Conta-se por aqui, em jeito de anedota, que um certo dia alguém perguntou a um antigo Presidente por que tinha 12 ministros no seu Governo. O Presidente respondeu que Jesus Cristo também tinha 12 ajudantes... Uns anos mais tarde, com um Governo de 40 ministros e vice-ministros, fizeram a mesma pergunta ao Sr. Presidente e a resposta foi idêntica: "Ali Babá também tinha 40 ajudantes"...20 de Julho de 2007
Anedota?
Conta-se por aqui, em jeito de anedota, que um certo dia alguém perguntou a um antigo Presidente por que tinha 12 ministros no seu Governo. O Presidente respondeu que Jesus Cristo também tinha 12 ajudantes... Uns anos mais tarde, com um Governo de 40 ministros e vice-ministros, fizeram a mesma pergunta ao Sr. Presidente e a resposta foi idêntica: "Ali Babá também tinha 40 ajudantes"...17 de Julho de 2007
União Ibérica, por supuesto!
Por isso, quando olho para esta entrevista, insiro-a obviamente num contexto de discussão secular (por ora apenas adormecida e instrumentalizada), em que, à semelhança dos debates em relação ao conjunto do espaço europeu e aos seus vários modelos de integração, também a possível união ibérica merece toda a atenção, enquanto debate de ideias, tão válido como qualquer outro que implique transformações e mudanças significativas no percurso da nação portuguesa. Os argumentos a favor e contra devem ser vistos num plano de igualdade e não com o sentido ridicularizante com que por vezes a questão é tratada, como se não valesse nunca a pena discutí-la, só porque uma classe de intelectuais se acha no direito de achar que a resposta já está encontrada e está legitimada pelo comodismo (e ignorância) do povo.
Pois eu, desde há muito concordo com esta ideia agora trazida por Saramago, não como o fim de um país chamado Portugal, mas como um aprofundamento político daquilo que já iniciou há anos (ora imposto pela realidade União Europeia, ora concertado entre os governos dos dois países em várias matérias: justiça, polícias, fronteiras, electricidade, caminhos-de-ferro, estradas, água, etc., etc.). Uma integração dos dois estados num nível sub-regional face à Europa não é mais do que um aprofundamento dos objectivos da própria União Europeia. É materialização de uma Europa a várias velocidades, em que estes dois estados, pelo menos nesta matéria, passam a estar no pelotão da frente, no esforço conjunto de harmonização de políticas de desenvolvimento regional e diminuição das assimetrias existentes. Tal como não deixou de existir Portugal com a entrada na CEE/UE, também não deixaria de haver autonomia política, nem deixaria de existir enquanto Estado, com a integração no espaço ibérico. Trata-se de aprofundar politicamente a partilha de soberania em várias matérias que permitam um crescimento sustentado das duas economias e vantagens comparativas face às grandes potências europeias: Alemanha, Reino Unido, França, Itália, quer na esfera europeia (alargada a 27 membros), quer à escala internacional, onde os dois países têm interesses em diferentes regiões do Globo (América Latina, África e também agora a Ásia).
Um modelo integrador e integrante de tipo federalista (mais do que descentralizado), como se vive em Espanha já actualmente, não só permite melhor qualidade de vida aos portugueses (e espanhóis, por que não?), como permite desencadear processos de crescimento económico, desde que com simplificação da administração pública e diminuição das estruturas de Estado existentes, para patamares de desenvolvimento ao nível das grandes potências europeias, com maiores economias de escala, divisão do trabalho, integração total do mercado ibérico nos diversos sectores-pilar, desencadeamento de grandes projectos pensados à escala peninsular, concorrência mais eficiente nos espaços económicos emergentes, etc., etc., etc.
Poderá dizer-se que a Espanha, enquanto oitava potência industrial do mundo e 5ª da Europa, dispensa bem uma união com Portugal, já que, com ou sem maior integração política, vai "integrando" a alta velocidade o mercado português, no plano económico... Por esse motivo, vejo a união dos dois estados precisamente com o objectivo de nos precavermos dessa dependência económica (motivada por fenómenos de concorrência desigual), através da criação de um espaço político-administrativo que promova a harmonização do conjunto do espaço da península e não o crescimento das assimetrias a que assistimos. Ou seja, só com a participação e voz portuguesas nalgum tipo de Governo de tipo federal poderemos, em conjunto com a Catalunha, a Galiza, o País Basco (se for possível), arranjar formas de regular e zelar para que esse objectivo seja concretizável. Estando fora, ou continuando como concorrentes (o que é ridículo face à nossa exiguidade) só nos deixa cada vez mais frágeis perante esta potência em pleno crescimento e afirmação.
É pena que o assunto seja abordado de forma tão ligeira por Saramago, o que quase dá razão aos que acham o debate ridículo, mas felizmente Saramago é apenas um entre dezenas de pensadores (e milhares de cabeças pensantes) que também acham que Portugal, enquanto Estado, é, ao mesmo tempo, um erro histórico e um milagre geopolítico, de âmbito quase paranormal... talvez muito à custa de um permanente bajulismo a outras potências, como a Inglaterra, o que nos custou bem caro.
Não é o espaço para desenvolver aqui as minhas ideias sobre o assunto (seria leviano fazê-lo desta forma), foram só uns meros desabafos, pois é matéria de algum empolgamento emotivo... não estivesse eu para concretizar a ideia de Saramago no plano pessoal...
Conveniente, não?
Este foi o regresso mais longo de José Saramago a Portugal desde que a polémica que envolveu a candidatura do seu livro O Evangelho segundo Jesus Cristo ao Prémio Literário Europeu o levou para um "exílio" na ilha espanhola de Lanzarote. A atribuição do Prémio Nobel parece tê-lo feito esquecer essas mágoas, mas não amoleceu a sua visão da sociedade e da História, que continua a ser polémica. Como se pode ver nesta entrevista.
Durante dois dias, o Nobel da Literatura português sentou-se no sofá e analisou o estado do mundo.
Na única entrevista que concedeu durante a temporada passada na sua casa de Lisboa, falou muito de política, mais de literatura e também da vida e da morte. Pelo meio ficou o anúncio da criação da fundação com o seu nome e a revelação de que está a escrever um novo livro.
A união ibérica
Este regresso a Portugal é um perdão?
O país não me fez mal algum, não confundamos, nem há nenhuma reconciliação porque não houve nenhum corte. O que aconteceu foi com um governo de um partido que já não é governo, com um senhor chamado Sousa Lara e outro de nome Santana Lopes. Claro que as responsabilidades estendem-se ao governo, a quem eu pedi o favor de fazer qualquer coisa mas não fez nada, e resolvi ir embora. Quando foi do Prémio Nobel, dei uma volta pelo país porque toda a gente me queria ver, até pessoas que não lêem apareceram! E desde então tenho vindo com muita frequência a Lisboa.
Vive num país que pouco a pouco toma conta da economia portuguesa. Não o incomoda?
Acho que é uma situação natural.
Qual é o futuro de Portugal nesta península?
Não vale a pena armar -me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos.
Política, económica ou culturalmente?
Culturalmente, não, a Catalunha tem a sua própria cultura, que é ao mesmo tempo comum ao resto da Espanha, tal como a dos bascos e a galega, nós não nos converteríamos em espanhóis. Quando olhamos para a Península Ibérica o que é que vemos? Observamos um conjunto, que não está partida em bocados e que é um todo que está composto de nacionalidades, e em alguns casos de línguas diferentes, mas que tem vivido mais ou menos em paz. Integrados o que é que aconteceria? Não deixaríamos de falar português, não deixaríamos de escrever na nossa língua e certamente com dez milhões de habitantes teríamos tudo a ganhar em desenvolvimento nesse tipo de aproximação e de integração territorial, administrativa e estrutural. Quanto à queixa que tantas vezes ouço sobre a economia espanhola estar a ocupar Portugal, não me lembro de alguma vez termos reclamado de outras economias como as dos Estados Unidos ou da Inglaterra, que também ocuparam o país. Ninguém se queixou, mas como desta vez é o castelhano que vencemos em Aljubarrota que vem por aí com empresas em vez de armas...
Seria, então, mais uma província de Espanha?
Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar. O Ceilão não se chama agora Sri Lanka, muitos países da Ásia mudaram de nome e a União Soviética não passou a Federação Russa?
Mas algumas das províncias espanholas também querem ser independentes!
A única independência real que se pede é a do País Basco e mesmo assim ninguém acredita.
E os portugueses aceitariam a integração?
Acho que sim, desde que isso fosse explicado, não é uma cedência nem acabar com um país, continuaria de outra maneira. Repito que não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português. Seríamos aqui aquilo que os catalães querem ser e estão a ser na Catalunha.
E como é que seria esse governo da Ibéria?
Não iríamos ser governados por espanhóis, haveria representantes dos partidos de ambos os países, que teriam representação num parlamento único com todas as forças políticas da Ibéria, e tal como em Espanha, onde cada autonomia tem o seu parlamento próprio, nós também o teríamos.
Há duas Espanhas
Os espanhóis olham-no como um deles?
Há duas Espanhas neste caso. Evidentemente, tratam-me como se fosse um deles, mas com as finanças espanholas ando numa guerra há, pelo menos, quatro anos porque querem que pague lá os impostos e consideram que lhes devo uma grande quantidade de dinheiro. Eu recusei-me a pagar e o meu argumento é extremamente simples, não pago duas vezes o que já paguei uma. Se há duplicação de impostos, então que o governo espanhol se entenda com o português e decidam. Eu tenho cá a minha casa e a minha residência fiscal sempre foi em Lisboa, ou seja, não há dúvidas de que estou numa situação de plena legalidade. Quanto aos impostos, e é por aí que também se vê o patriotismo, pago-os pontualmente em Portugal. Nunca pus o meu dinheiro num paraíso fiscal e repugna-me pensar que há quem o faça. O meu dinheiro é para aquilo que o Governo entender que serve.
Mas não pode negar que o olham como um deus...
Não diria tanto...
Mesmo sendo a crítica espanhola tão positiva em relação à sua obra?
Também já foi uma ou outra vez um pouco negativa - talvez devido às minhas posições políticas e ideológicas - mas de um modo geral tenho uma excelente crítica em toda a parte, como é o caso dos EUA, onde é quase unânime na apreciação da minha obra.
Ibéria, Espanibéria ou mesmo Espanha?
“Por supuesto!”
“São cada vez mais os alunos portugueses a estudarem a língua espanhola. O número de matriculados triplicou em três anos. O francês vai-se tornando opção residual”.
(Jornal “Público” de 16 de Julho)
O escritor José Saramago deu uma entrevista, no passado dia 15 de Julho, a um jornal diário de expansão nacional, no qual afirmou, entre outras coisas, que “Portugal acabará por integrar-se na Espanha e que(...) não deixaria de falar, pensar e sentir em português. Seríamos aqui o que os catalães querem ser na Catalunha”.
Palavras sensatas e que não deixarão de ser premonitórias face à proverbial incapacidade do nosso país em aproximar-se do pelotão da frente dos países mais ricos da Comunidade Europeia. Cada vez mais é o “carro vassoura”. E, não tardará muito, ver-nos-emos ultrapassados pelos novos países que há relativamente pouco tempo aderiram à Comunidade...É uma questão de tempo.
No dia seguinte à entrevista, dia 16, surgiram algumas virgens púdicas mais ou menos ofendidas, mais ou menos figuras públicas, como o caso do inoperante e anódino ex-ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) de má memória, de seu nome António Martins da Cruz, a afirmar, entre outras vacuidades que Saramago deveria “ deixar a política para os políticos e a estratégia para os estrategas”... Nada de mais superficial, nada de mais imprudente nestas afirmações de Martins da Cruz. A política, de resto, num regime democrático, é “uma coisa muito séria para ser deixada somente à arbitrariedade dos políticos”. E quem julga só saber Ciência Política e se tem em grande conta como “político” de alto coturno, não sabe nada, de nada. De resto, muitas asneiras e muitos descalabros financeiros têm a chancela de políticos profissionais.
A evolução histórica, cultural, científica, técnica de um país é dinâmica, progressiva e resulta de vários factores e condicionantes que indiciam determinado tipo de desenvolvimento que seria exaustivo estar a enumerar. Lembremos que a Espanha é a décima potência a nível mundial. É um país pujante, com uma taxa de crescimento imparável e um PIB em crescendo. Cada vez mais os empresários investem em Portugal (as grandes herdades no Alentejo estão passando para as suas mãos e não cessam de fazer grandes negócios em Lisboa e no Porto). O ordenado médio do cidadão espanhol é o dobro (nalguns casos o triplo) do ordenado médio do cidadão português. Muitos portugueses das zonas fronteiriças deslocam-se às vilas e cidades espanholas com o objectivo de adquirirem bens de primeira necessidade (e não só) e aproveitam para atestar de gasolina os depósitos dos seus automóveis (mais caros que os automóveis espanhóis, diga-se de passagem) e chegam à conclusão que beneficiaram a sua bolsa. Por outro lado, tem-se verificado que milhares de portugueses procuram o país vizinho para arranjarem emprego na construção civil, para procurarem emprego sazonal nas grandes herdades na apanha dafruta. Outros portugueses que ainda vão tendo algum desafogo(?) económico, demandam as praias espanholas, sejam da costa, sejam das ilhas, uma vez que a zona turística do Algarve se está transformando numa caríssima província inglesa dentro do país— o ministro Manuel Pinho, declarou há dias, que pretende para o Allgarve (que pacovice a designação estrangeirada) turismo de luxo!
Voltando às afirmações de José Saramago. Naturalmente que os políticos encartados e profissionais não viram com bons olhos- repudiaram mesmo—, as plausíveis afirmações de Saramago. Estes políticos que temos, em termos de vencimentos e regalias nos cargos públicos que ocupam, aproximam- se e/ou equiparam-se (em muitos casos até ultrapassam) os seus homólogos espanhóis. A Casa Real Espanhola, por exemplo, recebe menos subvenções estatais do que o Palácio de Bélem. Ou seja, a República Portuguesa, tão solidária com o zé povão, fica em média mais cara do que a Monarquia “elitista” espanhola... Já o cidadão anónimo e trabalhador, o “zé português”, aquele que labutanos vários serviços, nas várias instituições e vários organismos públicos e privados (diplomados ou não, especializados ou não) deste pobre país que aparenta gorgomilo e jactância, confrontado com o nível de vida do cidadão espanhol, sente-se defraudado, sente-se desanimado por verificar que“nuestros hermanos” nada têm a ver connosco. Um aparte: Klaudia Palczak,polaca, mestre em Sociologia e trabalhando, em Lisboa, no Observatório Europeu da Droga e Toxicodepência (OEDT), afirmou, numa entrevista dada a um jornal diário de expansão nacional, que não sabe “onde é que os portugueses, com o que ganham, vão buscar dinheiro para comprar carros tão caros?”...
Se os políticos espanhóis são bem mais pragmáticos, mais honestos , mais objectivos e menos exibicionistas do que os políticos portugueses; se a economia espanhola está crescendo, notoriamente; se os empresários e os industriais espanhóis investem cada vez mais no “nosso” país em diversas áreas que vão desde a agricultura às construções imobiliárias, passando pelo turismo, pelos bancos, pela indústria, pelas confecções, etc; se a dinâmicados empresários e industriais espanhóis impulsiona o desenvolvimento no país vizinho, estes nada têm a ver com a peculiar mentalidade dos nossos empresários e industriais, sempre à espera do subsidiozinho estatal (os carros caros que Klaudia Palczak vê nas ruas de Lisboa , e noutras zonas do país, não terão nada a ver com isto?); se, até no desporto, seja no ténis, no automobilismo e motociclismo de competição, no futebol, no basquetebol e outras modalidades os espanhóis nos “ dão cartas”, alguém ficará melindrado (ou chocado) se a Espanha, paulatinamente, vier a anexar ou a integrar o “nosso” país? António M. Da Cruz, ex-MNE, ao acusar José Saramago de este “ser incapaz de defender Portugal”, não se dá conta da retórica improfícua e inane que produz com esta afirmação? A melhor forma de defender Portugal é o “nosso”país- afirmar-se- no-desenvolvimento-sustentado-no-progresso-da-economia-com-preocupações-de-âmbito-social-que-permita-um-razoável-nível-de-vida-face-a-outros-países-europeus. O que não está suceder. Os políticos e as suas clientelas que nos têm governado, estão mais preocupados em bichanarem prebendas, sinecuras e mordomias e estão mais preocupados em captarem o dinheiro que, de Bruxelas, vem jorrando para este pequeno país adormecido e mal governado. Por isso não será de admirar que Portugal, mais dia menos dia, seja integrado de forma administrativa, estrutural e territorial na Ibéria, Espanibéria ou Espanha (como a queiram designar) com a capital em Madrid. Bem poderá ser a nossa salvação.
Vila Real
in Jornal "O Primeiro de Janeiro"
1 de Julho de 2007
Hambanini!
As Filhas de Nora, de Henning Mankell

“Nunca pensé que escribiría policiales”El creador del detective Kurt Wallander ha vendido más de 25 millones de libros en todo el mundo. Es uno de los responsables del auge de la novela negra.
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