12 de dezembro de 2010

A "nova" Luanda é... um estaleiro de obras!


A nova Luanda é insaciável. É um monstro que não pára de crescer e de se expandir. Cada pedaço de terra é disputado para construir, seja onde for. A nova Luanda quer afirmar-se ao mundo, quer mostrar-se e tem vaidade naquilo em que se transformou. É a terra de todas as oportunidades, onde parece que todos os negócios são possíveis, onde tudo se vende, porque há uma ânsia incontrolável de comprar... de fazer, custe o que custar!

Zonas industriais, centros comerciais, novas vias de acesso, bairros inteiros, condomínios de luxo, campos desportivos, torres de escritórios, sucursais de bancos, restaurantes e trânsito, muito trânsito... caótico, imprudente e onde impera o "salve-se quem puder"...

A Luanda actual tem gente de todos os lados, mas a presença de chineses e de portugueses é notória. Brasileiros, americanos, espanhóis, italianos, russos, cubanos, vietnamitas e um sem-número de outros imigrantes, expatriados ou simples residentes temporários também são fáceis de encontrar...

É a cidade de todos os contrastes. A miséria absoluta e os que apenas tentam sobreviver (à fome, ou a uma bala perdida, ou às toneladas de lixo, ou ao VIH SIDA e ao paludismo,); os que conseguem sair desse poço e encontram formas de adaptar-se aos novos tempos, bem à maneira desenrascada dos africanos (em particular dos angolanos); de mão dada com os mais altos salários (totalmente escandalosos e insustentáveis a médio-longo prazo), o luxo e os preços proibitivos incomportáveis mesmo para os europeus mais ricos, a arrogância, a ganância e o delírio consumista dos novos-ricos angolanos e dos novos-colonos portugueses (os novos emigrantes que fogem ao tédio e a um país empobrecido e decadente), a massificação do betão (algumas vezes de duvidosa qualidade), onde impera o gosto (ou a falta de) arquitectónico dos amigos do Império do Meio... 

Enfim, tudo isto e algo mais se pode encontrar nesta "nova" Luanda!

E um dia se dirá: E tudo a China levou...