Sábado, Maio 30, 2009

A estupidez do mecanicismo como exercício de conforto espiritual


Alguém se lembra de passar minutos ou horas durante a infância ou adolescência simplesmente a projectar uma bola contra uma parede e fazer com que ela voltasse, repetindo este movimento ininterruptamente? Podia ser com uma bola de ténis ou de futebol. Não importava. Apenas se desfrutava daquela sensação confortante de fazer um movimento repetido e mecânico até o ter devidamente assimilado e dominado pelo cérebro, o que nem sempre é fácil de conseguir noutros aspectos da nossa existência…

 

No fundo, esta sensação repercute-se pela Vida fora. A maioria das pessoas prefere fazer tarefas de que se sente capaz de executar com relativa facilidade (que não as obriguem a pensar demasiado), sem qualquer reprovação alheia e, ao mesmo tempo, em que o seu domínio lhe permite aproveitar o tempo para não fazer nada (enviar e-mails desnecessários ou escrever dejectos sensitivos da sua existência no Facebook ou afins) ou, em situações mais caricatas, fazer de conta que a tarefa é mais exigente e demorada do que realmente é, para tentar destacar-se perante os colegas.

 

Ou seja, a rotina e o mecanicismo são, no fundo, o conforto e a satisfação relativamente efémera do ser humano. Uns não se dão conta, porque são natural ou assumidamente estúpidos e outros… apenas tentam escondê-lo.

 

Para todos os adeptos do mecanicismo ideado na busca da estupidez apaziguadora e praticada com requinte e perfeição e todos aqueles que arrogam o mecanicismo reconfortante como actividade de entretenimento, ou relaxação, ou mesmo de descarga inconsequente de frustrações recentes ou acumuladas, aqui ficam os meus conselhos:

 

- Vortex (jogo do Ipod, para os verdadeiros fanáticos da estupidez digital e que são ao mesmo tempo adeptos das sms como meio preferencial de comunicação)

 

- Ténis (versão Wii, para os anti-sociais que sabem que necessitam de fazer desporto, mas que são demasiado preguiçosos para sair de casa)

 

- Ténis (versão raquete, bolas e ser humano minimamente capaz de devolver a bola do outro lado do campo…. Impressionante mesmo o facto de ter até profissionais e tudo que ganham dinheiro e distribuem-se num ranking)

 

- Ping-Pong (idem, mas muda-se “campo” para “mesa”. Normalmente associado a gente picuinhas...)

 

- Atirar pratos à parede (mas atenção, estes não voltam!)

 

Viva a gloriosa e pacífica liberdade de podermos ser estupidamente mecanicistas… em qualquer lugar e em qualquer momento! 


Ámen…

Pearl Jam - (Sittin' on) the dock of the bay

Faz parte desta nova espécie humana?

Se está a ler este post é porque, com certeza, faz parte desta nova espécie humana - os leitores da mudança -  aqueles que não querem ser inundados por más notícias, jornais, revistas e telejornais cheios de violência, crises, catástrofes, guerras, desespero...

Pessoas que procuram the bright side of the world, procuram conhecer os bons exemplos, as soluções, fazer a diferença e meios de comunicação alternativos que revelem o melhor que se faz no mundo.

É um leitor da mudança? A resposta está neste vídeo.

http://videos.sapo.pt/TbfZP8KIvaRBAyca4WLZ

Partilhe com aqueles que gosta para que, cada dia, possamos ser mais e mais... Uma espécie humana positiva sempre crescente.

 

IM magazine


A divulgar o melhor que se faz no mundo... para um mundo melhor.
http://immagazine.sapo.pt/por/index.html

Spreading the best things in the world... for a better world.
http://immagazine.sapo.pt/eng/index.html

Sexta-feira, Maio 29, 2009

WORKSHOP: Desenvolvimento Pessoal


Maputo, 26 e 27 de Setembro 2009 

                        Temas tratados:
 
infância e a adolescência da maior parte de nós (influência na vida adulta);
 
Relação com figuras parentais e outros familiares (culpa, co-dependência e ressentimento);
 
Relações amorosas/conjugais (problemas comuns e soluções possíveis)
 
Trabalho para o Qual Nascemos (da resignação e frustração à auto-realização e satisfação pessoal);
 
Quem Somos na Essência e como funcionao Universo;
 
Do que fui lembrado/a até aqui, o que mais sentido me fez e o que estou pronto/a (a continuar) a mudar?!

Combinando exercícios de auto-reflexão e análise com vivências práticas que nos permitem identificar e transformar os nossos bloqueios e resistências,  este trabalho dá-nos a possibilidade de ficarmos a conhecer melhor a origem dos nossos medos, defesas e conflitos, assim como a nossa enorme força interior, e de perceber, gradualmente, o que precisamos de mudar e como fazê-lo.  Os resultados podem ser imediatos alterando pela positiva tanto o modo como nos vemos a nós mesmos/as como a forma de percepcionarmos, sentirmos e reagirmos aos outros e às diferentes situações.

A ideia é: Conhecer-se, Aceitar-se e Re-aprender a Amar-se para poder Amar e deixar-se Amar!

tod@s @s participantes:

São igualmente propostos trabalhos de casa(escritos - de retrospecção e auto-análise;meditativos - de visualização criativa;relacionais - de contacto físico e diálogo com familiares e outros).

E, no decurso da realização do workshop, são sugeridos exercícios escritos e orais - de auto-questionamento, reflexão e partilha, e vivenciais - individualmente, a pares e em grupo, através do movimento, expressão, troca e libertação.


LÍGIA DE NORONHA

Psicóloga clínica de orientação transpessoal, inspirada por princípios espirituais (não religiosos)e pela sua experiência de despertar da consciência e de crescimento interior.

Exerce desde Janeiro de 2000, tendo dado mais de 2500 sessões de aconselhamento psicológico num contexto individual, de casal e/ou familiar. O modelo de abordagem e intervenção em psicologia que usa é tido por muitos como único, directo e inovador, conseguindo quem a procura (e ao seguir as suas orientações) resultados surpreendentes e em muito pouco tempo.

Concebe e facilita vários workshops ("Novas Crianças" e "O Espírito no Trabalho" são 2 deles), tendo-se "lançado" em Portugal (país onde reside desde finais de Novembro de 2007) com a palestra "Ressentimento versus Amor-próprio" (tema com o qual vem a participar na X Conferência Internacional da EUROTAS - Assoc. Europeia de Transpessoal, realizada em finais de 2008 em Barcelona).

De 2000 a 2005 foi proprietária e directora do Psi-co-estar, um centro privado pioneiro em Moçambique na oferta de serviços promoto-res de Consciência e de Bem-estar holístico. Suspendeu a sua actividade e entrou em período sabático por cerca de 3 anos, indo à Índia, Brasil, (de volta a) Maputo/Moçambique e finalmente para Portugal.

Graduou-se em 1998 em psicologia clínica e de aconselhamento pela ULHT e em 2006 completou no Brasil 1 ano da pós-graduação em psicologia transpessoal da Alubrat.

Encontra-se actualmente a escrever o seu primeiro livro.

Vem a Maputo esporadicamente para (continuar a) dar o seu contributo.

Detalhes no site: www.ligiadenoronha.com


Local de realização do workshop:
(a determinar, consoante o nº de inscrições)
 
Investimento por participante:
2.500,00MT (sem almoço)
 
Datas e horários:
26 e 27 de Setembro de 2009
das 09 às 17h - em ambos os dias

Inscrições:  Depósito bancário até 31 Agosto 09
Desistências são aceites até ao dia 06 de Setembro 09, sendo neste caso reembolsado 50% do valor da inscrição. O talão de depósito serve como prova de pagamento (o qual pode ser feito em 2 vezes - até 31 de Agosto), requerendo-se envio de mail (p/ um dos endereços abaixo indicados) a confirmá-lo(s). 

Nome do Banco e nº de Conta: 
STANDARD BANK - nº 1131805231007 - balcão da Julius Nyerere

Informações gerais: 
Fátima - fatylampreia@gmail.com
cell: 82-8302380

Lígia - 
ligiadenoronha@hotmail.co.uk

Quarta-feira, Maio 27, 2009

O HOMEM QUE PERDEU O RIM

TRATADO À NOSSA PORTA

INTERROGATÓRIO A UM PRECÁRIO

Requerimento a Fernanda Câncio

... e o nosso Primeiro-Ministro amansará às mãos da bela Fernanda?


Ó Fernanda, dado
que já estou cansado
do ar teatral
a que ele equivale
em todo o horário
de cada canal,
no noticiário,
no telejornal,
ligando-se ao povo,
do qual ele se afasta,
gastando de novo
a fala já gasta
e a pôr agastado
quem muito se agasta
por ser enganado.
Ó Fernanda, dado
que é tempo de basta,
que já estou cansado
do excesso de carga,
do excesso de banda,
da banda que é larga,
da gente que é branda,
da frase que é ópio,
do estilo que é próprio
para a propaganda,
da falta de estudo,
do tudo que é zero,
dos logros a esmo
e do exagero
que o nega a si mesmo,
do acto que é baço,
do sério que é escasso,
mantendo a mentira,
mantendo a vaidade,
negando a verdade,
que sempre enjoou,
nas pedras que atira,
mas sem que refira
o caos que criou.
Ó Fernanda, dado
que já estou cansado,
que falta paciência,
por ter suportado
em exagerado
o que é aparência.
Ó Fernanda, dado
que já estou cansado,
ao fim e ao cabo,
das farsas que ele faz,
a querer que o diabo
me leve o que ele traz,
ele que é um amigo
de Sao Satanás,
entenda o que eu digo:
Eu já estou cansado!
Sem aviso prévio,
ó Fernanda, prive-o
de ser contestado!
Retire-o do Estado!
Torne-o bem privado!
Ó Fernanda, leve-o!
Traga-nos alívio!
Tenha-o só num pátio
para o seu convívio!
Ó Fernanda, trate-o!
Ó Fernanda, amanse-o!
Ó Fernanda, ate-o!
Ó Fernanda, canse-o!



por Euleriano Ponati (poeta não titular)

Segunda-feira, Maio 25, 2009

João Salaviza vence grande prémio de Cannes para Curtas-Metragens


Por Sérgio C. Andrade


Foi certamente uma surpresa para o realizador, que ontem mesmo dizia ao PÚBLICO, em Cannes, que “Arena” não era um filme “para ganhar aqui”. Mas ganhou. A sua curta-metragem venceu o Grande Prémio da competição de curtas-metragens, lançando para o centro das atenções a obra deste jovem realizador de 25 anos, ainda estudante de cinema no Conservatório.

Na apresentação de “Arena” (única obra portuguesa em competição no festival), o crítico do PÚBLICO Vasco Câmara classificava-a como “uma curta vigorosa”, um filme “híbrido entre o documento da realidade e o espectáculo da sensualidade dos corpos e do espaço”. É uma história centrada num jovem em prisão domiciliária. Mas o realizador recusava a ideia de querer, com “Arena”, transmitir qualquer mensagem ao mundo, como o tinha apresentado a sua produtora, Maria João Mayer. “Nunca diria de mim isso de querer ‘falar ao mundo’, mas sim, reconheço-me, tendo em conta que os filmes, para mim, são uma reacção a qualquer coisa”, sem terem de ser um manifesto.

“Arena” acrescenta o prémio agora conquistado em Cannes ao que já tinha ganho no IndieLisboa, no início de Maio. A notícia da sua selecção para a competição de curtas em Cannes foi recebida já na contagem decrescente do festival, mas isso não fez com que o realizador perdesse o sentido da realidade. Já em França, admitia que, para além do “glamour” que irremediavelmente se respira na Croisette, o festival aposta também “numa programação arriscada”. “Não estão à procura da típica curta com a ‘punchline’ final. Estão à procura de coisas novas. Senti que o meu filme foi escolhido por isso”.

“Arena” confirmou-se, assim, “uma coisa nova”. Expressão, afinal, de que “os filmes portugueses estão condenados a serem descobertas dos festivais internacionais”, notava Salaviza. 

Haneke's 'White Ribbon' takes top prize at Cannes

"The White Ribbon", de Michael Haneke, é a Palma de Ouro de Cannes



Vasco Câmara, em Cannes


Uma observação solene, ritualística, do desenvolvimento das sementes do nazismo, venceu a 62ª edição.

O realizador Michael Haneke, a actriz Isabelle Huppert, toda a cumplicidade num abraço: ela foi a sua actriz em "A Pianista", filme com o qual recebeu o prémio de interpretação de Cannes em 2000, e terminou ontem as suas funções de presidente do júri dando àquele que foi o seu realizador a Palma de Ouro da 62ª edição, 2009. Foi a vitória, esperada, de"The White Ribbon", observação solene, filmada a preto e branco, de um microcosmos do Mal, uma aldeia no norte da Alemanha, em vésperas da I Guerra, onde acontecem misteriosos rituais punitivos - são as sementes da violência, do nazismo... A Palma dará ao realizador austríaco a oportunidade de responder a uma "pergunta muito feminina" da sua mulher: "És feliz?".

Ao outro favorito da competição, "Un Prophète", do francês Jacques Audiard, reinvenção do "filme de prisão" - as negociações, alianças e traições de um presidiário no seu caminho até chegar a símbolo de uma nova ordem criminosa -, ficou reservado o Grande Prémio do Júri. A ovação da imprensa, contudo, soou a aplausos para uma Palma de Ouro: este era o filme consensual, um "tour de force" de aliança entre cinema de autor e cinema popular.

Consensual, é claro, Palais des Festivals de pé, foi a ovação que recebeu no palco Alain Resnais, a quem o júri atribuiu um prémio excepcional pelo conjunto da sua obra. Mas este prémio não pode soar a distinção reverente de um passado porque o presente, que se chamou "Les Herbes Folles", é coisa selvagem, nada domesticada: uma história de amor, uma história de desordem, que serve ao jovem Resnais para escrever, pintar e gesticular com o seu cinema, com a câmara, fazendo teatro ou produção da Hollywood clássica com "happy ends" sinfónicos.

Completamente divida, e ainda bem, foi a reacção na competição, no início do festival, a um filme chamado "Kinatay", de Brillante Mendoza. Completamente dividida foi a forma como a imprensa se manifestou, então, em relação ao anúncio do Prémio do Júri para o cineasta filipino. Não importa, Mendoza leva-nos, espectadores, até ao fim da noite - ele faz as coisas até ao fim - e ficamos encurralados no nosso "voyeurismo". Foi o filme mais duro da competição, ao pé do qual as imagens de choque de "Antichrist", de Lars von Trier, fizeram figura de patifarias infantis. Preparemo-nos: chegou Brillante Mendoza.

A propósito de Lars von Trier: alguma coisa ele deve ter para fazer os actores submeterem-se ao seu cinema e de lá saírem, mesmo se lá deixaram a pele, revigorados. Charlotte Gainsbourg recebeu o prémio de interpretação feminina e foi a emoção da noite: quando se lembrou da mãe, Jane Birkin, a quem telefonava durante a rodagem de "Antichrist" para que lhe desse certezas sobre o que ela, Charlotte, estava a fazer no filme de Von Trier, e do pai, Serge Gainsbourg, que "deve estar orgulhoso" dela mesmo se "um bocado chocado" com as cenas-choque de "Antichrist". Sobre Lars... "foi a experiência mais intensa, dolorosa e excitante" da sua carreira, disse. Para o alemão Christoph Waltz, que faz um fino, sádico, culto -e razoavelmente amaneirado - oficial nazi em "Inglourios Basterds", foi o prémio de interpretação masculina. Waltz deve ser culto como a sua personagem: falou em alemão, inglês e francês, que são as línguas de "Inglourious Basterds". E agradeceu ao seu Criador - não é aquele em que estão a pensar, é Quentin Tarantino.

Domingo, Maio 24, 2009

Questionário da ONU


A ONU resolveu fazer uma grande pesquisa mundial. A pergunta era:

"Por favor, diga honestamente, qual a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do Mundo." 


O resultado foi extraordinário:

- Os Europeus do Norte não entenderam o que é 'escassez'.
- Os Africanos não sabiam o que eram 'alimentos'.
- Os Espanhóis não sabiam o significado de 'por favor'.
- Os Norte-americanos perguntaram o significado de 'o resto do Mundo'.
- Os Cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre 'opinião'.
- O Parlamento português ainda está a debater o significado de 'diga honestamente'...

Sábado, Maio 23, 2009

wohh store



wohh!
Clothes, shoes, accessories, furniture...

Estejam atent@s!

Mayra Andrade - Comme s' il en pleuvait

Três anos depois do inesperado sucesso de "Navega", a cabo-verdiana Mayra Andrade regressa com um disco luxuoso, gravado entre o Brasil e Cuba, com funanás que cheiram a Bahia e jazz e mornas de mãos dadas. Vai ser uma diva.

Fonte: ipsilon.publico.pt

Marinho Pinto vs Moura Guedes

"¿Por qué no te callas?", pensava ela!

Pidezinhos

Por Miguel Carvalho

Visão - A Devida Comédia

Alguém se admira que, num futuro próximo, até existam prémios para os melhores bufos de serviço?

Vamos esquecer por momentos que uma professora de História teve conversas ordinárias e arrogantes diante de criancinhas de uma escola de Espinho.

Concentremo-nos nas criancinhas.

Elas têm telemóvel antes de saber dizer "Sócrates".

Dominam as tecnologias como nós, "os cotas", nunca saberemos. Nem durando cem anos.

Tricotam sem pestanejar no telélé e até inventaram uma nova linguagem para se entenderem à velocidade do dedo.

Por vezes, trocam mensagens com conteúdos que muito ajudariam à educação sexual dos papás.

Na rua, no metro, no autocarro, estão absolutamente concentrados em si próprios. E virtualmente conectados com os amigos (o conceito de "amigo" também nos levaria longe, mas fiquemos por aqui...)

O Governo, para ajudar à catequização de alguma desta mocidade portuguesa, inventou o Magalhães. E promoveu-o de forma quase pornográfica.

Mensagens, mails e todo um pacote de instrumentos onde simulamos intimidades que não temos, trocaram a volta às relações. De pequenos e graúdos.

Fomos por aí adiante, cantando e rindo, sem pensar no que isso acarretou de exclusão, preconceito, intolerância, individualismo e seguidismo.

Pior: as criancinhas aprenderam depressa - e mais apetrechadas tecnologicamente - que a denúncia e a violação da intimidade, rendem. Nuns casos, até são elogiadas por isso. Com um jeitinho, até poderão faltar às aulas e reprovar nos exames consoante a produtividade da bufaria, quem sabe?

Nos últimos tempos, a moda pegou com os professores.

Não demorará muito a que estes pidezinhos de aviário, alimentados pela nossa inconsciência e irresponsabilidade, comecem a achar graça a algumas coisas que se passam lá em casa. Talvez as gravem. Ou filmem. E partilhem com os amigos.

Um dia talvez casem. Talvez tenham ciúmes. Talvez se divorciem. Talvez se apaixonem ou desapaixonem com facilidade. E sabe-se lá o que farão em nome da vigilância, da paz e da guerra dos afectos.

Um dia, terão um emprego.

E sabe-se lá o que farão para o manter. Ou em nome da ambição.

Se este Governo já pediu aos funcionários públicos para denunciarem a corrupção nos locais de trabalho, alguém se admira que, num futuro próximo, até existam prémios para os melhores bufos de serviço?

Há uns anos conheci uma pessoa que, entre o jornal onde trabalhava e um lugar na PIDE, acabaria por aceitar as funções no jornal. Ficava mais perto de casa, confessou ele, um dia.

Se pensarem que estamos muito longe disso, vá lá, pensem outra vez.

Sex Pistols - No Future (god save the queen)

Eu sei que a minha amiga Márcia me pedia um pouco mais de Rock... mas vamos lá começar pelo básico, ok? Primeiro, um pouco de Punk, 2 ou 3 acordes e 2 ou 3 frases gritadas com ou pouco sentido... Nada dessas guitarradas que não passam de uma espécie de masturbação melódica... A minha onda começa nos The Who e Stooges e passa por estes simpáticos Sex Pistols, The Ramones, The Clash, The Dead Kennedys, Mudhoney, Sonic Youth, Pixies, Nirvana e por aí fora... Capice? Eu sei... um pouco básicos!

Pink Floyd - Wish You Were Here

Amiga Márcia, os teus pedidos são ordens! Um pouco de Pink Floyd dedicado a quem nos faz falta...

Sexta-feira, Maio 22, 2009

Vai ser criada a Confraria da Punheta de Bacalhau


Não era exactamente isso que nos faltava, para além de ver o Benfica campeão?

Quinta-feira, Maio 21, 2009

IM Magazine



A revista que divulga o melhor que se faz no Mundo para um Mundo melhor...

Terça-feira, Maio 19, 2009

Requalificação do Terreiro do Paço


Para ver as imagens do futuro Terreiro do Paço, clique aqui.

EUA ameaçam interromper projectos em Moçambique

A administracao Obama poderá interromper a qualquer momento a execuçao dos seus os projectos em Moçambique se o executivo moçambicano tardar em emitir a necessaria autorizacao de trabalho a dezenas de médicos e outros especialistas norte-americanos. 

O facto foi revelado esta sexta-feira à Rádio Mocambique pelo encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos em Maputo. 



A administracao Obama poderá interromper a qualquer momento a execuçao dos seus os projectos em Moçambique se o executivo moçambicano tardar em emitir a necessaria autorizacao de trabalho a dezenas de médicos e outros especialistas norte-americanos.


O facto foi revelado esta sexta-feira à Rádio Mocambique pelo encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos em Maputo.


Todd Chapman disse na ocasiao que aqueles médicos e especialistas, em número nao especificado, encontram-se há mais de um ano a aguardar pela autorizacao de trabalho para integrarem os projectos financiados pelos estados Unidos da América em Moçambique.


Reagindo à posiçao de Washington, a Ministra do Trabalho de Moçambique, Helena Taipo,

explicou que o Governo moçambicano está aberto à mão-de-obra estrangeira qualificada,

em função das necessidades do país, e necessita de investimentos, mas há regras que devem

ser cumpridas.

Taipo precisou que a questão dos médicos e especialistas norte-americanos foi apresentada numa reunião com os parceiros de cooperação, momento aproveitado pelo Governo para explicar os procedimentos para a concessao de autorizacao de trabalho a estrangeiros, que passam pela prova das qualificações.


Pese embora este constrangimento, a cooperaçao entre os Estados Unidos e Moçambique nos

últimos vinte e cinco anos é, de um modo geral, ‘boa e positiva’, considerou Todd Chapman.


Os Estados Unidos de América têm investidos, este ano, em Moçambique cerca de trezentos e

cinquenta milhões de dólares em várias áreas, com destaque para a saúde.


Outros cem milhões dólares foram canalizados ao Governo, através do Banco Mundial e do sistema das Nações Unidas.


Para os próximos anos, o valor dos investimentos norte-americanos em Moçambique poderá subir para dois mil milhões de dólares.


Desde o início da cooperação bilateral em 1984, os Estados Unidos injectaram em Moçambique

cerca de 2,75 mil milhões de dólares.


Rádio Moçambique

Ministro holandês lamenta fosso entre ricos e pobres moçambicanos


Em Maputo e após périplo pelo país

…e defende que os cidadãos devem manifestar o seu descontentamento, perante a falta de satisfação das suas necessidades

“Devido ao carácter da sua política interna, Moçambique corre o risco de ver estagnado o seu desenvolvimento” afirmou Bert Koenders, e disse também que “em Moçambique não houve progresso suficiente no que se no que se refere ao alcance aos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM)”, nomeadamente ao ODM2 referente a “Todas Crianças para a Escola” e ao ODM3 “Direitos iguais para homens e mulheres”

O ministro holandês da Cooperação, Bert Koenders, manifestou preocupação, na última sexta-feira aqui em Maputo, pelo “crescente fosso entre a população pobre e o grupo de ricos em Moçambique”.

De acordo com o ministro Koenders que falava numa palestra subordinada ao tema «Os cidadãos de Moçambique: pólo de desenvolvimento», “infelizmente o cenário da diferença entre ricos e pobres em Moçambique é patente, como constatei pessoalmente na província de Nampula”.

Segundo o ministro holandês, “devido ao carácter da sua política interna, Moçambique corre o risco de ver estagnado o seu desenvolvimento”. Koenders disse também que “em Moçambique não houve progresso suficiente no que se refere ao alcance aos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM)”, nomeadamente ao ODM2 que perspectiva “Todas Crianças para a Escola” e ao ODM3 “Direitos iguais para homens e mulheres”.

O ministro dos Países Baixos afirmou ainda que nestas áreas, ainda “terá que ser feito um esforço extraordinário para que efectivamente estes dois objectivos sejam alcançados até 2015 como está estabelecido”.

Citando o relatório dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, publicado no ano passado, o ministro apontou que o alcance destes objectivos não é facilitado pelo facto de Moçambique ainda se encontrar na faixa mais baixa do índice de desenvolvimento humano, ocupando o lugar 175 dos 179 países que foram abrangidos pela pesquisa das Nações Unidas.

Numa alusão implícita aos apoios dos Países Baixos à Moçambique, o ministro Bert Koenders, disse que a queda em 2009 do Produto Interno Bruto (PIB) holandês em 4,7 por cento vai ter “infelizmente consequências nalguns programas e projectos em países que ainda não são conhecidos”, sendo por isso necessário pensar “em escolhas arrojadas”.

Boa governação é boa relação entre cidadãos e governo

Ainda de acordo com o governante holandês, que na sexta-feira manteve um encontro com a primeira-ministra Luísa Diogo, com o ministro das Finanças, Manuel Chang, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação,Oldemiro Baloi e com o presidente do Conselho Municipal da Cidade da Beira que é simultaneamente o presidente do MDMDaviz Simango, o melhor método de combater a pobreza em Moçambique, é investir na transparência, em condições jurídicas adequadas e no fortalecimento da democracia, bem como no envolvimento do sector privado na criação de empregos.

O ministro para a Cooperação e Desenvolvimento da Holanda, referiu que não se pode falar de boa governação, quando não existe uma boa relação entre os cidadãos e o seu governo, e sem que o Executivo leve em conta os desejos e interesses de “todos” os seus cidadãos, nomeadamente a eficiência, honestidade e justiça.

“Governação e a importância de uma boa gestão, são talvez os factores simples mais importantes na erradicação da pobreza e na promoção do desenvolvimento”, disse Koenders, citando o ex-secretário-geral das Nações Unidas Koff Anan e a Declaração do Milénio assinado em 2000, para 189 países.

Por outro lado, defendeu o ministro Koenders, a boa governação significa, entre outras coisas, a transparência na política do Estado, um Estado de direito que funciona de forma eficaz e na prevenção da corrupção, mas também significa a prestação de contas a nível nacional, “aos cidadãos de Moçambique”.

O ministro disse ainda que, para a cooperação holandesa pelo desenvolvimento em Moçambique, a prestação de contas aos representantes escolhidos nas assembleias, conselhos provinciais e conselhos municipais, não basta. Propõe a prestação de contas, também, por exemplo a grupos usuários de poços de água, de comissões de pais, grupos de mulheres e organizações de agricultores, como forma de possibilitar a tomada de decisões consensuais com os cidadãos.

“Nos próximos anos, a prestação de contas ao nível nacional ou a responsabilização interna, aos cidadãos, continuará a ser uma das linhas centrais da cooperação holandesa com Moçambique”, advertiu Bert Koenders.

Para justificar a sua advertência, o ministro disse que ter constatado que “a prestação de contas das instituições públicas e governos locais em Moçambique para o topo está muito mais desenvolvida, do que a capacidade desenvolvida pelos cidadãos para pedir responsabilidades aos seus governos locais sobre os resultados por eles alcançados”.

Povo deve mostrar o seu descontentamento

Para o ministro holandês sabendo-se que “os clientes” dos serviços públicos prestados pelo Estado são precisamente os cidadãos, esses serviços por norma, devem ser ajustados às necessidades e perfazer os desejos do povo.

“Quando não for este o caso”, frisou o ministro, “os cidadãos têm de poder mostrar o seu descontentamento”.

“Por esta razão, os canais de informação, a transparência e a prestação de contas sobre as escolhas feitas na utilização dos escassos recursos do Estado, são de grande importância, já que se trata de dinheiro dos moçambicanos: dinheiro de impostos”, apelou o governante holandês.

Num outro desenvolvimento, o palestrante disse que o aumento da prestação de contas na oferta de serviços sociais e económicos, pode contribuir para um acesso mais equilibrado a estes serviços.

No relatório do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP), um documento sustentado pela sociedade moçambicana e a que o ministro da Holanda teve acesso, estão também expressas preocupações quanto ao crescente fosso entre ricos e pobres em Moçambique. Perante tais preocupações, o ministro holandês questionou se realmente a prestação de serviços sociais e económicos em Moçambique se destinam aos mais pobres e chamou à atenção para a necessidade de se ouvirem melhor os mais pobres, chamando-os a participar por exemplo na tomada de decisões, por um lado, mas por outro garantindo uma selecção transparente das actividades com maior potencial para o desenvolvimento económico.

As pessoas não devem sentir-se ouvidas só na “Presidência aberta”

Uma outra razão defendida pelo ministro holandês para a necessidade do reforço da prestação de contas nacionais em Moçambique, é que tal pode aumentar a cidadania activa.

“Estamos convencidos que cidadãos activos, engajados, são o pólo de desenvolvimento sustentável”, disse BertKoenders, acrescentando que “para tal é necessário que sejam criadas condições adequadas para que as pessoas sejam estimuladas a engajar-se, para que se sintam ouvidas, não só durante as visitas do presidente da República (Armando Guebuza) às províncias («Presidência Aberta»), mas também pelas autoridades locais”.

A concluir, o ministro disse que é importante que a utilização dos parcos recursos financeiros seja fundamentada de forma transparente e correcta.

Ser prestável aos cidadãos é muito mais importante

Já num comunicado distribuído à comunicação social antes da palestra do ministro na tarde de sexta-feira na Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane, a embaixada dos Países Baixos aludia que “a alta dependência de Moçambique de ajuda externa requer que o Governo de Moçambique seja prestável aos doadores, mas ser prestável aos cidadãos é muito mais importante”.

“Na cooperação dos Países Baixos com Moçambique, a prestação de contas interna é uma área prioritária. Os clientes dos serviços públicos, os cidadãos, merecem informação, transparência, uma voz forte na tomada de decisões e na prestação de contas no uso dos escassos meios públicos. A prestação de contas domésticas irá contribuir para o acesso mais equitativo aos serviços públicos. Criar as condições para uma participação real e tomar em consideração os cidadãos, irá encorajar a cidadania do povo Moçambicano”, defendia já a representação diplomática dos Países Baixos ao mesmo tempo que deixava claro que “o apoio dos Países Baixos à prestação de contas interna está ancorado no diálogo politico a nível nacional”. (Bernardo Álvaro)


CANAL DE MOÇAMBIQUE - 18.05.2009

Visão e Precisão

Segunda-feira, Maio 18, 2009

O melhor momento da época futebolística 2008-2009... para além da final da Carlsberg Cup

Cristiano Ronaldo Wins Goal of the Season 2009 Award

Sábado, Maio 16, 2009

Os segredos da Arte Makonde




Em troca do seu silêncio, estas estátuas makondes escondem e revelam, ao mesmo tempo, segredos "bem" guardados no Tempo...

Histórias de como os makondes dizem ter expulsado os comerciantes árabes e mais tarde os portugueses...

Histórias escondidas da Frelimo, como a de um Ronga de seu nome Lourenço Matola, de quem se diz que terá matado o célebre Filipe Samuel Magaya. Ou a do makonde que se intitulava de "General sem Fronteiras", de seu verdadeiro (?) nome Augusto Macaba, a quem imputam a morte dos presidentes do Burundi e do Ruanda... e que mais tarde acabou ao que se diz...morto por Mugabe...

Ou a dos makondes refugiados na Tanzânia e Quénia que morreram pouco depois de voltar a Moçambique, embora presidencialmente perdoados, ou foram parar a campos de concentração ou de reeducação... ou acabaram escravizados e calados com o subsídio de ex-combatente. Ou que partiram para fazer outras guerras por encomenda, como mercenários...

São histórias assim, um pouco esquecidas ou sabiamente ignoradas, de demónios lembrados ou imaginários, que nunca verão a luz do dia nem a justiça de verem o sangue makonde vingado a não ser no relevo e no cheiro das estátuas e espíritos de madeira que as contam... em segredo...

Quinta-feira, Maio 14, 2009

Contemporâneos - Inquérito: Necessitados e pobres

Como falamos a democracia?

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Os nacionalistas africanos não ficaram à espera que um vocabulário apropriado nascesse nas línguas maternas dos seus países.


Mia Couto *

Na bela cidade de Durban, falávamos eu e outros escritores africanos da surpresa do modo como, no Zimbabwe, tantos ainda apoiam Robert Mugabe. Havia, no grupo, escritores de vários países de África. Aproveitámos o que melhor há nas conferências literárias: os intervalos. A nossa perplexidade não se limitava ao caso zimbabweano. Como é que povos inteiros, em outras nações, se acomodaram perante dirigentes corruptos e venais. De onde nasce tanta resignação? 

Uma das razões dessa aceitação reside na forma como as línguas se relacionam com conceitos políticos da modernidade. Por exemplo, um zimbabweano rural designa os seus líderes nacionais como entidades divinizadas, fora das contingências da História e longe da vontade dos súbditos. O mesmo se passa em quase todas as línguas bantus. 

A questão pode ser assim formulada: como pensar a democracia numa língua em que não existe a palavra «democracia»? Num idioma em que «Presidente» se diz «Deus»? Nas línguas do Sul de Moçambique, o termo para designar o chefe de Estado é «hossi». Essa mesma palavra designa também as entidades divinas na forma dos espíritos dos antepassados, traduzindo uma sociedade em que não há separação da esfera religiosa. 

Parece uma questão de ordem linguística. Não é. Trata-se do modo como se organizam as percepções e as representações que uma sociedade constrói sobre si mesma. A sacralização do poder não pode casar com regimes em que se supõe que os líderes são escolhidos por livre votação. Numa sociedade em que os súbditos se convertem em cidadãos. 

Esse assunto escapa muitas vezes a quem se especializou em organizar seminários sobre cidadania e modernidade em África. A problemática política é vista, quase sempre, na sua dimensão institucional, exterior à intimidade dos cidadãos. Quando o participante do seminário explicar à sua comunidade o conteúdo dos debates usará a sua língua materna. E sempre que se referir ao Presidente ele fará uso do termo «deus». Como pedir uma atitude de mudança nestas circunstâncias? 

O que se pode fazer? Será que os falantes destas línguas estão condenados à imobilidade por causa desta inércia linguística? Na realidade, existem tensões entre a lógica interna de algumas destas línguas e a dinâmica social. Estas tensões não são novas e sempre foram resolvidas a favor da adaptação criativa e da criação de futuro. 

Já no passado, as culturas africanas (e todas as outras em todos os continentes) tiveram que se moldar e se reajustar perante aquilo que surgia como novidade. Eu mesmo testemunhei o modo veloz como as línguas moçambicanas se municiaram de instrumentos novos, roubando e apropriando-se de termos não próprios. 

Com o uso generalizado esses termos acabaram indigenizando-se. Sem drama linguístico, sem apoio de academias nem de acordos ortográficos os falantes dessas línguas «pediram» de empréstimo palavras de outros idiomas. Moçambique é, nesse domínio, um caldeirão dessas mestiçagens. 

Os nacionalistas africanos não ficaram à espera que um vocabulário apropriado nascesse nas línguas maternas dos seus países. Eles começaram a luta e essa mesma dinâmica contaminou (mesmo com uso de termos e discursos inteiros em português) as restantes línguas locais. 

Tudo isto nos traz a convicção do seguinte: a capacidade de questionar o presente necessita de língua portadora de futuro. A necessidade de sermos do nosso tempo e do nosso mundo exige línguas abertas ao cosmopolitismo. África – tantas vezes pensada como morando no passado – já está vivendo no futuro no que respeita à condição linguística: quase todos africanos são multilingues. 

Essa disponibilidade é uma marca de modernidade vital. O destino da nossa espécie é que cada pessoa seja a humanidade toda inteira.

 

Crónica de Mia Couto, escritor moçambicano, publicada na edição de Abril da revista África 21.


Textos relacionados:

 Democracia em África impossível, diz Khadaffi

 Democracia conquista-se e oportunidade não se pode perder

 De pai da democracia a Obama



Texto retirado do site: Moçambique para todos

Quarta-feira, Maio 06, 2009

Companhia do Chapitô: Drákula

A ver se os encontro nalgum ponto da tournée ibérica...

Companhia do Chapitô 2008 - 2ª parte

http://chapito.org

Companhia do Chapitô 2008 - 1ª parte

http://chapito.org

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Adeus, Vasco Granja.

Morreu parte das minhas recordações de infância!
Um post de Pedro Moura do blog Ler BD.




"Olá, amigos..."

Não tem nada a ver com nostalgia. A nostalgia é uma dor que apenas encontra no passado as coisas boas e apaga as más e nos faz vê-lo como intrinsecamente melhor do que o presente (e que transforma o futuro num incerto medo, mais do que num desafio para se crescer). Mas quando uma pessoa destas morre, alguma mossa deve deixar, e nós deixá-la visível devemos.

Vasco Granja tem a ver, a meu ver, com uma capacidade de educação sem proselitismo, com uma capacidade de descoberta ampla, e de uma descomprometida capacidade de preservar uma certa maravilha ao longo da vida.

Quanto mais aprendo sobre animação, por exemplo, mais me apercebo que - qual lição de Platão - descubro que não estou a ver novidades, mas a ver em adulto aquilo que já havia conhecido em criança e, as mais das vezes, através dos programas de Vasco Granja (Um exemplo? A Fome, de Peter Foldes). Quanto mais releio aspectos que aprendera há muito sobre banda desenhada, mais redescubro terem-se tratado de artigos de Vasco Granja (na tintin, por exemplo).

Quando da produção do Verbd, pensámos - o realizador e eu - em contactá-lo para o convidar a fazer um depoimento. Infelizmente, a sua condição física e de saúde não o permitiam já. Ficou a pena e o desencontro. Agora é irremediável. Ou não, se, ao invés de homenagens atrozes sob a forma de torturas comerciais, se se providenciasse à recuperação da sua memória, dos seus programas, dos seus escritos (prezo um pequeno volume sobre Dziga Vertov, da Livros Horizonte, escrito por Granja). Goste-se ou não se goste, critique-se muito ou pouco, faz parte de uma herança e é com ela que temos de viver e é dela que temos de crescer.

Nunca o conheci pessoalmente, por isso não posso falar de Vasco Granja como pessoa real (que teria, invariavelmente típico da espécie humana, as suas idiossincracias). Dele aproveito então esse serviço público, essas lições, que ficaram.

Para mais: Uma entrevista (de onde retirei a fotografia), e um artigo.

Adeus, amigo.

AINDA BAR

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