30 de janeiro de 2008

Escala em Maputo: 6 dias


Seis dias em Maputo, quase sem tempo para respirar. A agenda social, muito preenchida dado o pouco tempo para estar com muitos daqueles (obrigado Amigos!) que fizeram parte integrante da minha vida nos últimos 2 anos e que (por que será?) ainda por cá andam... e os briefings no novo trabalho não permitiram as horas de sono necessárias para re-habituar o corpo às constantes temperaturas acima dos 30º e à humidade acima de 75%. Mas, tudo o resto compensa. Vou sentir falta desta pequena agitação, bem sei... quando se esgotarem todas as alternativas de "compensação" na pacata vila para onde vou (2 semanas, será?), mas, enfim, nada a fazer, há apenas que encontrar fórmulas novas de sobrevivência e resistência...


Livros? Esgotar-se-ão rapidamente... Escrever? Tentarei não ser preguiçoso... tal são os efeitos terapêuticos desta prática... Música? Talvez... sempre são uns 30 gigabytes... acho... Actividades físicas? Pois... enquanto não se vislumbra uma melhor (e bem mais agradável) alternativa, só me resta correr e muito... Ou talvez dedicar-me à mashamba... Praia? De certeza absoluta! Pemba e várias maravilhosas praias estão ali ao lado... a 2 horas ou pouco mais de caminho... E sempre tenho um mergulho (só unzinho!) para ter o curso acabado... Copos? Eh pá, espero que não sejam muitos, a sério. Uma Manica fresca de vez em quando (pois) e um bom copo de vinho em Pemba... acho que serão suficientes, não? Viajar? Pois, sempre que possa. Por alguma razão renovei o meu equipamento de campismo (sim... campismo!) nos saldos de Barcelona... Amigos? Novos ou já existentes, quantos mais e melhores... Terei sempre a casa aberta para visitas e não deixarei de exigir o cumprimento de todas as promessas que entretanto foram feitas... O resto? Só o Tempo moçambicano me trará...


Amanhã... um pequeno passo em Pemba... um grande passo para Montepuez, esperemos... Termina aqui o turbilhão de posts de Janeiro e, agora, só mesmo quando voltar às tecnologias do século XXI, muito de vez em quando. Não estranhem! Espero poder concentrar algumas notas que irei escrever e também imagens que irei recolhendo sempre que possível.

25 de janeiro de 2008

Moçambique... outra vez!

A viagem não custou muito, mas a sensação foi a de uma "primeira vez"... Muitas dúvidas ainda pairam... Enquanto obrigo o corpo e a mente a re-habituarem-se à humidade e ao calor execessivos ("hoje não está tão mau", dizem eles), percorro as ruas, revejo caras e re-apuro sentidos... A saudade de uma "casa" que não sei ainda se é minha está afinal entranhada e multiplicam-se estados de alma, ora de alegria, ora de tristeza, de mão dada com uma nostalgia de um futuro que não foi afinal presente...

23 de janeiro de 2008

Revolução e rotina


Chegou a hora de pensar o país – o que é o mesmo que dizer, chegou a hora do recreio. Aliás, pensar o país está na moda.
João Wengorovius Menezes
“O mais alto grau de espiritualidade é fazer a cama e arrumar o quarto todos os dias.” Ditado budistaA notícia de capa do suplemento “Economia” da última edição do jornal “Expresso” é peremptória: “Cem jovens lançam Novo Portugal.” Segundo o “Expresso”, cem jovens “quadros” preparam-se para debater o “país que querem deixar aos filhos” (ser “jovem”, neste caso, significa ter menos de 45 anos de idade). Para tal, terão um passeio de dois dias no Douro, do qual deverão resultar sete desígnios para o país, que serão posteriormente entregues ao Presidente da República. Reconhecendo de antemão que “a bitola está muito elevada”, este grupo de jovens debutantes deseja um “Novo Portugal”. Como? “Mexendo com as pessoas, com as mentalidades”. Tudo empacotado numa “óptica de utopismo razoável”.
Para este jovens audazes, ganha a batalha da “carreira”, chegou a hora de pensar o país – o que é o mesmo que dizer, chegou a hora do recreio.
Aliás, pensar o país está na moda. Do movimento Compromisso Portugal a agências de publicidade e grupos de jovens, o país olha-se ao espelho – e sempre da mesma forma higiénica, encenada e virtual, sem nunca abandonar o domínio das ideias e da mudança de “mentalidades”, como convém.
Em certa medida, a culpa dos disparates em que acreditam estes (e outros) jovens é do nosso sistema educativo, que aborda o conhecimento e a vida sem nenhum sentido prático e criativo, sempre numa óptica ‘top-down’. É, por isso, um sistema propício à (re)produção de cidadãos teóricos e “iluminados”.
A mudança ou, para elevar ainda mais a “bitola”, a revolução faz-se no quotidiano. No fundo, o maior contributo que cada um destes jovens “quadros” poderia dar ao país seria gerir BEM as suas empresas, empenhar-se nas suas comunidades locais, participar politicamente e adoptar comportamentos e modos de vida consentâneos com os seus ideais.
Ser agente de mudança é um grande desafio. Antes de ser Czar, Pedro, o Grande, veio anónimo à Europa e trabalhou como carpinteiro na construção naval. Porquê? Para que a experiência da carência lhe ensinasse o que lhe faltava para ser “Grande”.
Como podem jovens “quadros” ser uma voz para a mudança sem terem feito algo mais pelo desenvolvimento ou pela coesão social do país do que trabalhar em empresas?
Trabalhei durante alguns anos no Chapitô. Sempre que o apresentava como uma boa ideia, a fundadora corrigia-me dizendo: “ideias tem a burguesia, o Chapitô é um projecto.”
Ainda que inocente e bem intencionado, o mais provável é que o interesse destes jovens pelas ideias e desígnios nacionais seja uma forma de distracção, que encontra em Eduardo Lourenço uma explicação: “a Humanidade faz tudo para se distrair, é uma paixão pela distracção como diria Pascal. A concentração exigiria de nós uma conversão que mataria os nossos interesses e paixões, deixaríamos de fazer qualquer tipo de sentido.” Provavelmente, uma adesão prática e quotidiana a um “Novo Portugal” seria de tal modo exigente que seria uma violência excessiva.
Um novo modelo de socialismo liberal, alternativo à actual “ditadura da não alternativa”, foi o que levou o filósofo brasileiro Roberto Mangabeira Unger a abandonar a sua carreira académica, em Harvard, para ser ministro extraordinário dos Assuntos Estratégicos do Brasil. Para ele, a “Terceira Via” equivale a “capitalismo açucarado” e o ideal de converter a América Latina numa “Suécia tropical” não serve. Nos seus livros, Mangabeira deseja mais, deseja uma nova democracia, assente em cidadãos e comunidades dinâmicos e intervenientes, que destrua a distinção entre revolução e rotina. Fica como sugestão de leitura para o Douro.
E se a dado momento vos apetecer um projecto, para que as ideias não sejam a vossa última estação, ajudem as cidades portuguesas a serem espaços inteligentes e criativos, competitivos e inclusivos, adoptando, alargado a mais áreas, o projecto “Living Labs”.


Nota: Mangabeira Unger estará na Gulbenkian no próximo dia 30 de Maio no “nextrev – congresso internacional de inovação social”.


João Wengorovius Menezes, Gestor na ONG TESE

22 de janeiro de 2008

A Oeste... nada de novo?



Um blog a descobrir: Rotação dos Tempos...




Luís, não foi surpresa! Surpresa é se não publicares um dia destes...


Já agora, deixo um artigo teu de 2002, que hoje até soa a Poesia, que é bom lembrar de vez em quando, não?





Por: Luís Natal Marques


O problema do desequilíbrio orçamental do Estado tem raízes, precisamente, no facto de haver quem assobie para o lado (e o PS assobiou a partir de certa altura) quando se fala numa efectiva arrecadação das receitas e da reforma do sistema fiscal

11-04-2002



“Governa-se a boca conforme a bolsa”

In O Grande Livro dos Provérbios- J. P. Machado


A propósito da discussão sobre o desequilíbrio orçamental do Estado, lembrei-me de uma situação com a qual me defrontei enquanto vereador da Câmara Municipal de Torres Vedras. Um colega meu de vereação resolveu escrever uma missiva ao pessoal dirigente que lhe estava afecto. Nela dava nota do orçamento do sector de cada um, e rematava dizendo que era desejável que no fim do ano todos os valores orçamentados na despesa estivessem consumidos.


Tenho comigo os comentários que na altura teci, por escrito e a quem de direito, nos quais me rebelava contra à prática instituída de gastar o que está orçamentado na despesa, chutando para o lado a arrecadação da receita.


O facto é que apesar de uma despesa estar orçamentada não significa que exista dinheiro para paga-la, até porque as receitas são muito mais “voláteis”, não dependendo, tanto quanto a despesa, da vontade de quem as controla: uma crise sectorial/geral, uma artimanha legal/fiscal, entre outras tantas situações, deitam facilmente as previsões da receita por terra.


Não estou com esta conversa a duvidar nem da justeza nem da necessidade de despesas que sabemos serem importantes para a satisfação de necessidades colectivas. Estou, antes, a dizer que o que se espera de quem governa é que em cada momento opte (não é isso a política?), sem perder de vista o interesse público e os equilíbrios financeiros necessários. Trata-se de uma tarefa de rigor que compete a todos e não só a alguns.


Em relação ao Orçamento de Estado, está neste preciso momento na berlinda a despesa pública. Curiosamente ninguém fala da sua justeza e bondade. Porém, parece existir unanimidade nalguns sectores quando a consideram excessiva. No entanto, quando nos comparamos com o resto da Europa, verificamos que o peso da despesa publica portuguesa no PIB fica aquém da média europeia. Na educação, na saúde, nas prestações sociais, nas transferências para o poder local, basta consultar a estatísticas e facilmente se conclui isso mesmo. Os Estados europeus evoluíram da infra estruturação para a prestação de serviços há muitos anos, e essa evolução traduziu-se em acréscimos de despesa pública essencialmente corrente. A despesa pública portuguesa nesta perspectiva não é demasiada. Porventura haverá falhas na sua alocação, desperdícios evitáveis e opções menos correctas. Não nego. Mas não é excessiva.


Quando perguntei a um amigo que medidas de alcance social ele identificava com os governos do PS, ele apontou-me uma boa meia dúzia: rendimento mínimo garantido; alargamento do ensino pré-primário; apoio aos idosos; discriminações positivas nas reformas e nas transferências de verbas para as autarquias, etc. Reparem como são (todas) medidas que agravam a despesa pública. A criatividade foi posta na despesa, esquecendo que a justiça social também pode chegar através da receita do Estado: leia-se do sistema fiscal.


O problema do desequilíbrio orçamental do Estado tem raízes, precisamente, no facto de haver quem assobie para o lado (e o PS assobiou a partir de certa altura) quando se fala numa efectiva arrecadação das receitas e da reforma do sistema fiscal.


Em 1995 foram bandeiras da campanha do PS a reforma da fiscalidade e a sua moralização. Eu próprio escrevi textos entusiasmados sobre o assunto e, foi com alguma mágoa, que assisti aos recuos, indecisões e falta de coragem do PS nessa matéria.


O Estado Português não cobra as receitas a que tem direito e boa parte da classe política continuará a não querer falar nisso. É mais fácil dizer que se gasta de mais.

21 de janeiro de 2008

Portishead

Pois... só para chatear, e já me esquecia, também os Portishead regressam a Portugal a 26 e 27 de Março para dois concertos nos coliseus do Porto e de Lisboa, respectivamente.

A banda britânica vai lançar em Abril o seu primeiro álbum de originais em 11 anos!

Queremos mais músicas como esta Only you, Roads e All Mine, mas também com curiosidade de ver como a banda evolui e se reencontra, depois de anos a ouvir a genial Beth Gibbons a solo...

Os meus 5 filmes de 2007

Podem não ser os melhores, mas foram os que vieram à cabeça em primeiro lugar... e isso já serve de critério, não?

Claro que adorei também os conhecidos "Michael Clayton" e "Eastern Promises"... e até o espanhol "Canciones de amor en Lolitas Club", que vi mais recentemente...

Claro que adoraria poder pôr "4 meses, 3 semanas e 2 dias", ou "Juno", ou "No Country for Old Man", ou "There Will Be Blood", ou "No vale de Ellah", ou "O Assassínio de Jesse James pelo cobarde Robert Ford", ou "Gangster Americano", ou "O Escafandro e a Borboleta", ou "Away From Her", ou "Sweeney Todd"... mas

estes ainda não vi!


Agora, aquele que destacaria, apesar de não ser de 2007, foi sem dúvida o aclamado "A(s) Vida(s) dos Outros" (Das Leben der Anderen). Uma obra-prima!

LAS 13 ROSAS

Narra la historia de unas jóvenes condenadas a muerte por un Tribunal Militar por un delito que no habían cometido. Detenidas al mes de acabar la contienda, sufrieron duros interrogatorios y fueron a parar a la cárcel madrileña de Ventas. Las reclusas las bautizaron como 'las menores', que pensaban que sólo pasarían unos años en la cárcel y acabaron siendo acusadas de un delito de "adhesión a la rebelión", por reorganizar la JSU y por intentar un atentado contra Franco. Un Tribunal Militar las condenó a muerte y fueron fusiladas en la madrugada del 5 de agosto de 1939.

Ensemble, c'est Tout

Lamechas, eu sei... Mas a Audrey tem um lugar especial, apesar de parecer sempre a mesma, ou de a fazerem parecer sempre a mesma, não sei...

Death at a Funeral

Na manhã do funeral de um ente querido, família e amigos vão chegando com os seus problemas e ansiedades. O filho Daniel sabe que terá de enfrentar o pretensioso irmão Robert (Graves), um famoso romancista. A sua prima Martha e o noivo Simon estão desesperados por causar boa impressão ao pai dela, um plano que sai de imediato furado quando Simon ingere acidentalmente um alucinogénio. E há ainda o misterioso convidado mistério que ameaça desvendar um chocante segredo de família...

Redacted

O texto seguinte foi publicado no jornal Diário de Notícias de 20 de Dezembro de 2007 com o título `Um filme de guerrilha multimédia`.

Rodado em digital na Jordânia, em 18 dias e por cinco milhões de dólares (3,4 milhões de euros), financiado pelo milionário, produtor e exibidor Mark Cuban, e distinguido no Festival de Veneza com o Leão de Prata do Melhor Realizador, «Censurado», de Brian De Palma, é um filme tão anti-guerra do Iraque como anticonvencional.

Em 1989, De Palma realizou «Corações de Aço», baseado num facto real ocorrido durante a guerra do Vietname, quando cinco soldados americanos raptaram, violaram e mataram uma rapariga vietnamita. «Corações de Aço» ecoa temática, emocional e politicamente em «Censurado», mas não formalmente.

O realizador revisita um episódio sucedido o ano passado em Samarra, no Iraque. Um grupo de GI violou e matou uma jovem local e massacrou-lhe a família, incendiando depois a casa com os corpos lá dentro, para simular uma acção terrorista. Foram apanhados, julgados e punidos.

Em vez de uma forma de contar convencional, Brian De Palma escolheu uma narrativa fracturada e empapada na cultura multimédia contemporânea, recorrendo a uma recriação daquilo a que chamou "as imagens não editadas e não censuradas" sobre o Iraque, que escapam ao controlo e à edição, quer da censura militar quer dos media.

Estamos a falar de câmaras digitais empunhadas por soldados e por resistentes iraquianos, de imagens feitas por telemóvel ou câmaras de segurança, de filmes do YouTube, de animações em sites da Net anti e pró-guerra ou jihadistas, de blogues, reconstituções de telejornais ou documentários estrangeiros fingidos.

«Censurado» é um filme de guerrilha multimedia, um puzzle cujas peças são imagens simuladas e retrabalhadas a partir de outras já existentes, produzidas por participantes no conflito ou por pessoas que a ele assistem, um vasto, tosco, visceral e compósito acervo visual fora do alcance dos poderes políticos, militares e informativos. É falso cinéma-verité que transporta uma contestação política bem real: tirem os nossos soldados o mais depressa possível daquele sítio para onde nunca devíamos ter ido, e onde só estamos a fazer asneiras trágicas.

A mensagem passa, mas não passa a emoção, porque «Censurado» resulta neutro e distante, ao contrário da montagem final de imagens reais de atrocidades no Iraque. Ironicamente, Brian De Palma acabou por se ver "censurado" pelo seu distribuidor, a Magnolia Films, que pôs barras negras nos rostos dos iraquianos mortos das fotos, para evitar processos judiciais por parte das famílias.

ATONEMENT

Quando o argumento é excelente, por princípio, temos a garantia de que vale a pena ver o filme. Mas este "Expiação" tem mais ainda: memoráveis interpretações (ai a minha linda Keira que está cada vez mais crescida!); cenas muito bem filmadas (alguém se vai esquecer de toda a sequência da praia com os soldados filmados como num carrossel... para além da da biblioteca?); e, não menos importante, muito rigor nos "cenários", no contexto da época e na mensagem que a história nos quer passar. Se ganha ou não o Óscar já me é indiferente...

SHOUT OUT LOUDS - Tonight I have to leave it

Já sei, é mais uma música de uma publicidade de uma operadora móvel... Já sei, parece plágio dos The Cure... Mas, não é uma grande canção, daquelas que nos põem sempre bem-dispostos!?

18 de janeiro de 2008

The Cure-Friday I'm In Love

Sexta-feira... estou apaixonado!
Por falar em Cure, os concertos deles na península (tão próximos) serão para mim uma das perdas deste ano.. E pensar que ainda não é desta que irei ver os Radiohead... enfim... Espero, pelo menos, aceder à distância aos novos álbuns de Franz Ferdinand, Coldplay, U2, R.E.M que se avizinham...

Museu Colecção Berardo - Arte Moderna e Contemporânea


Hoje fui visitar o Museu Colecção Berardo - Arte Moderna e Contemporânea e perdi-me durante 3 horas... Estive há pouco tempo em centros/museus de arte em Madrid, Valência e Barcelona e não notei grandes diferenças, enquanto espaço de Arte Moderna e Contemporânea. Não é por acaso que Lisboa é considerada um dos melhores destinos para 2008... E quando se nota excelente nível de organização, atenção ao detalhe, grande cobertura de estilos/movimentos e de épocas, tudo em troca de... nada, é obra! É lógico que a linguagem destes espaços é comum nos diferentes países, há tendências a seguir, mas é salutar que nos dêem tempo, a nós público, para entender mensagens, perceber subtilezas, pontos de ligação entre as diferentes obras, muitas vezes tão díspares à partida, quando expostas lado a lado. Por isso, tanto como as obras em si, gostei de como tudo está organizado, do espaço, da luz ou ausência dela, do silêncio... Gostei da qualidade das guias (para além de outros atributos) que não nos fazem sentir uns ignorantes por completo, ao permitirem-nos algum "espaço" para pensar, interpretar e sentir. Apenas se preocupam em dar pontos de referência e ajudar no caminho que escolhemos para nos perdermos por esta(s) exposição(ões)...


Esta colecção de arte moderna e contemporânea internacional dos séculos XX e XXI, abrange, presentemente, cerca de 1.000 obras de mais de 500 artistas. Estende-se por um período de cerca de 100 anos, começando em 1909, com uma pintura cubista de Pablo Picasso, Tête de Femme, e atravessando quase todos os movimentos artísticos mais importantes, incluindo os mais recentes desenvolvimentos na criação artística contemporânea. A Colecção não se limita a categorias dedicadas a períodos específicos. Mais propriamente, é uma colecção aberta que se acrescenta para preencher eventuais lacunas históricas ou novos valores emergentes. Fazem parte obras de alguns dos mais importantes artistas como, Pablo Picasso, Marcel Duchamp, Kasimir Malevich, Piet Mondrian, Francis Bacon, Andy Warhol, Yves Klein, Willem de Kooning, Francesco Clemente, Jenny Holzer, Sol LeWitt, Richard Serra, Alexander Calder, Henry Moore, Fernando Botero, Vito Acconci, Larry Bell, Christian Boltanski, Mario Merz, Nam June Paik, Bill Viola, Bernd and Hilla Becher, Nan Goldin, Andreas Gursky entre muitos outros.


Uma representação da arte portuguesa também está incluída, nomeadamente com obras de Fernando Calhau, Alberto Carneiro, Paula Rego, Helena Almeida, Pedro Cabrita Reis, Pepe Diniz e Fernando Lemos. A intenção de criar uma visão internacional da arte do século XX e o desejo de partilhar esta Colecção com as pessoas, resultou na abertura do Museu Berardo – Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Uma parte da colecção (862 obras) são emprestadas em permanência e podem ser vistas em exposições temporárias.


Movimentos Artísticos?


Abstracção, Abstraction-Création, Action Painting, Arte Bruta, Arte Cinética, Arte Concreta, Arte Digital, Arte Informal, Arte Latino-americana, Arte Povera, Arte Social Pós-Guerra (Kitchen Sink Painters), Bad Painting, Body Art, Chicago School, Conceptualismo, Construtivismo, Cubismo, Dada, De Stijl, Década de 70, Década de 80, Década de 90, English Pre-Pop, Escola de Nova Iorque, Escola de Paris, Escultura Britânica Contemporânea, Escultura Contemporânea, Escultura Europeia, Escultura Europeia Contemporânea, Espacialismo, Experimentalismo, Expressionismo Abstracto, Expressionismo Figurativo, Figuração, Figuração (Natureza Morta), Figuração Narrativa, Figuration Libre, Fluxus, Fotografia, Foto-Realismo, Futurismo, Gestualismo, Grupo CoBrA, Grupo Zero, Hard Edge Abstraction, Hiper-Realismo, Land Art, Letrismo, Light and Space Art, Minimalismo, Neo-Construtivismo, Neo-Dada, Neo-Geo, Neo-Plasticismo, Neo-Realismo, Neue Wilde, New Image Art, Nouveau Réalisme, Nouvelle Figuration, Nova Escultura Americana, Op Art, Paisagista, Pattern Painting, Pop Art, Pós Modernismo, Purismo, Século XXI, Simbolismo mágico, Support-Surface, Suprematismo, Surrealismo, Surrealismo Metafísico, Transvanguarda, Video Art


A não perder a exposição temporária UM TEATRO SEM TEATRO

Exposição co-produzida com o Museu de arte contemporânea de Barcelona
16 de Novembro, 2007 – 17 de Fevereiro, 2008
Comissários: Bernard Blistène et Yann Chateigné
Um Teatro Sem Teatro explora as diferentes propostas artísticas com base num modelo teatral que surgiram desde o início do século XX, e que resultaram em extensões e alternativas às categorias e divisões estéticas das belas artes no interior do espaço alargado das artes visuais.

17 de janeiro de 2008

Abstinência televisiva

Será possível que venha a ter saudades de Grey´s Anatomy? E de Private Practice? E de Nick Tup? E de Crossing Jordan? Just get used for long time with no tv!

The Gift em Madrid


Não é novidade! Os The Gift actuam frequentemente em Madrid e sempre com sala esgotada. Já são há algum tempo uma banda de referência junto de um certo público espanhol, cada vez mais alargado. Vale a pena voltar a vê-los entre hoje e sábado (dia extra)!


Assim consta da página oficial da banda:


Os The Gift vão apresentar-se de novo ao vivo em Madrid desta vez no Teatro Bellas Artes. Os dois concertos estão agendados para os dias 17 e 18 de Janeiro e o grupo será acompanhado por uma coro feminino, uma harpa e outros instrumentistas. Os bilhetes para este espectáculo podem ser adquiridos em www.telentrada.com ou através do número +346 902101212.

The Gift en Madrid

Na noite de 11 de Outubro de 2007, há pouco mais de 3 meses, foi assim no Teatro Eslava (Joy Madrid). Hoje repete-se a empatia entre a banda portuguesa e o crescente público espanhol... Posso confirmar!

Como a ASAE nos lixa a vida...


Já repararam como nos últimos meses e sobretudo nas últimas semanas a ASAE condiciona tanto as nossas conversas e (por que não?) a nossa vida?
Por princípio, eu até acharia a Missão da ASAE uma coisa boa. E acho... digamos que... por princípio... e porque me preocupam os fenómenos da contrafacção, bem como com tudo o que induza o excesso de colesterol e a deterioração da actividade cerebral, em geral. Ora vejamos:
"A ASAE é a autoridade administrativa nacional especializada no âmbito da segurança alimentar e da fiscalização económica.
Deste modo, é responsável pela avaliação e comunicação dos riscos na cadeia alimentar, bem como pela disciplina do exercício das actividades económicas nos sectores alimentar e não alimentar, mediante a fiscalização e prevenção do cumprimento da legislação reguladora das mesmas.
No exercício da sua missão, a ASAE rege-se pelos princípios da independência científica, da precaução, da credibilidade e transparência e da confidencialidade."
Compreendo bem, por exemplo, a luta de todos aqueles que defendem condições mínimas para poderem fumar (p.e. nos aeroportos) ou para pôr fim a tanta hipocrisia, desvaneio tecnocrata e tentação ditatorial juntos... apesar da preocupação pela Saúde Pública... e apesar de, tal como com os cintos-de-segurança, ou com a mudança para o EURO, todos sabermos que, mais ano menos ano, já todos estaremos perfeitamente acomodados e nem nos lembrarmos como era até aqui. Enfim, o portuga cala e consente... e, no fim, até fica mais saudável, ou poupado, ou consciente, ou até mesmo responsável, sem se dar conta disso.
O que me preocupa, muito sinceramente, é que a ASAE interfira também na venda de petiscos e outras iguarias da cozinha e doçaria portuguesas, feitas de forma tradicional. Porra! Quando nos dermos conta, é todo um acervo de cultura (porque é isso de que se trata) que perdemos, apenas porque alguém acha que a cozinha industrial é mais saudável. Será que um gajo já não pode comer uma bela morçela assada? Uma sopa da pedra? Um cozido à portuguesa? Um arroz de cabidela? Uns simples tremoços? Uma geleia ou um doce de frutas com canela e nozes feito por aquela senhora que todos de que todos conhecemos o seu inquestionável asseio? E, pior, uma simples fatia de um doce e molhado Bolo Chiffon feito fora das normas assexuadas da ASAE?
Ontem comi uma e parecia que estávamos todos a cometer um delito. A conversa foi mais-ou-menos assim:
"- Tens uma surpresa!
- O que é?
(...)
- Uau! Como o arranjaste?
- Foi no Café do Pedro. É a mulher dele que faz! Consegui arranjar estas 4... Sabes, mas não o podem ter à venda... à vista..."

15 de janeiro de 2008

Happy Birthday!

Pois... eu não me chamo Dave Grohl... Por isso, terei que soprar as velas noutro dia. É assim a Vida e lá passou mais um anito... a caminho dos 30!

14 de janeiro de 2008

Miriam Makeba - Malaika

A Rainha Africana de 75 anos vem aqui a Barcelona já na próxima 5ª feira, dia 17. Integrada no VIII Festival del Milenio (www.festivalmillenni.com), junto com outros nomes como Pasión Vega, Gloria Gaynor, Toquinho, Emir Kusturika, Georges Moustaki... Infelizmente, eu vou embora um dia antes, mas esta é sem dúvida uma oportunidade excelente e rara de ver a grande diva africana ao vivo. Uma verdadeira lenda da Música!

13 de janeiro de 2008

Adiós! Adeu!

My Dear Friends!

I'm leaving Spain in the next 3 days, after a two and a half months of a deep (life) experience in my neighbour country, most of the time in Madrid, but also in Barcelona, where I got a new job with another NGO. So, once more, I'll be working in Mozambique, this time somewhere between Montepuez and Pemba, on the North, far from everything, but certainly in a very beautiful place. For those who know it, you surely confirm my words. Nevertheless, what I'd like to say at this moment, besides hugging you strongly, in my spirit, is that you're all invited to visit me and to check my mental health... if I stay long time with no words. I hope I can see you near soon - you're so welcome there! - and that all of you have a good time from now on.


So, please, don't forget a few words every two weeks, OK? Just kidding...


Take care and be good!


Kisses and hugs!


... and check the links below!

Visit Portugal at: www.visitportugal.com/Cultures/pt-PT/default.html


and also (in Barcelona) at: http://www.acasaportuguesa.com/

12 de janeiro de 2008

Marta - Show Woman

Não é a Marta do anúncio, mas encanta muito mais...

Artigo 80º


Artigo 80º

"Toda a sua existência foi, até agora, um único e longo acontecimento voyeurista. Tudo o que estas quatro identidades reconhecem e apreenderam do mundo “de fora” foi adquirido mediante mecanismos exteriores de observação, como a televisão, a rádio, a imprensa, a literatura, entre outros."
Nuno Rendeiro

De 16 a 19 de Janeiro na EIRA33 às 21h30
Rua Camilo Castelo Branco nº30 - 1º (metro Marquês, saída Dq de Loulé, no edífício dos Bombeiros Lisbonenses)
www.eira33.blogspot.com

reservas/informações: 966258965/917610675


11 de janeiro de 2008

Letra do hino espanhol: deixem-se disso!


¡Viva España!
Cantemos todos juntos
con distinta voz
y un solo corazón.

¡Viva España!
Desde los verdes valles
al inmenso mar,
un himno de hermandad.

Ama a la Patria
pues sabe abrazar,
bajo su cielo azul,
pueblos en libertad.

Gloria a los hijos
que a la Historia dan
justicia y grandeza
democracia y paz.



Duvido que os espanhóis, para não falar dos nacionalistas (bascos, galegos, catalães...), se revejam minimamente nesta letra e que alguma vez a cantem quando a sua selecção jogar ou algum dos seus atletas ganhar uma competição ou receber uma medalha...

10 de janeiro de 2008

bob marley - no woman no cry

Sem palavras...

Bob Marley - Redemption Song

Esta canção faz agora mais sentido...

Freddy Adu

Camacho, ponte un poco de inteligencia en tu cabezón, joder tío!, deja el chaval jugar, gilipollas!

Novo Aeroporto: rápido e em força!


Ano 2033...

Há vários anos que se discute a necessidade de um novo aeroporto para Lisboa. Em 2017 foi inaugurado o Aeroporto-do-raio-que-o-parta, no antigo Campo de Tiro de Alcochete, e que serve grande parte da população da margem Sul e arredores... que subitamente redescobriu um novo interesse por tudo o que significasse sair rapidamente e em low cost dessa zona, a outrora e continuamente apelidada de "deserto"... devido aos insuportáveis ruidos das obras em empreendimentos turísticos do Grupo SONAE/BES e outros igualmente castelhanos, no eixo Tróia-Arrábida-Alcochete...


O estudo do LNEC que sustentou a opção por Alcohete (na verdade, Portela + 1), entregue nos primeiros dias de Janeiro de 2008 ao Governo liderado pelo então Primeiro-Ministro, Engenheiro Doutor José Sócrates, e actualmente Presidente do Comité Olímpico Internacional, era afinal o resultado de apurados estudos que envolveram reputados especialistas que em 6 meses descobriram o que outros reputados especialistas não tinham descoberto em mais de 30 anos de estudos e que tinham dado a Ota como local mais viável.

No entanto, visto que o projecto, incluindo todas as infraestruturas projectadas, só se realizou em 50% (mais ou menos metade da percentagem da sua derrapagem orçamental pelas contas do Governo, após consulta ao Eng. António Guterres, então refugiado na Suíça e já com algumas perturbações na vista), e o da Portela continuou a operar mais anos do que aqueles que estavam previstos pela Associação Profissional dos Urbanistas Portugueses (Aprourb), ao que se sabe, pela pressão exercida pelo líder do lobby taxista e sobrinho do autarca-modelo Isaltino Morais, chegou-se a novas conclusões surpreendentes: é necessário um novo aeroporto para Lisboa... que não destrua as reservas de água potável nem acabe com todas as espécies de aves existentes num raio de 50km!

"Rapidamente e em força!", acrescento, parafraseando o antigo Primeiro-Ministro e actual Presidente do Comité Olímpico Internacional, Engenheiro Doutor José Sócrates, inspirado por uma das suas frases favoritas daquele que ainda hoje os portugueses consideram o Melhor Português de Sempre, Professor Doutor António Oliveira Salazar, no âmbito de uma sondagem recente (da Empresa de Sondagens Favoráveis Portas & Travessas), a propósito da Comemoração dos 100 Anos da Constituição do Estado Novo.

O Governo da Província Autónoma de Portugal acaba de anunciar que dentro de 6 meses terá um novo estudo pronto, mas ao que se sabe, só há uma hipótese na mesa (mais ou menos, o que havia até Junho de 2007) e essa hipótese é, de forma surpreendente, a Ota!

Parece que um dos critérios apontados é que esteja a meia hora da casa do cidadão Vasco Coelho (após sorteio no Youtube Second Life, na presença de representantes virtuais do Governo Civil de Lisboa) que não se importa de ficar a viver para os lados da Marinha Grande, se possível numa praia, a uns minutos de uma qualquer auto-estrada e/ou linha de alta velocidade, tendo a possibilidade alternativa de chegar ao aeroporto de bicicleta, sem ter que transpirar muito...

Ah!, parece que contribuiu também para esta decisão o facto de ser ter dado conta que a Província Autónoma de Portugal não possui, nesta altura, nenhuma estrutura aeroportuária digna desse nome na zona geográfica compreendida entre os rios Tejo e Douro, especialmente na sua faixa costeira, que é apontada como a mais populosa e uma das mais relevantes economicamente, apesar das acusações de alguns sectores neo-esquerdistas-conservadores-liberais-proletários-e-dissidentes de que estes dados são condicionados pela Empresa Santuário de Fátima, SA... o que foi já desmentido pelo seu PCA, o Doutor João Pereira Coutinho.

6 de janeiro de 2008

Sócrates e a Liberdade

Sócrates e a liberdade,

por António Barreto
(Público, 6 de Janeiro de 2008).

EM CONSEQUÊNCIA DA REVOLUÇÃO DE 1974 , criou raízes entre nós a ideia de que qualquer forma de autoridade era fascista. Nem mais, nem menos. Um professor na escola exigia silêncio e cumprimento dos deveres? Fascista! Um engenheiro dava instruções precisas aos trabalhadores no estaleiro? Fascista! Um médico determinava procedimentos específicos no bloco operatório? Fascista! Até os pais que exerciam as suas funções educativas em casa eram tratados de fascistas.
Pode parecer caricatura, mas essas tontices tiveram uma vida longa e inspiraram decisões, legislação e comportamentos públicos. Durante anos, sob a designação de diálogo democrático, a hesitação e o adiamento foram sendo cultivados, enquanto a autoridade ia sendo posta em causa. Na escola, muito especialmente, a autoridade do professor foi quase totalmente destruída.

EM TRAÇO GROSSO, esta moda tinha como princípio a liberdade. Os denunciadores dos 'fascistas' faziam-no por causa da liberdade. Os demolidores da autoridade agiam em nome da liberdade. Sabemos que isso era aparência: muitos condenavam a autoridade dos outros, nunca a sua própria; ou defendiam a sua liberdade, jamais a dos outros. Mas enfim, a liberdade foi o santo e a senha da nova sociedade e das novas culturas. Como é costume com os excessos, toda a gente deixou de prestar atenção aos que, uma vez por outra, apareciam a defender a liberdade ou a denunciar formas abusivas de autoridade. A tal ponto que os candidatos a déspota começaram a sentir que era fácil atentar, aqui e ali, contra a liberdade: a capacidade de reacção da população estava no mais baixo.

POR ISSO SINTO INCÓMODO em vir discutir, em 2008, a questão da liberdade. Mas a verdade é que os últimos tempos têm revelado factos e tendências já mais do que simplesmente preocupantes. As causas desta evolução estão, umas, na vida internacional, outras na Europa, mas a maior parte residem no nosso país. Foram tomadas medidas e decisões que limitam injustificadamente a liberdade dos indivíduos. A expressão de opiniões e de crenças está hoje mais limitada do que há dez anos. A vigilância do Estado sobre os cidadãos é colossal e reforça-se. A acumulação, nas mãos do Estado, de informações sobre as pessoas e a vida privada cresce e organiza-se. O registo e o exame dos telefonemas, da correspondência e da navegação na Internet são legais e ilimitados. Por causa do fisco, do controlo pessoal e das despesas com a saúde, condiciona-se a vida de toda a população e tornam-se obrigatórios padrões de comportamento individual.

O CATÁLOGO É ENORME. De fora, chegam ameaças sem conta e que reduzem efectivamente as liberdades e os direitos dos indivíduos. A Al Qaeda, por exemplo, acaba de condicionar a vida de parte do continente africano, de uma organização europeia, de milhares de desportistas e de centenas de milhares de adeptos. Por causa das regulações do tráfego aéreo, as viagens de avião transformaram-se em rituais de humilhação e desconforto atentatórios da dignidade humana. Da União Europeia chegam, todos os dias, centenas de páginas de novas regulações e directivas que, sob a capa das melhores intenções do mundo, interferem com a vida privada e limitam as liberdades. Também da Europa nos veio esta extraordinária conspiração dos governos com o fim de evitar os referendos nacionais ao novo tratado da União.

MAS NEM É PRECISO IR LÁ FORA. A vida portuguesa oferece exemplos todos os dias. A nova lei de controlo do tráfego telefónico permite escutar e guardar os dados técnicos (origem e destino) de todos os telefonemas durante pelo menos um ano. Os novos modelos de bilhete de identidade e de carta de condução, com acumulação de dados pessoais e registos históricos, são meios intrusivos. A videovigilância, sem limites de situações, de espaços e de tempo, é um claro abuso. A repressão e as represálias exercidas sobre funcionários são já publicamente conhecidas e geralmente temidas. A politização dos serviços de informação e a sua dependência directa da Presidência do Conselho de Ministros revela as intenções e os apetites do Primeiro-ministro. A interdição de partidos com menos de 5.000 militantes inscritos e a necessidade de os partidos enviarem ao Estado a lista nominal dos seus membros é um acto de prepotência. A pesada mão do governo agiu na Caixa Geral de Depósitos e no Banco Comercial Português com intuitos evidentes de submeter essas empresas e de, através delas, condicionar os capitalistas, obrigando-os a gestos amistosos. A retirada dos nomes dos santos de centenas de escolas (e quem sabe se também, depois, de instituições, cidades e localidades) é um acto ridículo de fundamentalismo intolerante. As interferências do governo nos serviços de rádio e televisão, públicos ou privados, assim como na 'comunicação social' em geral, sucedem-se. A legislação sobre a segurança alimentar e a actuação da ASAE ultrapassaram todos os limites imagináveis da decência e do respeito pelas pessoas. A lei contra o tabaco está destituída de qualquer equilíbrio e reduz a liberdade.

NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu governo. O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.

TEMOS DE RECONHECER: tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação? Acordo? Só se for medo...

Dia de Reis... e de São Valentim


Faz hoje 1 ano, passei uma noite em claro na Maternidade do Hospital Central de Maputo, à espera... de ver nascer Nicolás. Filho de um casal de residentes em Moçambique que apenas conheci nessa noite.

A acompanhá-los, a médica por quem me apaixonei... e que me transformou 2007 num ano memorável...

A Vida acabou por nos trocar as voltas, mas guardo esta noite de nascimento, em que os "Reis Magos" trouxeram ao Mundo este bébé enorme, como um dos momentos mais marcantes, pela explosão de alegria, pela partilha entre quase desconhecidos de um momento único.

O milagre da vida, perdoem-me o "lugar comum", só depois de presenciado, nos faz aperceber do quanto somos incompletos até sermos também nós obreiros desse "milagre".

Pois, que 2008 seja um ano de muitos nascimentos e de muita Vida! Parabéns Nicolás... meu São Valentim!

3 de janeiro de 2008

Buenos Aires? Adiado!


Pois... hoje deveria estar a iniciar o estágio de 2 meses na AACS, em Buenos Aires, para preparar um Congresso em Ciências Sociais. Deveria, se não tivesse vindo para Espanha e se, entretanto, a vida não tivesse dado as voltas que deu e eu não estivesse agora para regressar a Moçambique... Fica adiado, mas não esquecido! Entretanto, delicio-me com os textos da Catarina. Este sim, um bom blog! É obrigatório para quem quer ter um pouco do cheiro, das cores, dos sons e dos sentimentos que Buenos Aires, mas também o resto da Argentina e grande parte da América do Sul nos podem oferecer!

1 de janeiro de 2008

Começar o ano mesmo bem...


Desta vez, na Figueira da Foz (sem que seja a primeira vez, nem provalmente a última por estas bandas), graças à minha grande Amiga Catarina, com uma garrafa de uma bruta Cava Freixenet primeiro; seguindo, depois, com um pouco de GNR ao vivo (sim...!); e, mais tarde, curando a constipação a dançar ao som das melhores músicas de sempre até às 7h30... Já tinha saudades de uma noite assim. Obrigado Amiga! Foi, inesperadamente, uma execlente passagem de ano! Deitei-me quase de rastos às 9h00, como há muito não o fazia...

L'amour A Tous Les Droits

Tant qu'il y a un regard qui lève tes yeux
Un sourire qui te parle et t'appelle comme il peut.
Tant qu'il y a un souffle qui t'effleure
Un geste qui te touche et son manque qui demeure.

L'amour a tous les droits et nous, tous les devoirs.
L'amour a tous les droits et nous, tous les devoirs.

Tant qu'il y a une envie que l'on écoute
Un reste d'attention et quelqu'un dans la foule.
Tant qu'on peut encore le ressentir
Ne rien toucher à ça et vouloir y tenir.

L'amour a tous les droits et nous, tous les devoirs.
L'amour a tous les droits et nous, tous les devoirs.

Tant qu'on peut se tenir encore un peu
Et donner soi pour l'autre, une épaule pour deux.
Tant qu'on peut redonner de la lumière à une terre
Qui n'est plus qu'une parcelle d'enfer.

L'amour a tous les droits et nous, tous les devoirs.
L'amour a tous les droits et nous, tous les devoirs.

Tant qu'il y a un regard qui lève les yeux
Un sourire qui te parle et t'appelle comme il peut.
Tant qu'il y a un souffle qui t'effleure
Un geste qui te touche et son manque qui demeure.

L'amour a tous les droits et nous, tous les devoirs.
L'amour a tous les droits et nous, tous les devoirs.



Interpretada por Ismael Lo