4 de novembro de 2008

A Vida "sao" 2 dias... e a campanha eleitoral em Moçambique "sao" 15!

Arrancou hoje a campanha eleitoral rumo às 3ª Eleiçoes Municipais em Moçambique.

Uma vez mais, os dois maiores partidos políticos de Moçambique, FRELIMO e RENAMO esgrimem argumentos e reunem os seus apoiantes numa campanha que tem tudo para deliciar os observadores internacionais e os grandes doadores que fazem de Moçambique um exemplo no contexto africano como país que soube alcançar e manter a Paz, fazer funcionar uma economia de mercado, um Estado de Direito, uma Democracia multipartidária, com eleiçoes regulares, processos de desconcentraçao e descentralizaçao de poderes, etc., etc., etc....

Blá, blá, blá, blá!!!

Eu vejo, desculpem lá... um país a fazer de conta que tem tudo isso que acabei de descrever... e em que os doadores se juntam nesse "fazer de conta" cómodo para todos, para continuarem a justificar o próprio sistema pós-colonial e de pós-Guerra Fria que criaram e /ou aprofundaram nas suas relaçoes hipócritas com África, a que chamam de Sistema Internacional de Cooperaçao para o Desenvolvimento... e que é uma "indústria" que alimenta muita gente, no Norte e no Sul, camuflando os reais interesses que regulam as relaçoes entre os Estados nos actuais Sistema e Mercado internacionais, condicionados pela emergência de novas potências que olham para as riquezas africanas com um sentido... digamos... mais prático.

Vejo manifestaçoes de rua, que mais parecem festas de Carnaval e de desperdício de recursos num país tao pobre, em que um partido que está no Poder dispoe de todos os meios, legais e ilegais, para projectar ainda mais a sua enorme vantagem política. Em que meios públicos sao colocados ao dispor desse mesmo partido; em que funcionários de várias áreas como a Saúde ou a Educaçao, sao obrigados (e que contentes ficam) a sair dos seus locais de trabalho, já de si quase sempre fragilizados e condicionados pela falta de Recursos Humanos, para participarem na Campanha; em que funcionários de Distritos se deslocam às cidades onde irao decorrer os actos eleitorais, mesmo que nao sejam aí residentes, para se juntarem às acçoes políticas dos candidatos...


Vejo um partido da oposiçao que nao tem obviamente o mesmo tempo de antena nas rádios e televisoes, que por sua vez só sao vistas numa pequena parte do país, pois a maior parte do território só pode captar a Televisao do Estado...

O mesmo acontece com os jornais, obviamente.

Vejo um partido de oposiçao que nao dá qualquer segurança para se constituir como alternativa política credível de Poder... Nunca será a nível central... e aos poucos irá desaparecer mesmo localmente onde poderá ter ainda alguma força... pois pertencer a esse partido significa nao ter as mesmas oportunidades de vida, de emprego, etc.
Vejo um partido da oposiçao que mais parece uma marioneta do Partido do poder para juntos fazerem de conta que o tal país com economia de mercado e uma Estado de Direito Democrático e Multipartidário com eleiçoes livres e regulares... existe... e assim os Doadores poderem justificar os seus milhoes investidos... perdao... doados a Moçambique... que alimentam o bolso daqueles que dizem que lutam contra a Pobreza Absoluta...
E, assim, é fácil adivinhar os resultados no próximo dia 19 de Novembro em que irao ser eleitos novos Presidentes dos Conselhos Muncipais criados, bem como os respectivos deputados das assembleias municipais, um pouco por todo o país.
Por sinal, as eleiçoes decorrem a uma quarta-feira, a meio da semana... cumprindo com a velha máxima neste país de que "trabalhar é mesmo para os outros"... nao é?