1 de julho de 2014

Pinhal das Artes 2014



O Pinhal das Artes regressa ao Lugar das Árvores, em S. Pedro de Moel, com  mais de 500 performances para crianças dos 0 aos 5  anos e seus familiares. Esta sétima edição, a realizar entre 1 e 6 de Julho, tem mais artistas, mais espetáculos, mais tendinhas e maiscantinhos, esperando este ano cerca de 10 mil visitantes.

O Festival Pinhal das Artes é um evento que pretende incentivar à criação e produção artística, promovendo a criatividade em família e o diálogo entre a arte e a natureza. Além de inúmeros espetáculos de teatro, dança e música, a cargo de companhias portuguesas e estrangeiras, de Itália e Bélgica, o festival vai contar com inúmeras atividades lúdicas e pedagógicas: observação de pássaros; passeios de carroça; brinquedos da floresta; construção de instrumentos com materiais reciclados; cantinho de sons, permacultura, entre muitas outras que vão preencher seis dias de encantar bebés e suas famílias. 

Os 3 primeiros dias foram especialmente pensados para as creches e jardins de infância, mas nas noites de todo o festival e sexta, sábado e domingo o dia todo, venham os bebés, os papás, as mamãs, os manos, as primas, os avós e os tios! Todos são bem vindos! Há bilhetes diários, há bilhetes só para a noite, há bilhetes para três dias e bilhetes para todo o festival! Estes estarão à venda nas duas bilheteiras do festival. Não há desculpa para não vir a este grande espetáculo a que a SAMP nos tem habituado no início de cada Verão!



Mais informações para a comunicação social: 
ou 962406089

Organização: SAMP – Sociedade Artística Musical dos Pousos
Parceria Estratégica: Fundação EDP



"A Fundação EDP associa-se com intensidade ao Pinhal das Artes, por acreditar profundamente na capacidade transformadora das artes e do mundo mágico do imaginário, para a vida de cada criança. A SAMP tem uma excelente tradição de levar estímulos emocionais a crianças doentes, e nessa ponte entre a inserção social e a doença, a FEDP constrói um dos seus mais expressivos eixos de actividade. É por isto fácil de entender este apoio e este alinhar de Valores e Vontades entre as duas instituições. Levaremos para o Pinhal outros exemplos deste nosso eixo, como a Operação Nariz Vermelho, a Turma do Bem e a Fundação do Gil, para que fique clara a nossa aposta nesta área e na qualidade de vida das crianças através da sua justa reinserção na sociedade. E para que prevaleça em todos a capacidade de acreditar na mudança, Inovando."
Margarida Pinto Correia – Diretora Inovação Social da Fundação EDP


“Havia passado um ano!

Que saudades tinha do Pinhal das Artes.
Era chegada a hora, e sem olhar a agenda serpenteei de novo os pinheiros do rei, tendo o aroma do Atlântico como GPS. Entre as acácias e o mar continuava o solitário farol de São Pedro, que eu deixei para segunda visita querendo ir primeiro ao lugar das árvores. Era ali que tudo estaria a acontecer.
Mas não estava.
...
Veio o vento e derrubou os mais majestosos dos eucaliptos. Vieram as fúrias divinas e derrubaram as acácias mais nobres e antigas do éden de São Pedro de Moel. Vieram as máquinas para levar os eucaliptos caídos e levaram também a doçura e o veludo dos caminhos. Vieram os homens para levar as acácias derrubadas e as máquinas, e levaram toda a poesia e todos os sons que milhares de bebés e suas famílias ali haviam deixado a ressoar ao longo dos últimos anos. Até as mães carpas viram chegar aos seus tanques inesperados e desconhecidos predadores selvagens que as devoraram, dizimando parte da família das Koi que no aquário gigante do Pinhal das Artes se habituou a contemplar os bebés e suas famílias. Parecia que todos os amigos do pinhal haviam desaparecido por completo. Quis sair dali depressa. Meti-me no carro e corri para o mar para ver se lavava a minha memória. Fui ver o farol.

O que faz aqui este farol?
Interrogava-me sobre quem pode ter hoje interesse num farol, na era de todos os GPS, quando vejo nascer ao fundo uma onda um pouco maior que as anteriores. Por perto andava na faina uma traineira, que o meu olhar mal discriminava. Mas para meu espanto, a traineira vinha afinal com a própria onda e temi o pior em semana de naufrágios na costa ibérica. Ao aproximar-se dos perigosos rochedos, verifico que não se trata de uma traineira, mas de um enorme animal que eu via pela primeira vez. Era gigante, entre o gafanhoto e a lagosta. Não tive medo, e ali fiquei imóvel a vê-lo subir a escarpa em direcção ao farol. Ao aproximar-se do farol, e de mim, percebi que era mesmo muito grande. Com uma voz de tenor especialmente doce, perguntou ao farol onde era o Lugar das Árvores em que havia de nascer o Pinhal das Artes. O farol apontou o seu olhar para terra, e em pleno dia fez brilhar um feixe de luz que beijava a clareira onde eu havia estado uma hora antes. O estranho mas simpático animal de imediato se dirige ao pinhal subindo a duna, com as suas muitas patas a pisar cardos, entre as quais levava cuidadosamente uma harpa que ainda escorria água da longa viagem que deve ter feito. Ao passar por mim, olhou-me com o carinho que pode ter o olhar de um gafanhoto ou de uma lagosta, e disse-me: Vai para casa depressa que já nasceram as Koi do Pinhal das Artes.

Meti-me no carro e vim para casa como um pai em stress. Não queria acreditar em gafanhotos gigantes que saem do mar e falam para faróis. Mas era verdade, haviam mesmo nascido os bebés KOI de 2014. Se era verdade com as carpas, também o será com o Pinhal das Artes.

De 1 a 6 de Julho de 2014.”

Paulo Lameiro