14 de agosto de 2013

Acordo Ortográfico - José Manuel Fernandes




Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros. 

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas. É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer ? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade. 

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra. Porqe é qe "assunção" se escreve com "ç" "ascensão" se escreve com "s" ? Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o "ç". Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o "ç" e o substitua por um simples "s" o qual passaria a ter um único som . Como consequência, também os "ss" deixariam de ser nesesários já qe um "s" se pasará a ler sempre e apenas "s". 

Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, "uzar", é isso mesmo, se o "s" pasar a ter sempre o som de "s" o som "z" pasará a ser sempre reprezentado por um "z" . Simples não é? se o som é "s", escreve-se sempre com s. Se o som é "z" escreve-se sempre com "z". 

Quanto ao "c" (que se diz "cê" mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de "q") pode, com vantagem, ser substituído pelo "q". Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de "k" .Ponha um q. Não pensem qe me esqesi do som "ch" . O som "ch" será reprezentado pela letra "x". Alguém dix "csix" para dezinar o "x"? Ninguém, pois não? O "x" xama-se "xis". Poix é iso mexmo qe fiqa . Qomo podem ver, já eliminámox o "c", o "h", o "p" e o "u" inúteix, a tripla leitura da letra "s" e também a tripla leitura da letra "x". 

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex . Não, não leiam "simpléqs", leiam simplex . O som "qs" pasa a ser exqrito "qs" u qe é muito maix qonforme à leitura natural . No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente . Vejamox o qaso do som "j" . Umax vezex excrevemox exte som qom "j" outrax vezex qom "g"- ixtu é lójiqu? Para qê qomplicar ? ! ? Se uzarmox sempre o "j" para o som "j" não presizamox do "u" a segir à letra "g" poix exta terá, sempre, o som "g" e nunqa o som "j". Serto ? Maix uma letra mud a qe eliminamox. 

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem ! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade? 

Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam! Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox . A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia. É o qazo da letra "a" . Umax vezex lê-se "á", aberto, outrax vezex lê-se "â", fexado. Nada a fazer. Max, em outrox qazos, á alternativax.
Vejamox o "o": umax vezex lê-se "ó", outrax lê-se "u" e outrax, lê-se "ô". Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! qe é qe temux o "u" ? Se u som "u" pasar a ser sempre reprezentado pela letra "u" fiqa tudo tão maix fásil ! Pur seu lado, u "o" pasa a suar sempre "ó", tornandu até dexnesesáriu u asentu. Já nu qazu da letra "e", também pudemux fazer alguma qoiza : quandu soa "é", abertu, pudemux usar u "e" . U mexmu para u som "ê". Max quandu u "e" se lê "i", deverá ser subxtituídu pelu "i" . I naqelex qazux em qe u "e" se lê "â" deve ser subxtituidu pelu "a" . Sempre. Simplex i sem qompliqasõex . 

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u "til" subxtituindu, nus ditongux, "ão" pur "aum", "ães" - ou melhor "ãix" - pur "ainx" i "õix" pur "oinx" . Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux. Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu . Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?...

I porqe naum?...