25 de maio de 2009

João Salaviza vence grande prémio de Cannes para Curtas-Metragens


Por Sérgio C. Andrade


Foi certamente uma surpresa para o realizador, que ontem mesmo dizia ao PÚBLICO, em Cannes, que “Arena” não era um filme “para ganhar aqui”. Mas ganhou. A sua curta-metragem venceu o Grande Prémio da competição de curtas-metragens, lançando para o centro das atenções a obra deste jovem realizador de 25 anos, ainda estudante de cinema no Conservatório.

Na apresentação de “Arena” (única obra portuguesa em competição no festival), o crítico do PÚBLICO Vasco Câmara classificava-a como “uma curta vigorosa”, um filme “híbrido entre o documento da realidade e o espectáculo da sensualidade dos corpos e do espaço”. É uma história centrada num jovem em prisão domiciliária. Mas o realizador recusava a ideia de querer, com “Arena”, transmitir qualquer mensagem ao mundo, como o tinha apresentado a sua produtora, Maria João Mayer. “Nunca diria de mim isso de querer ‘falar ao mundo’, mas sim, reconheço-me, tendo em conta que os filmes, para mim, são uma reacção a qualquer coisa”, sem terem de ser um manifesto.

“Arena” acrescenta o prémio agora conquistado em Cannes ao que já tinha ganho no IndieLisboa, no início de Maio. A notícia da sua selecção para a competição de curtas em Cannes foi recebida já na contagem decrescente do festival, mas isso não fez com que o realizador perdesse o sentido da realidade. Já em França, admitia que, para além do “glamour” que irremediavelmente se respira na Croisette, o festival aposta também “numa programação arriscada”. “Não estão à procura da típica curta com a ‘punchline’ final. Estão à procura de coisas novas. Senti que o meu filme foi escolhido por isso”.

“Arena” confirmou-se, assim, “uma coisa nova”. Expressão, afinal, de que “os filmes portugueses estão condenados a serem descobertas dos festivais internacionais”, notava Salaviza.