26 de julho de 2009

Num café-pastelaria de Maputo…

Entro na pastelaria onde o café e o pastel de nata são condes disfarçados de reis. Mas também o galão, o sumo natural, o croissant ou até a empadinha circulam nas bandejas vagarosas dos inúmeros empregados dignamente fardados… aliás, orgulhosamente fardados.

De vez em quando e de quando em vez um ou outro bolo de arroz, ou uma qualquer variedade de chá é solicitada por algum cliente de gostos simples.

A colherzita do café cola-se ao pacotinho de açúcar que chora pela mesa.

Numa ala do café-pastelaria as mesas são acometidas por internautas assíduos, formando uma espécie de escriturários das múltiplas conversas que se entrecruzam no ar…

Um ou outro cliente saca do bolso o seu telemóvel da última geração do dia anterior, competindo estes com os iPods, MacBooks, Toshibas, com forma de agendas, conectados ao Mundo, em múltiplas redes cibernéticas aromatizadas com café e torrada com manteiga e intercaladas com declarações mais ou menos secretas, sem pudores alguns entre o público e o provado, entre o megabyte e a Bola-de-Berlim, ou entre o e-mail trocado e o refresco com pedras de gelo…

Homens engravatados e (des)afogados momentaneamente nos seus pensamentos disparam olhares cúmplices a mulheres que se fingem despercebidas…

Enquanto isso, os donos do café-pastelaria hipnotizados pela campainha mecânica (que por acaso também é digital) da máquina registadora, fazem contas intermináveis ao valor acrescentado da sua ganância…