25 de abril de 2017

Ôi 25!



Já não trago as utopias nos bolsos:
– trago-as debaixo da língua.
Ranjo os dentes e o medo limpa
as lágrimas dos olhos...
(Amanhã quem sabe onde estarei?)

Já não levo os desejos na carteira:
– levo-os no fundo do peito.
Fecho a boca e o espanto varre
as marcas na areia...
(Amanhã quem sabe onde estarei?)

Já não ponho as dores à cabeceira:
– ponho-as no saco do ventre.
Esfrego as mãos e o frio ri
mas (já) doutra maneira...
(Amanhã quem sabe onde estarei?)

(Teresa Muge)