Hoje morreu "Camões", o cão que inspirou José Saramago nas suas obras.
Deixo aqui a notícia que muitos criticaram por considerarem "não notícia" e por isso mesmo, deixo aqui uma homenagem ao cão Camões e a todos os cães de companhia através dos próprios textos do escritor...como disse, um dia, Saramago: "Encontro mais humanidade nos cães do que em muitas pessoas..."
03/08/2012
A Fundação José Saramago anunciou hoje a morte do cão de água Camões, que inspirou o escritor a imaginar o cão "O Achado", fiel aliado do oleiro protagonista do romance "A Caverna".
O cão que José Saramago adotou, no ano em que foi distinguido com o Prémio Camões, em 1995, morreu hoje na ilha espanhola de Lanzarote, no arquipélago das Canárias, noticia a Fundação.
Num texto difundido no sítio da Fundação na Internet, a viúva do escritor, Pilar del Río, recorda: "'Entra, chegaste à tua casa': assim entrou Camões na vida de José Saramago. No momento em que Manuel Maria Carrilho, ministro da Cultura de Portugal, anunciava a José Saramago que lhe tinha sido concedido o maior galardão literário da língua portuguesa".
Conta Pilar del Río, que preside à Fundação, que o "cão assustou tanto uma vizinha que ela gritou a pedir ajuda", mas quando se foi ver o que passava, "o animal feroz era um cachorro assustado com o susto da mulher".
"O animal entrou pela porta aberta do jardim, mexendo sem jeito as pernas, um pouco desajeitado, feliz por ninguém o maltratar. Quando Saramago apareceu a anunciar que tinha recebido o Prémio Camões, soubemos, soubemo-lo nesse instante, que o cão que tinha encontrado a sua casa não ia ter outro nome que o do grande poeta português", escreve Pilar del Río.
"E este cão doce e nobre, que nunca aprendeu a comer devagar porque, até chegar à Casa, tinha tido que lutar contra a fome e o abandono, com a sua gravata branca desenhada no pelo negro, que foi o modelo para 'O Achado' d'A Caverna, um cão que, como todos os cães que Saramago inventa, é a melhor resposta animal à melhor consciência humana, morreu com todos os seus anos e sempre amado", afirma a presidente da Fundação.
Num texto difundido no sítio da Fundação na Internet, a viúva do escritor, Pilar del Río, recorda: "'Entra, chegaste à tua casa': assim entrou Camões na vida de José Saramago. No momento em que Manuel Maria Carrilho, ministro da Cultura de Portugal, anunciava a José Saramago que lhe tinha sido concedido o maior galardão literário da língua portuguesa".
Conta Pilar del Río, que preside à Fundação, que o "cão assustou tanto uma vizinha que ela gritou a pedir ajuda", mas quando se foi ver o que passava, "o animal feroz era um cachorro assustado com o susto da mulher".
"O animal entrou pela porta aberta do jardim, mexendo sem jeito as pernas, um pouco desajeitado, feliz por ninguém o maltratar. Quando Saramago apareceu a anunciar que tinha recebido o Prémio Camões, soubemos, soubemo-lo nesse instante, que o cão que tinha encontrado a sua casa não ia ter outro nome que o do grande poeta português", escreve Pilar del Río.
"E este cão doce e nobre, que nunca aprendeu a comer devagar porque, até chegar à Casa, tinha tido que lutar contra a fome e o abandono, com a sua gravata branca desenhada no pelo negro, que foi o modelo para 'O Achado' d'A Caverna, um cão que, como todos os cães que Saramago inventa, é a melhor resposta animal à melhor consciência humana, morreu com todos os seus anos e sempre amado", afirma a presidente da Fundação.
O cão foi ainda título de uma crónica jornalística, conta Pilar del Río, quando da morte do escritor, há dois anos.
"Quando o cão chamado Camões regressou a casa depois da morte de José Saramago, não conseguiu aceitar a ausência. Esteve inquieto durante o dia, mas quando chegou a noite e não viu o dono nem na cama nem no sofá que ocupava habitualmente, quando uma e mil vezes percorreu o espaço entre os dois quartos, quando percebeu que o dono já não estava nem ia estar, que isso é a morte, uivou, gritou, rasgou-se numa dor que arranha a alma só de descrevê-la", recorda a viúva de Saramago.
"Não bastaram abraços para consolá-lo, nem palavras carinhosas: ia e vinha de um lugar para outro, numa correria que partia o coração, gemia com uma dor humana. Por isso, um amigo que estava lá em casa e ali passou a noite, intitulou no dia seguinte a sua coluna jornalística: 'Camões chora por Saramago'".
"Não bastaram abraços para consolá-lo, nem palavras carinhosas: ia e vinha de um lugar para outro, numa correria que partia o coração, gemia com uma dor humana. Por isso, um amigo que estava lá em casa e ali passou a noite, intitulou no dia seguinte a sua coluna jornalística: 'Camões chora por Saramago'".