28 de fevereiro de 2014

As Finanças/As SS nazis


Daniel Deusdado




, Jornal de Notícias

1 A história da falência da Throttleman e Red Oak, duas marcas de vestuário português que fecharam as lojas na semana passada, é o melhor exemplo de como, por debaixo da demagogia sobre o Portugal de sucesso, a vida prossegue, inexorável, a matar a pequena e média economia portuguesa. Esta história é tão irreal (e não é a única) que até dá vontade de fugir do país.

Antes de mais: a Throttleman foi criada em 1991 por três gestores (Pedro Pinheiro, Eduardo Barros e Nuno Gonçalves) acabados de sair da faculdade. O profeta do cavaquismo industrial, Mira Amaral, pedia, e bem, marcas próprias e redes de lojas nacionais, sobretudo em setores como o do vestuário onde vendíamos esmagadoramente para subcontratação. Quem ousasse devia até internacionalizar.

A Throttleman fez isso mesmo: lojas nos shoppings ao lado das grandes Zaras, Benettons ou Lacoste. Vendia camisas portuguesas e outro vestuário a preço médio-alto. Chegou a dar emprego a quase 750 pessoas. E chegou a abrir lojas nos Emirados Árabes Unidos e em Angola - em resumo, fez o que está escrito nos livros de gestão. Só que a derrocada de 15 de setembro de 2008, nos Estados Unidos, provocou o brutal arrefecimento do consumo mas não o da conta mensal de quem tinha investimentos a pagar. Uma média de 12 milhões de vendas anuais revelavam-se insuficientes.

Os 23 milhões de euros de passivo acumulado pela Throttleman e Red Oak levaram então a que, em novembro de 2012, ambas avançassem para o "Processo Especial de Revitalização", um mecanismo criado pelo Estado para ajudar empresas em dificuldades. Viáveis ou não? Os credores decidiriam. E neste caso as coisas correram de forma extraordinária: em apenas 76 dias conseguiu-se um acordo com cerca de 80% de créditos, incluindo a Segurança Social. Quem faltou? Praticamente apenas o Ministério das Finanças, ainda por cima credor privilegiado.

Aceite pelo tribunal o Plano de Recuperação, vida nova? Errado. As Finanças interpõem um recurso judicial que impediu a recuperação de arrancar. Há um ano. Apesar das Finanças e da Segurança Social terem assegurado o ressarcimento de 100% da dívida em 150 prestações, acrescidas de juros a uma média de 6,25%, as Finanças não aceitaram que os juros antigos e as coimas fossem perdoados em 80%. Uma gota no conjunto de todo o processo. (Note-se que, entretanto, as Finanças perdoaram 100% dos juros e 90% das coimas, em dezembro último, a quem pagou impostos em atraso por razões tão absurdas como fugas para off-shores, etc...).

A Throttleman andou 12 meses a lutar com as Finanças em recursos judiciais e depois o processo encalhou no Tribunal Constitucional. Entretanto, a gestão tornou-se impossível. Há dias anunciou o pedido de insolvência. Tinha 200 trabalhadores. As Finanças (e todos os outros) vão agora receber zero ou pouco mais.

2. Quando leio as notícias sobre o aumento da arrecadação fiscal, mês após mês, penso em casos como este e temo o pior. As Finanças estão a usar expedientes claramente selvagens para conseguir tirar o pouco que resta à economia. Penhoram tudo a toda a gente - até por pequenas multas. Sabem que os tribunais não funcionam e são inúteis como recurso dos contribuintes.

Uma empresa que recorra judicialmente contra o Fisco fica registada como incumpridora se não pagar à cabeça e é inibida de direitos básicos (ex: estágios profissionais apoiados). Passa a ter o seu nome publicado na lista "negra" dos devedores. Todos os meios valem. O novo sistema de fornecimento de informação - SAFT - obriga as empresas a porem nas mãos do Estado 100% da sua vida - clientes, preços, prazos, pagamentos.

As Finanças são um Estado prepotente (sem aspas nem metáforas), amoral, dentro de um país que tenta sobreviver à sistemática e brutal cobrança e aumento de impostos. Ainda vamos brevemente descobrir que boa parte do sucesso das exportações inclui também uma coisa óbvia: as mercadorias vão mas o lucro não volta. O Fisco está enganado se pensa que mete os empresários em campos de concentração fiscais (onde estão os trabalhadores por conta de outrem e pensionistas). O inimigo é comum - o Fisco. A ordem é "fugir". O ódio ao Estado é total. Lutar contra a carga fiscal é como militar na Resistência.

26 de fevereiro de 2014

¿Podemos seguir comiendo tanta carne?



Esther Vivas 
 

La carne se ha convertido en indispensable en nuestras comidas. Parece que no podamos vivir sin ella. Si hasta hace pocos años, su consumo era un privilegio, una comida de fechas señaladas, hoy se ha convertido en un acto cotidiano. Quizás, incluso, demasiado cotidiano. ¿Necesitamos comer tanta carne? ¿Qué impacto tiene en el medio ambiente? ¿Qué consecuencias para el bienestar animal? ¿Para los derechos de los trabajadores? ¿Y para nuestra salud? 
 
El consumo de carne se asocia a progreso y modernidad. De hecho, en el Estado español entre 1965 y 1991 su ingesta se multiplicó por cuatro, especialmente la de carne de cerdo, según datos del Ministerio de Agricultura. En los últimos años, sin embargo, el consumo en los países industrializados se ha estancado o incluso ha disminuido, debido, entre otros, a los escándalos alimentarios (vacas locas, gripe aviar, pollos con dioxina, carne de caballo en lugar de carne de vaca, etc.) y a una mayor preocupación sobre lo que comemos. De todos modos, hay que recordar que también aquí, y más en un contexto de crisis, amplios sectores no pueden optar a alimentos frescos ni de calidad o a escoger entre dietas con o sin carne. 
 
La tendencia en los países emergentes, como Brasil, Rusia, India, China y Sudáfrica, los llamados BRICS, en cambio, va en aumento. Estos concentran el 40% de la población mundial y entre el 2003 y el 2012 su consumo de carne aumentó un 6,3%, y se espera que entre 2013 y 2022 crezca un 2,5%. El caso más espectacular es el de China, que ha pasado en pocos años, de 1963 a 2009, de consumir 90 kilocalorías de carne por persona al día a 694, como indica el Atlas de la Carne. ¿Los motivos? El aumento de la población en estos países, su urbanización y la imitación de un estilo de vida occidental por parte de una amplia clase media. De hecho, definirse como "no vegetariano" en la India, un país vegetariano por antonomasia, se ha convertido, entre algunos sectores, en un estatus social. 

Seguir leyendo el artículo aquí.

O Eterno Capitão, O Mais Velho, O Carregador de Pianos, O Monstro Sagrado, O Senhor Coluna...



Hasta siempre, Paco de Lucía...

A cinza antes do fogo...








Quando se discute a «limpeza» dos matos e o problema da acumulação de «combustível vegetal», é de giestas, tojos, urzes, estevas, sargaços e carqueja que se está a falar. Tais presumíveis culpados pela «catástrofe dos incêndios» nunca são chamados pelo nome, quem sabe se para evitar que a ânsia de serem notícia os leve a imolarem-se em fogos ainda mais destrutivos. Esse modo de amalgamar grande parte da riqueza florística das nossas serras num plural indiferenciado e pejorativo (os «matos») promove, na teoria e na prática, um desprezo pela biodiversidade que nenhuma acção de sensibilização ambiental consegue contrariar. Muita gente bem intencionada julga que plantar árvores é louvável em qualquer lugar e circunstância, não importando que com isso se destrua algum mato e uma ou outra ervita. Pode acontecer, porém, que aquilo que se perde tenha um valor conservacionista muito mais elevado do que a árvore que insistimos em plantar naquele ponto exacto. Um exemplo paradigmático foi a razia que levou a melhor população de narciso-trombeta (Narcissus pseudonarcissus) da serra de Arga, junto ao parque de merendas da Senhora do Minho, para se plantarem duas dúzias de bétulas.

As giestas ou piornos - assim são chamadas muitas leguminosas dos géneros CytisusSpartiumGenista e Retama- também podem ser motivo de entusiasmo para quem aprendeu a conhecê-las. Todas elas valem pelo amarelo exuberante da floração, a que se acrescenta um cheiro que vai do intensíssimo (e meio enjoativo) perfume doCytisus striatus à delicada fragrância a limão da Genista florida. Algumas são raridades, sobrevivendo em nichos e em populações escassas, e não deveriam ser ignoradas nos planos de monitorização e conservação da natureza. É nesta última categoria que entra a Genista cinerascens, um bonito arbusto que o João Lourenço nos deu a conhecer, em Junho passado, no planalto de Montalegre. A sua área de distribuição em Portugal é algo incerta, o que em parte se deve à confusão com congéneres muito semelhantes. Assim, João do Amaral Franco, no vol. 1 (publicado em 1971) da Nova Flora de Portugal, não refere a ocorrência da espécie no nosso país, mas informa que a G. obtusiramea, que é similar embora exiba porte bem mais rasteiro, ocorre nas serras da Estrela e do Larouco. A Flora Ibérica (ver pdf) sustenta, pelo contrário, que por cá temos não a G. obtusiramea mas a G. cinerascens, embora a distribuição que atribui a esta última (Beira Alta, Douro Litoral, Minho e Trás-os-Montes) seja insolitamente vasta. É porém indubitável que as plantas que observámos em Montalegre, com a serra do Larouco à vista, encaixam, não apenas pelo porte (algumas ultrapassavam 1 m de altura, quando a G. obtusiramea não excede os 40 cm) mas também pelos ramos floridos geralmente erectos, na descrição da G. cinerascens feita pela Flora Ibérica.

G. cinerascens, cujo epíteto específico é explicado pela cor acinzentada dos ramos velhos, é um endemismo ibérico do centro e oeste da Península, que se distingue pelas folhas simples, sedosas em ambas as páginas, e sobretudo pela pilosidade do estandarte floral (observável com alguma dificuldade na última foto aí em cima). O perfume, tanto quanto recordamos, não é de desdenhar, mas não é comparável em doçura e requinte ao daGenista florida que lhe fazia companhia e de que os nossos narizes tiveram dificuldade em separar-se. Nada obstava à nossa permanência, pois as duas Genistas comungam uma índole pacífica que se traduz pela ausência de espinhos.


24 de fevereiro de 2014

The War on Reason

by Paul Bloom

Scientists and philosophers argue that human beings are little more than puppets of their biochemistry. Here's why they're wrong.

Aristotle’s definition of man as a rational animal has recently taken quite a beating.

Part of the attack comes from neuroscience. Pretty, multicolored fMRI maps make clear that our mental lives can be observed in the activity of our neurons, and we’ve made considerable progress in reading someone’s thoughts by looking at those maps. It’s clear, too, that damage to the brain can impair the most-intimate aspects of ourselves, such as the capacity to make moral judgments or to inhibit bad actions. To some scholars, the neural basis of mental life suggests that rational deliberation and free choice are illusions. Because our thoughts and actions are the products of our brains, and because what our brains do is determined by the physical state of the world and the laws of physics—perhaps with a dash of quantum randomness in the mix—there seems to be no room for choice. As the author and neuroscientist Sam Harris has put it, we are “biochemical puppets.”

Read more: 

Paul Bloom is a professor of psychology and cognitive science at Yale University, and the author of Just Babies: The Origins of Good and Evil (2013).

Não, não estou velho! Não sou é suficientemente novo para já saber tudo...



Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril.

E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade.

Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente,  ordenadamente, no respeito  das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar.

Sou dos que acreditam na invenção desta crise.

Um “directório” algures  decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia.


Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.

Parece que  alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final.

Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência.

Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado  que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho.Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se.

Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro  entre os medicamentos e a comida.

E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.

A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o miagre da multiplicação dos pães.

 Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de  sair de casa,  suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se  de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores  de geração espontânea, mas 81.000  licenciados estão desempregados.

Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho.

Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada”  faz um milhão de espectadores.

Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.

Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade.

Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas  há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados.

Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.

Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…

Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?

E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa.

Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora.

E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário.

Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.

E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…

Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço.

E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome , envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos.

É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.

 Júlio Isidro

São Pedro de Moel


23 de fevereiro de 2014

Transgénicos: 'Spain is different'


Esther Vivas

Trasgénicos, sí o sí. No nos dejan opción, parece. La Comisión Europea así lo impuso la semana pasada cuando decidió aprobar, pese al rechazo de la mayor parte de países miembros, el cultivo de un nuevo maíz transgénico en Europa: el TC1507 del grupo Pioneer-DuPont. Los votos en contra de 19 países, de un total de 28, en el Consejo de Ministros de la Unión e incluso el rechazo mayoritario del Parlamento Europeo de poco sirvieron. La Comisión argumentó que la mayoría contraria alcanzada en el Consejo, al no ser cualificada, era insuficiente para dar carpetazo a la propuesta. Así funciona la Comisión, que usa dicho mecanismo para imponer medidas impopulares. ¿Quién manda en Europa? ¿Los ciudadanos o los lobbies? 

La Unión Europea, de hecho, permite ya el cultivo de transgénicos. En concreto, el del maíz MON810 de Monsanto. Un maíz modificado genéticamente, al que se le introduce el gen de una bacteria que le lleva a producir una toxina, conocida como Bt, que lo hace resistente al taladro, permitiendo combatir esta plaga. Sin embargo, muchos de los países miembros, como Francia, Alemania, Austria, Grecia, Irlanda, Polonia, Italia, Hungría..., lo prohíben.Informes científicos advierten de su impacto en el medio ambiente y señalan claras incertidumbres en la salud, entre otras cuestiones. Prima, en dichos países, el principio de precaución: si las consecuencias de un acto pueden ser negativas e irreversibles, no se lleva a cabo hasta que se adquieran los conocimientos científicos necesarios para evitarlas.

Amistades peligrosas

Sin embargo, como dirían en tiempos del generalísimo Francisco Franco, “Spain is different”. El Estado español es el único país de la Unión Europea que cultiva maíz transgénico a gran escala, sobre todo en Aragón y Catalunya. Se calcula que aquí se siembra el 80% de la producción de toda Europa, según datos de 2009 del Servicio Internacional de Agrobiotecnología (ISAAA). Y eso, sin tener en cuenta los campos experimentales. ¿Por qué? Su cultivo empezó en 1998, bajo el gobierno de José María Aznar y el Partido Popular (PP), y con la producción de la variedad de maíz transgénico Bt176 de Sygenta, que en 2005 fue prohibida por sus efectos negativos en el ecosistema. Desde entonces, la producción por excelencia es la de maíz transgénico MON810. Los vínculos estrechos entre industria biotecnológica, principal promotora de los Organismos Genéticamente Modificados (OGM), y las instituciones públicas explican el porqué. Amistades peligrosas para el bien común.

Seguir leyendo el artículo aquí.

14 de fevereiro de 2014

San Valentín: rosas y espinas


Esther Vivas

El amor se ha convertido en objeto de marketing. San Valentín es el mejor ejemplo, el día de los enamorados. Todo vale para hacer negocio y poner precio a lo que sentimos. Una rosa roja es la sublime expresión de ese amor, convertido en mercancía. Millones de rosas son comercializadas el día de San Valentín. Pero, ¿de dónde llegan? ¿Cómo han sido cultivadas? ¿Por quién? La mayor parte vienen de Kenya, Etiopía, Colombia y Ecuador, los mayores exportadores hacia la Unión Europea. Su origen poco tiene que ver con la imagen idílica que buscan representar. La precariedad laboral, la mala salud de sus trabajadores, el impacto en el medio ambiente es lo que se esconden.

Las mujeres son la principal fuerza de trabajo en estas "maquilas" del Sur global. Mujeres que no reciben rosas sino que las producen de sol a sol por salarios de miseria y en condiciones laborales extremadamente precarias. En las plantaciones de África del este y de Colombia, se calcula que pueden llegar a trabajar hasta 15 horas al día para cubrir las exigentes demandas de los clientes, según el informe Amargo florecer de War on Want. En Colombia, representan el 65% de la mano de obra, la mayoría migrantes rurales, y en Kenya el 75%. Sus salarios son de miseria. En Kenya, la retribución es de unos 33 euros al mes, y no da para cubrir necesidades tan básicas como la alimentación, la vivienda, el transporte. A menudo, son obligadas a trabajar horas extras sin remuneración, de negarse pierden el empleo. La temporalidad es la moneda de cambio.

La presencia de sindicatos independientes es casi inexistente. Las condiciones laborales precarias dificultan la organización sindical y aquellos que lo intentan acaban siendo amenazados y acosados por la empresa. En Colombia, según War on Want, se calcula que menos de un 5% de los trabajadores forma parte de un sindicato; en Kenya, la cifra oscila entorno el 16-17%; y en Etiopía es igual a 0. Las empresas de flores, además, tienen un largo currículum de persecución sindical y de creación de sindicatos patronales.

Seguir leyendo el artículo aquí.

12 de fevereiro de 2014

Pinheiros da Marinha Grande...



O caso Relvas e a tragédia do Meco


por José Baptista, baptis.jose@gmail.com
Contrariamente ao que o título pode sugerir, o foco de análise deste artigo não incide directamente sobre o ridículo processo jurídico/institucional de atribuição de uma licenciatura em "Ciência Política", a um político cujo sucesso profissional seguramente não assenta em bases científicas. Mas, também não é sobre a incomensurável dimensão da tragédia humana e familiar que, significou a morte por afogamento de seis jovens universitários, na noite de 15 de dezembro de 2013, no Meco.

O foco deste artigo é sobre alguns aspectos da luta pelo Poder em Portugal.

Segundo Adriano Moreira, "a luta pelo acesso a essa capacidade suprema, pela sua manutenção e seu uso, define todo o fenómeno central da política".

O justificado interesse mediático do caso Relvas, reside no facto do ministro Miguel Relvas ter obtido uma licenciatura em "Ciência Política", através de um processo de claro facilitismo académico, a roçar os limites do fraudulento.

Mas, visto na perspetiva da luta pelo Poder em Portugal, o principal elemento de análise política consiste em que, à data dos acontecimentos, o ministro Miguel Relvas detinha a tutela do processo de privatização de um dos canais da Radiotelevisão Portuguesa (RTP).

Para além do sólido interesse mediático, a eclosão do escândalo político da obtenção da licenciatura de Miguel Relvas visava seguramente a sua fragilização política na condução do polémico processo de privatização da RTP1, ou se necessário o seu afastamento do processo por meio da sua demissão, facto que a posterior sequência de acontecimentos políticos veio a confirmar.

Entre outras consequências, a entrada de um novo player no mercado televisivo português vai forçar a reorganização do sector televisivo português, gerando a ruptura do status quo na comunicação social em Portugal e, a necessidade de encontrar-se um novo equilíbrio na relação entre a actividade política e a comunicação social, o que torna obviamente o processo de privatização da RTP, um processo conflituoso.

A privatização de um dos canais da RTP significa muito mais do que a simples alienação de uma parte da propriedade de uma empresa de comunicação social pública ao sector privado, significa principalmente a alienação de uma parcela do poder em Portugal.

Relativamente ao acontecimento do Meco, o seu justificado forte mediatismo residiu inicialmente na enorme dimensão trágica do acontecimento ocorrido na noite de 15 de dezembro de 2013, ou seja, a morte conjunta e prematura por afogamento de seis jovens universitários, ao serem levados por uma onda em direção ao mar é, por si só, uma notícia de primeiríssima página.

Se ao facto anteriormente referido, for possível acrescentar acontecimentos misteriosos e potencialmente tenebrosos, como a morte dos jovens poder resultar de rituais de praxes universitárias despóticas de um qualquer "Dux", o interesse mediático dos acontecimentos, não só subsiste ao longo do tempo, como volta a crescer sempre que surjam novos elementos para o seu desejado esclarecimento, ou um intencional obscurecimento.

No entanto, visto na perspetiva da luta pelo poder, o principal elemento político a reter é claramente, o recrudescimento da intensidade de um conflito latente entre duas universidades portuguesas privadas (Lusófona/Lusíada) que, o efeito mediático do trágico acontecimento do Meco proporcionou.

Um conflito centrado em interesses políticos e financeiros divergentes e cujos protagonistas são os grupos políticos que nelas se encontram instalados.

A diminuição da população universitária, associada a uma diminuição do financiamento à investigação feita nas universidades, no contexto de uma diminuição geral dos recursos financeiros disponíveis, veio seguramente contribuir para o agravamento e intensificação do conflito existente no sector do ensino privado universitário.


¿Qué es la soberanía alimentaria?



Esther Vivas

Comer: masticar y desmenuzar el alimento en la boca y pasarlo al estómago, según la definición de la Real Academia Española. Comer, sin embargo, es mucho más que tragar alimentos. Comer de manera sana y consciente implica preguntarse de dónde viene lo que consumimos, cómo se ha elaborado, en qué condiciones, porque pagamos un determinado precio. Significa tomar el control sobre nuestros hábitos alimentarios y no delegar. O en otras palabras, significa ser soberanos, poder decidir, en cuanto a nuestra alimentación. Esta es la esencia de la soberanía alimentaria.

Fue en 1996, cuando el movimiento internacional de agricultores La Vía Campesina puso por primera vez este concepto sobre la mesa coincidiendo con una cumbre de la Organización de las Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimentación ( FAO ) en Roma. Uno de los objetivos principales era promover la agricultura local, campesina, a pequeña escala y acabar con las ayudas que recibe la agroindustria para la exportación y con los excedentes agrícolas, que hacen la competencia desleal a los pequeños productores. Hoy, esta demanda ya no se circunscribe tan sólo al mundo campesino, sino que amplios sectores sociales la reclaman. Alimentarse, y poder decidir cómo hacerlo, es cosa de todos.

El concepto de soberanía alimentaria fue definido formalmente por La Vía Campesina como "el derecho de cada nación a mantener y desarrollar sus alimentos, teniendo en cuenta la diversidad cultural y productiva". En definitiva , tener soberanía plena para decidir qué se cultiva y qué se come. Las políticas agrícolas y alimentarias actuales, sin embargo, no lo permiten. En cuanto a la producción, muchos países se han visto obligados a abandonar su diversidad agrícola a favor de monocultivos, que sólo benefician a un puñado de empresas. A nivel comercial, la soberanía de muchos países está supeditada a los dictados de la Organización Mundial del Comercio. Y esto, por poner tan sólo un par de ejemplos.

Seguir leyendo el artículo aquí.

11 de fevereiro de 2014

A praxe...


Mário de Carvalho, sempre grande...

"A praxe é o abraço alcoolizado entre o ricaço marialvão, abrutalhado e analfabeto e o povoléu boçal e trauliteiro, folclorizando o servilismo medieval em vestes eclesiásticas. Ao fim e ao cabo, o velho Portugal alarve, mendigo, medievalóide e agachadinho, mas de telemóvel em riste."

O «Ensina-me»



Quando era novo, mandei fazer numa tábua
A canivete e nanquim a figura dum velho
A coçar-se no peito por causa da sarna
Mas de olhar implorativo porque esperava que o ensinassem.
Uma segunda tábua pra o outro canto do quarto,
Que devia representar um moço a ensiná-lo,
Nunca mais foi feita.

Quando era novo tinha a esperança
De encontrar um velho que se deixasse ensinar.
Quando for velho, espero
Que se encontre um moço e eu
Me deixe ensinar. 


Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'

7 de fevereiro de 2014

La Manta...



En nuestro hogar
hay una manta…

Color Tierra.
Color Tiempo.
Blanco Invierno,
verde Primavera,
naranja del calor
que pronto lleva el viento.

Queda el marrón chocolate,
dulce sabor…
que comparte
y nos abriga
nuestra manta de Amor…

Innata Sabiduría,
ingente Privilegio,
si juntos sabemos
escuchar la melodía…

………………………………………………………….

Obrigado.*
Gracias, Emi.
Infinitas veces gracias.
No sólo por la manta de ganchillo.
Sino también,
y sobre todo,
por esa enorme manta de Bondad,
Amor y Serenidad
que compartes cada día.
Esa era la “manta” a que me refería.


                                                Vasco Coelho


* Dedicado à Mãe da Mãe das minhas Filhas...