada por estrangeiros. São os mais fáceis que me ocorrem:
Mito 1: a TAP (conhecida entre os estrangeiros como "Take Another Plane"), tem obrigação de prestar um melhor serviço nos vôos para Maputo e não nos podemos sentir ofendidos se é um estrangeiro que o diz, e não é um português a dizê-lo. Pelo contrário, isto devia obrigar-nos a reclamar melhor serviço desta companhia nacional, que fica aquém de muitas das suas congéneres europeias, ao nível de parâmetros de qualidade (pontualidade, simpatia, conforto, etc.), pelo menos neste vôo específico.
Mito2: o colonialismo português não foi o menos mau, como nos fazem crer. Aliás, também os ingleses, franceses, espanhóis, etc. têm essa crença que os seus "colonialismos" foram os menos maus. Enfim, trata-se de uma questão de psicologia social e colectiva, em que os povos são instrumentalizados pelos seus governos para, permanentemente, se desculpabilizarem, de um modo quase autista. Independentemente de todos os factos concretos do processo de descolonização, do seu contexto e dos seus intervenienentes, que eu obviamente não posso analisar por falta de informação suficiente, é líquido que a administração portuguesa não preparou convenientemente quadros moçambicanos para tomarem conta do país. Não discutindo as razões, os constrangimentos impostos, os traumas de todo o processo, não deixa de ser um facto que, quer em Moçambique, quer em Angola, não houve a melhor (e aqui estou também a desculpabilizar de alguma forma com esta ligeireza no trato) integração das gentes locais nas empresas e administração portuguesas, durante o período colonial.
Mas, voltando à questão inicial, tudo isto, sem que tal constitua qualquer novidade, faz-me olhar para esta entrevista de Saramago como uma revista de algumas ideias federalistas pelas quais há uns anos tanto me entusiasmei e me fizeram mesmo a frequentar alguns módulos do Colégio Federalista de Aosta. Preocupava-me sobretudo a ideia de uma Europa, como espaço de estados federados. Enfim: a clássica ideia da construção dos grandes espaços: a cultura grega e o estoicismo; a ordem romana e a procura do império; da moral cristã à res publica christiana, o sacerdócio contra o império; Carlos Magno e Otão, o Grande; os projectistas da paz: Pierre Dubois, Jorge da Boémia, Sully, Éméric de Crucé, Leibniz; os projectos pacífico-humanitários; o humanismo cristão e a neo-escolástica; o Império de Carlos V; Coménio; William Penn; o jusracionalismo humanitarista; Abade de Saint-Pierre; Rousseau; a sociedade das nações de Kant e outros projectos de paz perpétua; a Revolução Francesa e as repúblicas irmãs; Napoleão e os reinos irmãos; o Congresso de Viena e a Santa Aliança; o projecto de Saint-Simon; Mazzini e a Jovem Europa; a república ocidental de Comte; o Pacifismo republicanista; Vítor Hugo; Lemmonier; A emergência do federalismo; Proudhon; o projecto de Renan; o europeísmo do internacionalismo liberal; a “Pan-Europa” (1923), o movimento pan-europeu de Coudenhove-Kalergi e o I Congresso Pan-Europeu (1926); Aristide Briand; o relatório de Alexis Léger; etc., etc., etc...

Por isso, quando olho para esta entrevista, insiro-a obviamente num contexto de discussão secular (por ora apenas adormecida e instrumentalizada), em que, à semelhança dos debates em relação ao conjunto do espaço europeu e aos seus vários modelos de integração, também a possível união ibérica merece toda a atenção, enquanto debate de ideias, tão válido como qualquer outro que implique transformações e mudanças significativas no percurso da nação portuguesa. Os argumentos a favor e contra devem ser vistos num plano de igualdade e não com o sentido ridicularizante com que por vezes a questão é tratada, como se não valesse nunca a pena discutí-la, só porque uma classe de intelectuais se acha no direito de achar que a resposta já está encontrada e está legitimada pelo comodismo (e ignorância) do povo.

Pois eu, desde há muito concordo com esta ideia agora trazida por Saramago, não como o fim de um país chamado Portugal, mas como um aprofundamento político daquilo que já iniciou há anos (ora imposto pela realidade União Europeia, ora concertado entre os governos dos dois países em várias matérias: justiça, polícias, fronteiras, electricidade, caminhos-de-ferro, estradas, água, etc., etc.). Uma integração dos dois estados num nível sub-regional face à Europa não é mais do que um aprofundamento dos objectivos da própria União Europeia. É materialização de uma Europa a várias velocidades, em que estes dois estados, pelo menos nesta matéria, passam a estar no pelotão da frente, no esforço conjunto de harmonização de políticas de desenvolvimento regional e diminuição das assimetrias existentes. Tal como não deixou de existir Portugal com a entrada na CEE/UE, também não deixaria de haver autonomia política, nem deixaria de existir enquanto Estado, com a integração no espaço ibérico. Trata-se de aprofundar politicamente a partilha de soberania em várias matérias que permitam um crescimento sustentado das duas economias e vantagens comparativas face às grandes potências europeias: Alemanha, Reino Unido, França, Itália, quer na esfera europeia (alargada a 27 membros), quer à escala internacional, onde os dois países têm interesses em diferentes regiões do Globo (América Latina, África e também agora a Ásia).

Um modelo integrador e integrante de tipo federalista (mais do que descentralizado), como se vive em Espanha já actualmente, não só permite melhor qualidade de vida aos portugueses (e espanhóis, por que não?), como permite desencadear processos de crescimento económico, desde que com simplificação da administração pública e diminuição das estruturas de Estado existentes, para patamares de desenvolvimento ao nível das grandes potências europeias, com maiores economias de escala, divisão do trabalho, integração total do mercado ibérico nos diversos sectores-pilar, desencadeamento de grandes projectos pensados à escala peninsular, concorrência mais eficiente nos espaços económicos emergentes, etc., etc., etc.

Poderá dizer-se que a Espanha, enquanto oitava potência industrial do mundo e 5ª da Europa, dispensa bem uma união com Portugal, já que, com ou sem maior integração política, vai "integrando" a alta velocidade o mercado português, no plano económico... Por esse motivo, vejo a união dos dois estados precisamente com o objectivo de nos precavermos dessa dependência económica (motivada por fenómenos de concorrência desigual), através da criação de um espaço político-administrativo que promova a harmonização do conjunto do espaço da península e não o crescimento das assimetrias a que assistimos. Ou seja, só com a participação e voz portuguesas nalgum tipo de Governo de tipo federal poderemos, em conjunto com a Catalunha, a Galiza, o País Basco (se for possível), arranjar formas de regular e zelar para que esse objectivo seja concretizável. Estando fora, ou continuando como concorrentes (o que é ridículo face à nossa exiguidade) só nos deixa cada vez mais frágeis perante esta potência em pleno crescimento e afirmação.

É pena que o assunto seja abordado de forma tão ligeira por Saramago, o que quase dá razão aos que acham o debate ridículo, mas felizmente Saramago é apenas um entre dezenas de pensadores (e milhares de cabeças pensantes) que também acham que Portugal, enquanto Estado, é, ao mesmo tempo, um erro histórico e um milagre geopolítico, de âmbito quase paranormal... talvez muito à custa de um permanente bajulismo a outras potências, como a Inglaterra, o que nos custou bem caro.

Não é o espaço para desenvolver aqui as minhas ideias sobre o assunto (seria leviano fazê-lo desta forma), foram só uns meros desabafos, pois é matéria de algum empolgamento emotivo... não estivesse eu para concretizar a ideia de Saramago no plano pessoal...

Conveniente, não?

"Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha"

JOÃO CÉU E SILVA (texto e foto)

Este foi o regresso mais longo de José Saramago a Portugal desde que a polémica que envolveu a candidatura do seu livro O Evangelho segundo Jesus Cristo ao Prémio Literário Europeu o levou para um "exílio" na ilha espanhola de Lanzarote. A atribuição do Prémio Nobel parece tê-lo feito esquecer essas mágoas, mas não amoleceu a sua visão da sociedade e da História, que continua a ser polémica. Como se pode ver nesta entrevista.

Durante dois dias, o Nobel da Literatura português sentou-se no sofá e analisou o estado do mundo.

Na única entrevista que concedeu durante a temporada passada na sua casa de Lisboa, falou muito de política, mais de literatura e também da vida e da morte. Pelo meio ficou o anúncio da criação da fundação com o seu nome e a revelação de que está a escrever um novo livro.

A união ibérica

Este regresso a Portugal é um perdão?

O país não me fez mal algum, não confundamos, nem há nenhuma reconciliação porque não houve nenhum corte. O que aconteceu foi com um governo de um partido que já não é governo, com um senhor chamado Sousa Lara e outro de nome Santana Lopes. Claro que as responsabilidades estendem-se ao governo, a quem eu pedi o favor de fazer qualquer coisa mas não fez nada, e resolvi ir embora. Quando foi do Prémio Nobel, dei uma volta pelo país porque toda a gente me queria ver, até pessoas que não lêem apareceram! E desde então tenho vindo com muita frequência a Lisboa.

Vive num país que pouco a pouco toma conta da economia portuguesa. Não o incomoda?

Acho que é uma situação natural.

Qual é o futuro de Portugal nesta península?

Não vale a pena armar -me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos.

Política, económica ou culturalmente?

Culturalmente, não, a Catalunha tem a sua própria cultura, que é ao mesmo tempo comum ao resto da Espanha, tal como a dos bascos e a galega, nós não nos converteríamos em espanhóis. Quando olhamos para a Península Ibérica o que é que vemos? Observamos um conjunto, que não está partida em bocados e que é um todo que está composto de nacionalidades, e em alguns casos de línguas diferentes, mas que tem vivido mais ou menos em paz. Integrados o que é que aconteceria? Não deixaríamos de falar português, não deixaríamos de escrever na nossa língua e certamente com dez milhões de habitantes teríamos tudo a ganhar em desenvolvimento nesse tipo de aproximação e de integração territorial, administrativa e estrutural. Quanto à queixa que tantas vezes ouço sobre a economia espanhola estar a ocupar Portugal, não me lembro de alguma vez termos reclamado de outras economias como as dos Estados Unidos ou da Inglaterra, que também ocuparam o país. Ninguém se queixou, mas como desta vez é o castelhano que vencemos em Aljubarrota que vem por aí com empresas em vez de armas...

Seria, então, mais uma província de Espanha?

Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar. O Ceilão não se chama agora Sri Lanka, muitos países da Ásia mudaram de nome e a União Soviética não passou a Federação Russa?

Mas algumas das províncias espanholas também querem ser independentes!

A única independência real que se pede é a do País Basco e mesmo assim ninguém acredita.

E os portugueses aceitariam a integração?

Acho que sim, desde que isso fosse explicado, não é uma cedência nem acabar com um país, continuaria de outra maneira. Repito que não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português. Seríamos aqui aquilo que os catalães querem ser e estão a ser na Catalunha.

E como é que seria esse governo da Ibéria?

Não iríamos ser governados por espanhóis, haveria representantes dos partidos de ambos os países, que teriam representação num parlamento único com todas as forças políticas da Ibéria, e tal como em Espanha, onde cada autonomia tem o seu parlamento próprio, nós também o teríamos.

Há duas Espanhas

Os espanhóis olham-no como um deles?

Há duas Espanhas neste caso. Evidentemente, tratam-me como se fosse um deles, mas com as finanças espanholas ando numa guerra há, pelo menos, quatro anos porque querem que pague lá os impostos e consideram que lhes devo uma grande quantidade de dinheiro. Eu recusei-me a pagar e o meu argumento é extremamente simples, não pago duas vezes o que já paguei uma. Se há duplicação de impostos, então que o governo espanhol se entenda com o português e decidam. Eu tenho cá a minha casa e a minha residência fiscal sempre foi em Lisboa, ou seja, não há dúvidas de que estou numa situação de plena legalidade. Quanto aos impostos, e é por aí que também se vê o patriotismo, pago-os pontualmente em Portugal. Nunca pus o meu dinheiro num paraíso fiscal e repugna-me pensar que há quem o faça. O meu dinheiro é para aquilo que o Governo entender que serve.

Mas não pode negar que o olham como um deus...

Não diria tanto...

Mesmo sendo a crítica espanhola tão positiva em relação à sua obra?

Também já foi uma ou outra vez um pouco negativa - talvez devido às minhas posições políticas e ideológicas - mas de um modo geral tenho uma excelente crítica em toda a parte, como é o caso dos EUA, onde é quase unânime na apreciação da minha obra.



Ibéria, Espanibéria ou mesmo Espanha?

“Por supuesto!”

“São cada vez mais os alunos portugueses a estudarem a língua espanhola. O número de matriculados triplicou em três anos. O francês vai-se tornando opção residual”.

(Jornal “Público” de 16 de Julho)

O escritor José Saramago deu uma entrevista, no passado dia 15 de Julho, a um jornal diário de expansão nacional, no qual afirmou, entre outras coisas, que “Portugal acabará por integrar-se na Espanha e que(...) não deixaria de falar, pensar e sentir em português. Seríamos aqui o que os catalães querem ser na Catalunha”.

Palavras sensatas e que não deixarão de ser premonitórias face à proverbial incapacidade do nosso país em aproximar-se do pelotão da frente dos países mais ricos da Comunidade Europeia. Cada vez mais é o “carro vassoura”. E, não tardará muito, ver-nos-emos ultrapassados pelos novos países que há relativamente pouco tempo aderiram à Comunidade...É uma questão de tempo.

No dia seguinte à entrevista, dia 16, surgiram algumas virgens púdicas mais ou menos ofendidas, mais ou menos figuras públicas, como o caso do inoperante e anódino ex-ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) de má memória, de seu nome António Martins da Cruz, a afirmar, entre outras vacuidades que Saramago deveria “ deixar a política para os políticos e a estratégia para os estrategas”... Nada de mais superficial, nada de mais imprudente nestas afirmações de Martins da Cruz. A política, de resto, num regime democrático, é “uma coisa muito séria para ser deixada somente à arbitrariedade dos políticos”. E quem julga só saber Ciência Política e se tem em grande conta como “político” de alto coturno, não sabe nada, de nada. De resto, muitas asneiras e muitos descalabros financeiros têm a chancela de políticos profissionais.

A evolução histórica, cultural, científica, técnica de um país é dinâmica, progressiva e resulta de vários factores e condicionantes que indiciam determinado tipo de desenvolvimento que seria exaustivo estar a enumerar. Lembremos que a Espanha é a décima potência a nível mundial. É um país pujante, com uma taxa de crescimento imparável e um PIB em crescendo. Cada vez mais os empresários investem em Portugal (as grandes herdades no Alentejo estão passando para as suas mãos e não cessam de fazer grandes negócios em Lisboa e no Porto). O ordenado médio do cidadão espanhol é o dobro (nalguns casos o triplo) do ordenado médio do cidadão português. Muitos portugueses das zonas fronteiriças deslocam-se às vilas e cidades espanholas com o objectivo de adquirirem bens de primeira necessidade (e não só) e aproveitam para atestar de gasolina os depósitos dos seus automóveis (mais caros que os automóveis espanhóis, diga-se de passagem) e chegam à conclusão que beneficiaram a sua bolsa. Por outro lado, tem-se verificado que milhares de portugueses procuram o país vizinho para arranjarem emprego na construção civil, para procurarem emprego sazonal nas grandes herdades na apanha dafruta. Outros portugueses que ainda vão tendo algum desafogo(?) económico, demandam as praias espanholas, sejam da costa, sejam das ilhas, uma vez que a zona turística do Algarve se está transformando numa caríssima província inglesa dentro do país— o ministro Manuel Pinho, declarou há dias, que pretende para o Allgarve (que pacovice a designação estrangeirada) turismo de luxo!

Voltando às afirmações de José Saramago. Naturalmente que os políticos encartados e profissionais não viram com bons olhos- repudiaram mesmo—, as plausíveis afirmações de Saramago. Estes políticos que temos, em termos de vencimentos e regalias nos cargos públicos que ocupam, aproximam- se e/ou equiparam-se (em muitos casos até ultrapassam) os seus homólogos espanhóis. A Casa Real Espanhola, por exemplo, recebe menos subvenções estatais do que o Palácio de Bélem. Ou seja, a República Portuguesa, tão solidária com o zé povão, fica em média mais cara do que a Monarquia “elitista” espanhola... Já o cidadão anónimo e trabalhador, o “zé português”, aquele que labutanos vários serviços, nas várias instituições e vários organismos públicos e privados (diplomados ou não, especializados ou não) deste pobre país que aparenta gorgomilo e jactância, confrontado com o nível de vida do cidadão espanhol, sente-se defraudado, sente-se desanimado por verificar que“nuestros hermanos” nada têm a ver connosco. Um aparte: Klaudia Palczak,polaca, mestre em Sociologia e trabalhando, em Lisboa, no Observatório Europeu da Droga e Toxicodepência (OEDT), afirmou, numa entrevista dada a um jornal diário de expansão nacional, que não sabe “onde é que os portugueses, com o que ganham, vão buscar dinheiro para comprar carros tão caros?”...

Se os políticos espanhóis são bem mais pragmáticos, mais honestos , mais objectivos e menos exibicionistas do que os políticos portugueses; se a economia espanhola está crescendo, notoriamente; se os empresários e os industriais espanhóis investem cada vez mais no “nosso” país em diversas áreas que vão desde a agricultura às construções imobiliárias, passando pelo turismo, pelos bancos, pela indústria, pelas confecções, etc; se a dinâmicados empresários e industriais espanhóis impulsiona o desenvolvimento no país vizinho, estes nada têm a ver com a peculiar mentalidade dos nossos empresários e industriais, sempre à espera do subsidiozinho estatal (os carros caros que Klaudia Palczak vê nas ruas de Lisboa , e noutras zonas do país, não terão nada a ver com isto?); se, até no desporto, seja no ténis, no automobilismo e motociclismo de competição, no futebol, no basquetebol e outras modalidades os espanhóis nos “ dão cartas”, alguém ficará melindrado (ou chocado) se a Espanha, paulatinamente, vier a anexar ou a integrar o “nosso” país? António M. Da Cruz, ex-MNE, ao acusar José Saramago de este “ser incapaz de defender Portugal”, não se dá conta da retórica improfícua e inane que produz com esta afirmação? A melhor forma de defender Portugal é o “nosso”país- afirmar-se- no-desenvolvimento-sustentado-no-progresso-da-economia-com-preocupações-de-âmbito-social-que-permita-um-razoável-nível-de-vida-face-a-outros-países-europeus. O que não está suceder. Os políticos e as suas clientelas que nos têm governado, estão mais preocupados em bichanarem prebendas, sinecuras e mordomias e estão mais preocupados em captarem o dinheiro que, de Bruxelas, vem jorrando para este pequeno país adormecido e mal governado. Por isso não será de admirar que Portugal, mais dia menos dia, seja integrado de forma administrativa, estrutural e territorial na Ibéria, Espanibéria ou Espanha (como a queiram designar) com a capital em Madrid. Bem poderá ser a nossa salvação.

António Cândido Miguéis

Vila Real

in Jornal "O Primeiro de Janeiro"

1 de julho de 2007

Hambanini!

Pois é... resolvi voltar à Europa para iniciar nova etapa.
Daqui a 2 meses haverá novo blog de outra côr...
Para os interessados em concorrer para o posto que deixo em aberto, consultem o site da Médicos do Mundo Portugal:
Boa sorte!!!
Hasta luego...

As Filhas de Nora, de Henning Mankell


Excelente peça de verdadeiro teatro no Avenida!
Num tom deliciosamente feminista, as 3 actrizes do grupo Mutumbela Gogo levam ao palco "As Filhas de Nora", mais uma peça do escritor e encenador Henning Mankell.

A propósito de Mankell, marido de Eva Bergman (filha de Ingmar Bergman), que Maputo e Moçambique têm a sorte de ter entre si, como Director Artístico do Teatro Avenida, é obrigatório ler a entrevista ao jornal "El País", encontrado no site do jornal argentino "La Voz del Interior":





Entrevista a Henning Mankell, escritor


“Nunca pensé que escribiría policiales”El creador del detective Kurt Wallander ha vendido más de 25 millones de libros en todo el mundo. Es uno de los responsables del auge de la novela negra.


Marcos Ordóñez El país, de Madrid


A diferencia de la mayoría de escritores, Henning Mankell no se pavonea ni se empeña en caer bien. Con lo cual, por supuesto, cae estupendamente. Habla lo justo, sin florilegios, y no rehúye ninguna pregunta. En un western sería el médico del pueblo convertido en sheriff. Tampoco cuesta imaginarle con las cualidades del inspector Wallander, su héroe de ficción: esfuerzo, perseverancia, coraje. "Siempre quise ser escritor, pero nunca pensé que escribiría novelas policíacas. Me encontré haciéndolo, eso es todo".


De visita en Barcelona para recoger el premio Pepe Carvalho en reconocimiento a su trayectoria, el autor confiesa que detesta la vida social. "No soporto esas cenas que duran tres horas ni esas reuniones en las que todo el mundo está de pie hablando de nada con mucha gente". Prefiere quedarse en el hotel, leyendo, trabajando o pasear con su mujer, Eva Bergman, la hija del gran Ingmar.


Su extraordinario ciclo novelesco lleva el subtítulo, muy bergmaniano, de "Novelas sobre el desasosiego sueco". Ha vendido 25 millones de libros, publicados en 35 lenguas. Podría haberse retirado a su granja de Harjedalen (Suecia), pero pasa la mitad del año en Mozambique, un país en la ruina, con una temperatura media de 38 grados, dirigiendo el teatro Avenida, en Maputo, y la editorial Leopard Publishing House, para dar a conocer autores africanos.


Comenzó a escribir a los 6 años. Su madre abandonó a la familia cuando Mankell aún no había cumplido los 10. A los 16 dejó la escuela y se embarcó en un mercante. Vivió un año en París, donde trabajó en un taller de instrumentos musicales. Volvió a Suecia, decidido a convertirse en escritor, "pero comprendí –dice– que necesitaría mucho tiempo: no era lo bastante maduro para escribir un libro". Fue entonces cuando descubrió el teatro, "mi pasión primera, fundamental. Intuía que escribir y dirigir eran cosas muy parecidas. Ambas consisten en construir y ordenar mundos".


Convertido en actor. A los 19 años, sin proponérselo, se encontró convertido en actor. "No era lo mío, desde luego. El director, muy valiente por cierto, me ofreció escribir una obra. Y la escribí, en 1968. Se llamaba Feria popular. Era una pieza satírica y provocó un escándalo maravilloso. Un crítico se enfadó tanto que acabó diciendo que yo llevaba unos zapatos horrendos. Pero dimos 100 representaciones".


Su madre se suicidó cuando Mankell acababa de cumplir los 20. No le pregunto nada. ¿Para qué? Ese gran silencio está en su interior. Un silencio lleno de palabras escritas, representadas, de actividad constante, de vida que en cualquier momento puede acabarse, como un portazo. La vida de Mankell tiene dos habitaciones. "En una escribo y estoy solo. La otra es más grande, mejor iluminada, y está llena de gente, los míos, con los que hago teatro".


Poca gente en España conoce su faceta de hombre de teatro, aunque, dice, "visitamos Sevilla durante la Expo 92, con un montaje mío de Los bandidos de Schiller". En estos momentos se están dando en Europa entre 10 y 15 montajes de sus obras más recientes, como Up and down, en Londres, o Antílopes, en París. Adora a Calderón y a Lorca, "una de mis primeras fuentes de inspiración", de quien montó Bodas de sangre en Mozambique, "porque podría ser perfectamente una historia africana". Brecht también ha sido muy importante para él. Y, por encima de todo, Shakespeare, siempre. Mankell afirma que Macbeth es "la mejor obra criminal de la historia", pero nunca se ha atrevido a montarla. "Temo no hacerlo bien, estropear esa maravilla, aunque mi auténtica favorita es Sueño de una noche de verano. Lo tiene todo, absolutamente todo. Es como escuchar a Mozart y a Bach trabajando juntos".


Durante un tiempo, Mankell dirigió el Kronobersteatern de Vaxjo, en el que sólo programaba obras suecas. "Fue un gran éxito, pero cometí el peor error de mi vida: ser director y gestor al mismo tiempo. Una catástrofe total. Durante cuatro años no pude escribir una línea". Hasta que volvió a África, con la que soñaba desde niño, "cuando leía los grandes viajes de los exploradores victorianos". Viajó a Guinea-Bissau a los 24 años, "para airear mi cabeza". A finales de los años ’70 se instaló en Zambia con su primera mujer, una enfermera. "Un día me llamó Manuela Sueiro, la directora del teatro Avenida. Mozambique acababa de conseguir la independencia y ella se puso al frente del teatro Avenida con un grupo de actores y actrices jóvenes llamado Mutumbela Gogo. Viajé a Maputo y me propusieron trabajar juntos. No pude volver a Luanda porque no había vuelos hasta la semana siguiente. Aquella semana en Maputo ha durado 25 años. Debería enviar una carta de agradecimiento a las líneas áreas de Angola".


Amor al arte. Mankell trabaja en el teatro Avenida por amor al arte. Y a la cultura: "Mozambique es un país extraordinariamente pobre. Un 70 por ciento de la población no sabe leer ni escribir, por lo que el teatro tiene una importantísima tarea que desempeñar, de la que me siento orgulloso. El gobierno no puede subvencionarnos, porque está en bancarrota, de modo que nos financiamos con la venta de entradas. Viene gente de toda África a vernos. Yo contribuyo todo lo que puedo. La gente habla del Avenida como si fuera mío, pero formo parte de un grupo. Somos 30 o 40 personas, yo soy el director artístico, y Manuela es nuestra jefa".


Su línea teatral es muy clara: "No podemos permitirnos experimentos formales. Nuestro público quiere historias poderosas y bien contadas. Tenemos un repertorio muy amplio. Clásicos como La buena persona de Sezuan, de Brecht; Woyzeck, de Buchner; Bodas de sangre. He escrito musicales: As teias de Maputo, con canciones de Celso Paco. Teatro infantil, adaptaciones de relatos orales, o mis propias obras. La última, que estrenamos el pasado noviembre, se llama Las hijas de Nora. La escribí para conmemorar el centenario de Ibsen y los 25 años de Mutumbela Gogo. Somos, en cierto modo, embajadores de Mozambique en Europa".


Mankell colabora con su mujer, Eva, directora del Backa Teater, de Gotemburgo, con el que suelen intercambiar espectáculos, y pasa largas veladas con Ingmar Bergman, "un ícono para toda mi generación: nos ha influido a todos. Tengo una relación muy íntima con él. Hablamos mucho, especialmente de música. No es frecuente que tu suegro sea una persona tan estimulante". En Mozambique, los seis meses restantes, lleva "una vida muy normal: la agitación está dentro de mi cabeza". Vive en un piso muy pequeño, en el centro de Maputo. "Me levanto pronto para poder escribir un promedio de cuatro páginas diarias y por la tarde trabajo en el teatro. Por las noches ceno con mis compañeros o me quedo en casa leyendo. Para mí es una vida perfecta. No conozco nada más divertido ni más apasionante. Lo único que lamento es que el día no tenga 25 horas".

Mika Brzezinski of MNSBC rips Paris report

E se os jornalistas fossem todos assim?! Obrigado Mika!

Alguns blogs a fixar

Blogs pescados no "Público":

http://darussia.blogspot.com/

http://dererummundi.blogspot.com/

http://eurotalkiac.blogspot.com/

http://artephotographica.blogspot.com/