18 de outubro de 2012

Vítor Gaspar, o anti-Nobel primário


por FERREIRA FERNANDES



Leram as justificações do comité sueco ao atribuir o Nobel de Economia? É um ataque claro a Vítor Gaspar, só pode. O comité ditou para a ata: "Este ano, o prémio recompensa um problema económico central: como associar diferentes agentes o melhor possível." Se era para sublinhar exatamente o que Gaspar não sabe fazer - ele que até o seu Governo desune -, não se podia ser mais acintoso. Vítor Gaspar é perito em desassociar o melhor possível até os agentes que nem diferentes são e pertencem ao mesmo governo. Se houvesse um anti-Nobel de Economia, era ele. Os americanos Alvin Roth e Lloyd Shapley ganharam o prémio pelo seu trabalho sobre como as diferentes escolhas podem ser feitas sem precisar dos preços (dinheiro) como mecanismo. O trabalho deles, todos os jornais já falaram disso, dedicou-se a pensar como os novos médicos se distribuem num hospital e os estudantes numa escola, os casais se encontram para dar certo, os órgãos transplantados chegam aos doentes... Enfim, coisas da vida. Da vida, área que o nosso ministro das Finanças desconhece (e, suspeito, tem raiva de quem conhece). Vítor Gaspar lê aquilo das "diferentes escolhas que podem ser feitas sem precisar do preço como mecanismo", e afasta logo a ideia com a soberba lenta que o caracteriza. Tudo que foge ao acerto de contas é-lhe indiferente. Mas esse não é o problema maior. O problema maior é que, depois, ele não acerta as contas.