17 de novembro de 2012

Angola levanta-se em defesa dos pobres portugueses




"Mário Soares não deu com a língua nos dentes nem escreveu um testamento sobre as violentas cargas policiais em frente à Assembleia Nacional, ruas limítrofes e Cais do Sodré. Dezenas de pessoas foram parar ao hospital, algumas gravemente feridas, devido às agressões dos agentes da polícia de choque. Francisco Louçã, o frade trapeiro da esquerda, não entrou no parlamento aos gritos, exigindo uma condenação contra o Governo Português por ter violado gravemente os direitos humanos nas ruas de Lisboa, a decrépita capital imperial. As máfias organizadas da política à portuguesa ficaram em silêncio face à brutalidade policial. Alguns até elogiaram os agentes, por terem atacado à bruta e atirado para o hospital dezenas de portugueses que o único crime que cometeram foi manifestar a sua indignação. Não têm trabalho nem pão e ainda por cima o seu governo tira-lhes o pouco que resta para dar aos banqueiros nacionais e da Troika. A RTP fez a cobertura dos acontecimentos mas escondeu parte da verdade. A SIC mostrou tudo mas sem filtro ou colou às imagens uma mensagem que deturpava a verdade dos factos. A TVI foi mais longe e às imagens associou palavras de um repórter que garantia aos telespectadores que os feridos mais graves foram feitos pelos próprios manifestantes! Os portugueses um dia destes regressam ao tempo em que os polícias davam tiros para o ar e acertavam nas partes baixas dos manifestantes. Os direitos humanos estão em perigo em Portugal e os angolanos não podem ficar em silêncio porque estamos a falar de um país que faz parte da CPLP. Se há reuniões de emergência por causa da situação política e humanitária na Guiné-Bissau, é hora de convocar todos os líderes da comunidade para avaliar a situação dos direitos humanos em Portugal. É chocante ver agentes da polícia bater num idoso no chão, até lhe partirem a cabeça. Ou em mulheres que estavam a passar no local errado à hora errada. Ninguém pode ficar indiferente ao sangue que na quarta-feira correu em Lisboa. Angola tem sido, sobretudo nos últimos dez anos, o baluarte da democracia e da liberdade na comunidade de países que falam a língua portuguesa. Num momento em que surgem visíveis sinais de violência sobre cidadãos indefesos, temos de cerrar fileiras e exigir que Portugal respeite os direitos humanos. A polícia portuguesa devia vir a Luanda fazer uma formação com a nossa Política de Intervenção Rápida. Quando antes das eleições algumas dezenas de jovens, manipulados por partidos políticos que ainda têm o cordão umbilical ligado às máfias políticas em Portugal, fizeram manifestações de rua, tudo acabou de uma forma civilizada. Choveram pedras sobre os agentes da polícia e os seus carros. Mas tudo se resolveu com a detenção dos desordeiros. Depois de identificados foram para casa e alguns tiveram de responder no Tribunal de Polícia. Não houve agressões selváticas. Os direitos humanos foram respeitados. Os dos manifestantes e os de todos os outros. Apesar da actuação profissional e civilizada dos agentes da Polícia Nacional, a RTP amplificou desalmadamente os acontecimentos. Dirigentes do Bloco de Esquerda exigiram a condenação do Executivo. A imprensa portuguesa entrou em delírio de aldrabices compulsivas. Houve um festival de ingerências nos assuntos internos de Angola. Em Lisboa aconteceu um verdadeiro massacre sobre manifestantes indignados e as máfias fingem que não percebem o que aconteceu. Até os nossos políticos, tão sensíveis à liberdade de expressão, estão em silêncio. O Mário Crespo não entrevista o Rafael Marques nem o Filomeno Vieira Lopes. O Justino Pinto de Andrade ficou calado só porque lhe deram a presidência do júri do prémio Maboque. Ninguém se levanta em defesa dos pobres portugueses que estão a morrer de fome." (in JORNAL DE ANGOLA)

Via Toix