31 de dezembro de 2010

2010: um fim-de-semana em Lisboa para recordar... sempre!

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Artigo do Embaixador do Reino Unido ao deixar Portugal


Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento é de pessimismo, não de alegria.  Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. 
Por isso permitam-me,  em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.

9:55 Segunda feira, 20 de Dezembro de 2010 (Expresso)

Embaixador do Reino Unido


1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.  
2. O lugar central da comida na vida diária.  O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família. 
3. A variedade da paisagem.  Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies  do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior. 
4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX. 
5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente. 
6. A inocência.   É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência. 
7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista. 
8.  As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa. 
9.  A curiosidade sobre o resto do mundo e o seu conhecimento. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado,  e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.       
    
10.  Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho. 


Então,  terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. 

12 de dezembro de 2010

Logorama - A Cidade das Marcas

A "nova" Luanda é... um estaleiro de obras!


A nova Luanda é insaciável. É um monstro que não pára de crescer e de se expandir. Cada pedaço de terra é disputado para construir, seja onde for. A nova Luanda quer afirmar-se ao mundo, quer mostrar-se e tem vaidade naquilo em que se transformou. É a terra de todas as oportunidades, onde parece que todos os negócios são possíveis, onde tudo se vende, porque há uma ânsia incontrolável de comprar... de fazer, custe o que custar!

Zonas industriais, centros comerciais, novas vias de acesso, bairros inteiros, condomínios de luxo, campos desportivos, torres de escritórios, sucursais de bancos, restaurantes e trânsito, muito trânsito... caótico, imprudente e onde impera o "salve-se quem puder"...

A Luanda actual tem gente de todos os lados, mas a presença de chineses e de portugueses é notória. Brasileiros, americanos, espanhóis, italianos, russos, cubanos, vietnamitas e um sem-número de outros imigrantes, expatriados ou simples residentes temporários também são fáceis de encontrar...

É a cidade de todos os contrastes. A miséria absoluta e os que apenas tentam sobreviver (à fome, ou a uma bala perdida, ou às toneladas de lixo, ou ao VIH SIDA e ao paludismo,); os que conseguem sair desse poço e encontram formas de adaptar-se aos novos tempos, bem à maneira desenrascada dos africanos (em particular dos angolanos); de mão dada com os mais altos salários (totalmente escandalosos e insustentáveis a médio-longo prazo), o luxo e os preços proibitivos incomportáveis mesmo para os europeus mais ricos, a arrogância, a ganância e o delírio consumista dos novos-ricos angolanos e dos novos-colonos portugueses (os novos emigrantes que fogem ao tédio e a um país empobrecido e decadente), a massificação do betão (algumas vezes de duvidosa qualidade), onde impera o gosto (ou a falta de) arquitectónico dos amigos do Império do Meio... 

Enfim, tudo isto e algo mais se pode encontrar nesta "nova" Luanda!

E um dia se dirá: E tudo a China levou...









































I'm Not There